21 Novembro 2009

Em memória de Mário Barradas (1931 – 2009)

(Foto de Paulo Nuno Silva retirada DAQUI)


«Mário Barradas e Sacuntala de Miranda fizeram parte de um pequeno grupo de micaelenses que no desolado início dos anos cinquenta ficou como referência na luta contra a ditadura.
Mais novo, ainda apanhei o seu rasto e a respectiva reputação quando cursava o Liceu de Ponta Delgada. Quantas vezes não me disseram então em S.Miguel: «Olha, se não tomas juízo ainda te acontece como à Sacuntala e ao Mário Barradas». Aconteceu, claro.
Há poucos anos a Sacuntala, que também já se foi, organizou uma festa de anos , e o Mário Barradas leu uns poemas perante os amigos que se juntaram.
Foi como um sinal de adeus.»
josé medeiros ferreira in Bicho Carpinteiro

«Há muitos anos, o Inverno de Évora era muito silencioso — foi numa dessas noites que nos encontrámos nas arcadas, perto da Praça do Giraldo; estávamos os dois sozinhos e percorremos aquelas ruas que estavam no mapa habitual dos noctívagos. Nessa noite convenceu-me a escrever uma peça para o Centro Cultural de Évora. Eu não gostava de teatro. No dia seguinte telefonou-me para a universidade e perguntou-me: «Já está pronta?» Comecei a escrevê-la nesse mesmo dia e, uns meses depois, estava em cena no Teatro Garcia de Resende, não apenas com um notável grupo de actrizes (a peça era apenas para mulheres) mas também com a encenação de Luís Varela (o Mário adoecera entretanto). A voz, ele tinha uma voz magnífica – todos os de Évora recordam como, nos recitais episódicos, ele dizia a poesia de Nemésio, a de Eu Comovido a Oeste. Era ainda o seu lado açoriano, aquele que não se esquece. Em Lourenço Marques incluí-o como personagem. Encontrámo-nos várias vezes num teatro, num lugar ou noutro. Mas recordarei sempre essa noite do Inverno de Évora. E a sua voz.»
Francisco José Viegas, in Origem das Espécies

«Mário Barradas foi um açoriano micaelense especial. Encenador e actor. Incansável, de uma energia e entusiasmo que “contaminavam” benignamente quem o rodeava. Entregou a sua vida ao teatro. Foi o pioneiro da primeira grande e séria aventura de descentralização teatral depois de Abril, criando o Centro Cultural de Évora no Teatro Garcia de Resende (hoje CENDREV), onde viria a funcionar uma também pioneira escola de formação teatral, responsável pela profissionalização de muitos jovens actores e de uma grande parte dos técnicos de teatro e demais artes do espectáculo que encontramos a trabalhar um pouco por todo o Alentejo.
Durante muito tempo e porque por vezes tenho sorte, quase sempre que ia a Évora fazer fosse o que fosse, tinha o prazer de o encontrar na rua e inventávamos tempo para um café e para pôr a conversa em dia.
Embora nos últimos tempos soubesse que era muito improvável encontrá-lo ali, continuava a ser possível... agora não será mais.
As minhas visitas a Évora serão mais tristes!»
Samuel in “CANTIGUEIRO”

«Em 1975 o Mário Barradas convidou a minha mãe para fazer parte da fundação do Centro Cultural de Évora (o grande modelo da descentralização do teatro em Portugal). Com ela fui eu e os meus irmãos e o meu caminho ficou em grande parte aí traçado. Cresci a ver um teatro com uma função social, com um propósito específico. Vivi o sonho deles de que essa arte iria transformar o mundo. Na realidade não transformou, mas em mim esse sonho ainda não morreu. Já não através de ideologias políticas, mas sim de uma esperança de acordar o melhor do Humano que há em todos os Seres. E hoje com a partida do Mário percebi que foi ele o grande responsável por isso. É a ele que devo o saber o que quero dizer com a arte que faço e o meu entendimento do mundo através dela. OBRIGADO MÁRIO.»
Rui Rebelo, in ANACRUZES

«Durante uns tempos, menino e moço, almocei diariamente com o Mário Barradas e a Alice Chicó. Tinham engraçado comigo e eu com eles. Eles comigo, não sei porquê; eu com eles, sei muito bem. Devo-lhes muito do que sou e... alguma coisa do que deixei de ser.
À boa memória que guardo da Alice, junto agora a que o Mário me deixa. Até que voltemos a almoçar juntos, amigos!»
JC, in 20 NOVEMBRO, 2009 16:42

«Uma energia brutal que assolou a cidade de Évora nos quentes anos setenta... uma força da natureza que encantou e enriqueceu estas paragens... nunca percebi porque carga de água se apaixonou por estas terras... mas sei que foi por isso que aqui se fixou... sem dúvida alguma, porque o conheci, o vi e o senti em momentos chaves da minha vida - um dos maiores ACTORES de teatro de que tenho memória (como poderei esquecer as suas representações Brechtnianas no inicio do CCE) ... também encenador, sem dúvida e pedagogo, pois sim ... mas também e sobretudo um REVOLTADO, um intelectual que sempre se sentiu incomodado com a mesquinhez e a hipocrisia do sistema ... o PCP teve a sorte de o ter nas suas fileiras, mas nunca o soube aproveitar de verdade ... aliás os partidos são completamente ultrapassados porque não estão preparados para receberem no seu seio cidadãos do mundo, desta dimensão ...

Foi-se um pioneiro, fica a sua memória e sempre a esperança que outros cérebros e homens e mulheres invulgares, escolham esta cidade para não morrermos de tédio ... a propósito para onde vai Évora? Que escuridão...
in 19 NOVEMBRO, 2009 23:19

A TI
o palco chora
este vazio que o fere
como um cair de pano
em sala muda
ecoa inundado
por uma vida eterna
em memórias de quem quer
transformar o mundo.

não me cruzei contigo
mas ficou gravada
A menina Júlia
Obra levada aos meus sentidos ávidos
por uma visão de quem pode,
Transportar mensagens,
Abalar consciências,
despertar ciências...
sabe-me , agora, a pouco...
resta-me a sensação
de que serás sempre
UM HOMEM cuja obra ultrapassa
as escassas notícias de perda.
Pois assim seja!
que nada perdemos contigo!
apenas apreendemos que ganhar
é ser recordado...
Um Bem-Hajas Mário.

abraço do vale
DUARTENOVALE

Escutas: coisas simples duma coisa complexa

As escutas podem configurar, no contexto do processo para o qual foram autorizadas, decisivo e insuprível meio de prova

1.
0 país vem sendo sacudido por um terramoto jurídico-político, com epicentro nos problemas normativos e semânticos suscitados pelo regime das escutas telefónicas. Uma discussão em que se fez ouvir um coro incontável de vozes, vindas de todos os azimutes. E todas a oferecer vias hermenêuticas de superação dos problemas. E a reivindicar para si o fio de Ariana capaz de nos fazer sair do labirinto. Foi como se, de repente, Portugal se tivesse convertido numa imensa Escola de Direito.
Mas o lastro que as ondas vão deixando na praia está longe de ser gratificante. Mais do que uma experiência de academia, fica-nos a sensação de um regresso a Babel: se é certo que quase todos falam do mesmo, quase ninguém diz a mesma coisa. Não sendo possível referenciar uma gramática comum, capaz de emprestar racionalidade ao debate e sugerir pontes de convergência intersubjectiva.
Se bem vemos as coisas, uma das causas deste “desastre hermenêutico”, com réplicas tão profundas como perturbadoras no plano político, ter-se-á ficado a dever ao facto de se terem perdido de vista as coisas mais simples. Que, por serem as mais lineares e aproblemáticas, poderiam valer como apoios seguros, a partir dos quais se lograria a progressão nas áreas mais minadas pelas dificuldades e desencontros.
É um exercício neste sentido, feito sobre a margem das coisas simples, que valerá a pena ensaiar.

2.

Manda a verdade que se comece por sinalizar um primeiro dado: o problema ficou em grande medida a dever-se a uma pequena intervenção no Código de Processo Penal, operada em 2007. Que introduziu no diploma um preceito, filho espúrio do caso “Casa Pia”. E, por sobre tudo, um preceito atrabiliário, obscuro, desnecessário e absurdo. Logo porquanto, a considerar-se merecida e adequada uma certa margem de prerrogativa processual para titulares de órgãos de soberania, então nada justificaria que ela se circunscrevesse às escutas. E se silenciassem outros meios, nomeadamente outros meios ocultos de investigação, reconhecidamente mais invasivos e com maior potencial de devassa (vg. gravações de conversas cara a cara, acções encobertas, etc.). A desnecessidade resulta do facto de, já antes de 2007, a lei portuguesa conter um equilibrado regime de privilégio para aquelas altas instâncias políticas. Já então se prescrevia que as funções de juiz de instrução fossem, em relação a elas, exercidas por um conselheiro do STJ. Assim, a Reforma de 2007 deixou atrás de si um exemplar quadro de complexidade. Nos processos instaurados contra aquelas altas figuras de Estado, há agora um normal juiz de instrução: um conselheiro que cumpre todas as funções de juiz de instrução, menos uma, precisamente a autorização e o controlo das escutas. Ao lado dele intervém um segundo e complementar juiz de instrução, o presidente do STJ, entrincheirado num círculo circunscrito de competência: só se ocupa das escutas. Isto não obstante os problemas das escutas serem, paradigmaticamente, actos de instrução; e, pior do que isso, não obstante aquele primeiro juiz de instrução ter competência para todos os demais actos de instrução, inclusivamente daqueles que contendem com os mais devastadores meios de devassa que podem atingir os mais eminentes representantes da soberania.
Manifestamente, o legislador (de 2007) não quis ajudar. Mesmo assim, nem tudo são sombras no quadro normativo ao nosso dispor. Importa, para tanto, tentar alcançar uma visão sistémica das coisas. E agarrar os tópicos mais consolidados e inquestionáveis, convertendo-os em premissas incontornáveis do discurso. E, por vias disso, fazer deles pontos de partida, lugares obrigatórios de passagem e de regresso, sempre que pareça que as sombras se adensam e as luzes se apagam.

3.
A começar, uma escuta, autorizada por um juiz de instrução no respeito dos pressupostos materiais e procedimentais prescritos na lei, é, em definitivo e para todos os efeitos, uma escuta válida. Não há no céu - no céu talvez haja! - nem na terra, qualquer possibilidade jurídica de a converter em escuta inválida ou nula. Pode, naturalmente, ser mandada destruir, já que sobra sempre o poder dos factos ou o facto de os poderes poderem avançar à margem da lei ou contra a lei. Mas ela persistirá, irreversível e “irritantemente”, válida!
Sendo válida, o que pode e deve questionar-se é - coisa radicalmente distinta - o respectivo âmbito de valoração ou utilização. Aqui assoma uma outra e irredutível evidência: para além do processo de origem, ela pode ser utilizada em todos os demais processos, instaurados ou a instaurar e relativos aos factos que ela permitiu pôr a descoberto, embora não directamente procurados (”conhecimentos fortuitos”). Isto se - e só se - estes conhecimentos fortuitos se reportarem a crimes em relação aos quais também se poderiam empreender escutas. Sejam, noutros termos, “crimes do catálogo”.
De qualquer forma, e com isto se assinala uma outra evidência, a utilização/valoração das escutas no contexto e a título de conhecimentos fortuitos não depende da prévia autorização do juiz de instrução: nem do comum juiz de instrução que a lei oferece ao cidadão comum, nem do qualificado juiz de instrução que a mesma lei dispensa - em condições de total igualdade, descontada esta diferença no plano orgânico-institucional - aos titulares de órgãos de soberania. De forma sincopada: em matéria de conhecimentos fortuitos, cidadão comum e órgãos de soberania estão, rigorosamente, na mesma situação. Nem um, nem outro gozam do potencial de garantia própria da intervenção prévia de um juiz de instrução, a autorizar as escutas.

4.
Uma outra e complementar evidência soa assim: as escutas podem configurar, no contexto do processo para o qual foram autorizadas e levadas a cabo, um decisivo e insuprível meio de prova. E só por isso é que elas foram tempestivamente autorizadas e realizadas. Mas elas podem também configurar um poderoso e definitivo meio de defesa. Por isso é que, sem prejuízo de algumas situações aqui negligenciáveis, a lei impõe a sua conservação até ao trânsito em julgado. Nesta precisa medida e neste preciso campo, o domínio sobre as escutas pertence, por inteiro e em exclusivo, ao juiz de instrução do localizado processo de origem. Que, naturalmente, continua a correr os seus termos algures numa qualquer Pasárgada, mais ou menos distante de Lisboa. Um domínio que não é minimamente posto em causa pelas vicissitudes que, em Lisboa, venham a ocorrer ao nível de processos, instaurados ou não, aos titulares da sobrasnia. Não se imagina - horribile dictum - ver as autoridades superiores da organização judiciária a decretar a destruição de meios de prova que podem ser essenciais para a descoberta da verdade. Pior ainda se a destruição tiver também o efeito perverso de privar a defesa de decisivos meios de defesa. Por ser assim, uma vez recebidas as certidões ou cópias, falece àquelas superiores autoridades judiciárias, e nomeadamente ao presidente do STJ, legitimidade e competência para questionar a validade de escutas que, a seu tempo, foram validamente concebidas, geradas e dadas à luz. Não podem decretar retrospectivamente a sua nulidade. O que lhes cabe é tão-só sindicar se elas sustentam ou reforçam a consistência da suspeita de um eventual crime do catálogo imputável a um titular de órgão de soberania. E, nesse sentido e para esse efeito, questionar o seu âmbito de valoração ou utilização legítimas. E agir em conformidade. 0 que não podem é decretar a nulidade das escutas: porque nem as escutas são nulas, nem eles são taumaturgos. O que, no limite e em definitivo, não podem é tomar decisões (sobre as escutas) que projectem os seus efeitos sobre o processo originário, sediado, por hipótese, em Pasárgada, e sobre o qual não detêm competência.

5.
É o que, de forma muito concentrada, nos propomos, por ora, sublinhar. Quisemos fazê-lo com distanciação e objectividade, sine ira et studio. Mantendo a linha, o tom e a atitude de anos de investigação e ensino votados à matéria. E sem outro interesse que não o de um contributo, seguramente modesto, para a reafirmação e o triunfo da lei. Pela qual devemos bater-nos “como pelas muralhas da cidade” (Heraclito). E certos de que, também por esta via, se pode contribuir para o triunfo das instituições. E, reflexamente, para salvaguardar e reforçar o prestígio e a confiança nos titulares dos órgãos de soberania cujos caminhos possam, em qualquer lugar, cruzar-se com os da marcha da Justiça.


Manuel da Costa Andrade
Professor de Direito Penal na Universidade de Coimbra

in PÚBLICO, 18 de Novembro de 2009, (via SMMP)

Quando é que os cidadãos deste país se manifestam massivamente:

Contra a corrupção e o enriquecimento ilícito, à custa do Estado?
Contra a incompetência e a mentira que os representantes do Estado (escolhidos pelos partidos do centro), patenteiam sempre que abrem a boca?
Contra a impunidade desses criminosos?
Contra a destruição do Estado de Direito?
Contra os abusos do Estado e das empresas monopolistas que resultaram das privatizações?Contra a destruição e privatização dos Serviços Públicos, que a constituição nos dá como garantidos?
Contra a má governação, ruinosa para todos, menos para os criminosos?
Quando é que os cidadãos acordam e se fazem ouvir, massivamente, na rua?

21 NOVEMBRO, 2009 10:48

Folk Galego em Évora

21 de Novembro, Sábado @ Celeiros, 23h00
Organização:
PédeXumbo + D'orfeu


Este Sábado chega ao Celeiros (Évora) o Folk de nuestros hermanos galegos. Incorporado no Festival Outonalidades a cardo da Associação D'Orfeu de Águeda e trazido para Évora pela Associação PédeXumbo, chegam os Coanhadeira. A entrada é livre.

20 Novembro 2009

Quem é que andou a dizer, até ontem: “as contas públicas estão controladas”?

(I, 20.11.2009)

Um dia garantem a pés juntos que o preto é branco. No dia seguinte, dizem exactamente o contrário, sem vergonha nem remorso e com a espontaneidade própria das crianças e dos tolos. Como é que ainda há quem confie nesta gente?

Desemprego já atinge 696,9 mil portugueses e apenas 350,8 mil recebem subsídio

O INE acabou de publicar os dados do desemprego relativos ao 3º Trimestre de 2009. E esses dados mostram que a situação é pior do que aquela que o governo e os seus defensores pretendem fazer crer, e que as medidas tomadas pelo governo são claramente insuficientes,

No 3º Trimestre de 2009, o desemprego oficial atingia 547,7 mil portugueses. Mas o desemprego oficial não inclui a totalidade dos desempregados. No número oficial de desemprego, não estão incluídos aqueles, que embora na situação de desemprego, não procuraram emprego no mês em que foi feito o inquérito, por estarem, por ex., desencorajados. E também não estão considerados no número oficial de desempregados, todos os desempregados que, para sobreviveram, fizeram um pequeno "biscate", por exemplo de uma hora. Se somarmos ao desemprego oficial os desempregado que não são considerados no cálculo do número oficial de desempregados, obtemos para o 3º Trimestre de 2009, 696,9 mil desempregados e uma taxa efectiva de desemprego de 12,3% (a taxa oficial é apenas 9,8%, embora na região Norte a taxa oficial seja 11,6%, em Lisboa e Algarve 10,3%, no Alentejo 10,2%), portanto os valores do desemprego efectivo são bastante superiores aos números oficiais de desemprego que são divulgados pelos media. No fim do 3º Trimestre de 2009, o número de desempregados a receber o subsídio de desemprego era apenas de 350,8 mil, o que correspondia somente a 64,1% do numero oficial de desempregados, e somente a 50,3% do numero efectivo de desempregados. Isto significa que entre 196,9 mil e 346,1 mil desempregados não recebiam subsídio de desemprego. E daqueles 350,8 mil que estavam a receber o subsídio de desemprego, 112 mil recebiam o subsídio social de desemprego, cujo valor é inferior ao limiar de pobreza (354€ por mês – 14 meses). A medida anunciada pelo 1º ministro na Assembleia da República de redução do prazo de garantia vai apenas permitir a mais 10.000 desempregados receberem subsídio de desemprego. É uma medida claramente insuficiente face à gravidade e à dimensão da situação. É urgente adaptar a lei do subsídio de desemprego à actual situação, o que o governo se tem recusado a fazer.

Outros aspectos graves também ligados ao mercado de trabalho, são a crescente destruição líquida de emprego e a precariedade em que se encontra uma parte numerosa da população empregada. Entre o 3º Trimestre de 2008 e o 3º trimestre de 2009, o emprego total passou de 5.191,8 mil para 5.017,5 mil, o que significa que neste período se verificou uma destruição liquida de emprego calculada em 178,3 mil postos de trabalho, sendo 58,5 mil só no 3º Trimestre de 2009. Por outro lado, a precariedade está a aumentar pois, entre 2005 e 2009, passou de 26,5% para 29% da população empregada, encontrando-se com emprego precário, no 3º Trimestre de 2009, pelo menos 1.452.600 portugueses.

A destruição líquida de emprego tem atingido mais fortemente determinadas profissões. De acordo com os dados divulgados pelo INE, entre o 3º Trimestre de 2008 e o 3º Trimestre de 2009, a destruição liquida de emprego atingiu 178,3 mil postos de trabalho, mas 104,5 mil foram postos de trabalho de "operários, artífices e trabalhos similares", e 79,1 mil de "trabalhadores não qualificados". São fundamentalmente estes dois grupos profissionais que estão a ser mais atingidos pela destruição de emprego. No entanto, interessa já referir, que no 3º Trimestre de 2009 começou a verificar-se destruição líquida de emprego em profissões de escolaridade e qualificação mais elevada. Entre o 2º Trimestre e o 3º Trimestre de 2009, o número de postos de trabalho de "quadros superiores do sector privado e da administração pública" diminuiu em 31,8 mil; o de "especialistas de profissões intelectuais e científicas" reduziu-se em 23,2 mil; e o de "Técnicos profissionais de nível intermédio" a redução atingiu 27,8 mil. Só nestas três profissões, que são de qualificação mais elevada, a destruição líquida de emprego no 3º Trimestre de 2009 atingiu 82,8 mil postos de trabalho. O emprego mais qualificado começou também a ser destruído, pondo-se assim em causa o desenvolvimento do País.

Eugénio Rosa
in Resistir/info

Uma política de condicionamento e pressão

Logo no primeiro mandato, o PS do Dr. José Ernesto, ameaçou os jornais, revistas e associações locais, que costumavam divulgar publicidade ou receber subsídios da Câmara de Évora, de que "se falarem contra a Câmara, perdem a publicidade e os subsídios".

A mensagem foi, claramente, "quem disser mal do PS, leva".

Não fez o PS de Évora, à escala concelhia, precisamente o mesmo que o Vara, o Sócrates e o Oliveira, estão a fazer, à escala nacional?
Quem é que, em Évora, se escandalizou?
Será que o défice democrático, a corrupção e o proto-fascismo, é só na Madeira?

19 Novembro, 2009 14:22

19 Novembro 2009

Porquê esta sensação de que estamos a assistir, em directo na TV, ao desmantelamento do Estado de Direito…

Ao almoço, foi o desfile de advogados de alto coturno, que temos vindo a conhecer no julgamento da Casa Pia, e em todos os outros, de corrupção, que envolvem o estado, os governantes, e "os amigos do dinheiro do Estado".

Os mesmos advogados, a cujos escritórios a Assembleia tem encomendado, a peso de ouro, as recentes alterações à lei penal.

Agora ao jantar, no telejornal, falam de um parecer jurídico tirado da cartola, ou coisa que o valha, que vai dificultar a divulgação dos crimes desta canalha importante, a contas com a justiça.

Porquê esta sensação, quase visceral, de que estamos a assistir a um Golpe de Estado, ao desmantelamento do Estado de Direito, em directo na TV, para proteger o Primeiro Ministro e os seus apaniguados?

19 Novembro, 2009 20:45

"Face Oculta" pode ser apenas a ponta do iceberg…

E agora, a culpa também é da “crise internacional”!

Évora de luto. Faleceu Mário Barradas.

O encenador Mário Barradas morreu hoje de manhã na sua casa em Lisboa, aos 78 anos. Nascido em Ponta Delgada, em 1931, Mário Barradas fundou, em 1975, o Centro Cultural de Évora, antecessor do Centro Dramático de Évora (CENDREV), com sede no centenário Teatro Garcia de Resende.

Nas primeiras eleições autárquicas, no final do ano de 1976, foi eleito Presidente da Assembleia Municipal de Évora proposto pelo PCP. Foi reeleito membro deste Órgão até ao final de 1997.

O corpo de Mário Barradas vai estar em câmara ardente no Palácio Galveias, em Lisboa, estando o funeral marcado para sexta-feira, às 15:00, para o cemitério do Alto de S. João.

«Uma vida dedicada ao teatro. Um contributo activo e fundamental para o desenvolvimento do panorama teatral português nas últimas décadas.
Em Évora, fundou o projecto que foi referência da descentralização teatral em Portugal, projecto esse responsável pela formação de várias gerações de actores e germinação de novas estruturas artísticas.
Mário Barradas foi um Homem do Teatro em toda a sua dimensão de actor, encenador, pedagogo e pensador de políticas teatrais.
Mário Barradas não foi um homem de consensos. Polémico, agressivo nas suas posições, o seu contributo foi absolutamente determinante para a nossa formação teatral mas também humana.
O teatro perdeu um dos seus obreiros. Fica o seu grande exemplo de vitalidade e amor ao teatro.
Até sempre Mário!»


(CENDREV em comunicado anunciando a sua morte)

A publicidade como instrumento de condicionamento e pressão sobre os media

Segundo a revista SÁBADO, o investimento publicitário de "empresas ligadas ao Estado" tem obedecido a padrões estranhos: o PÚBLICO e o SOL viram as suas receitas publicitárias provindas destas empresas cair a pique, ao passo que o DN e o JN, do amigo Joaquim, registaram uma subida quase equivalente. Dado que não foram as audiências dos respectivos órgãos de comunicação que justificaram estas transferências de investimento em publicidade, talvez não seja complicado adivinhar o que se passou...

Para que não restem dúvidas, José António Saraiva, director do SOL, garante à SÁBADO que “uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport”. Sem revelar a identidade do autor da proposta, José António Saraiva acrescenta: “É evidente que Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do Sol no BCP e que todos os assuntos relacionados com o Sol passavam directamente por ele, e isso nós sabíamos”.

Esta informação do director do SOL ganha relevo à luz do que se vai sabendo sobre as suspeitas de manipulação de órgãos de Comunicação Social, detectadas no âmbito da investigação do caso Face Oculta. Manipulação que, na interpretação do MP de Aveiro, é criminalizada pela conjugação do artigo 9.º, da Lei n.º 34/87, de 16 de Julho (Crimes de responsabilidade dos titulares de cargos políticos), com o n.º4, do artigo 38.º, da Constituição da República, o qual determina que cabe ao Estado “assegurar a liberdade e a independência da comunicação social perante o poder político e o poder económico...”.

Desemprego: um flagelo social

(PÚBLICO, 18.11.2009)

«O número de desempregados que querem trabalhar mas que não procuraram emprego no mês anterior aumentou quase 30 por cento. Em três meses, este número subiu de 90 mil para 115 mil pessoas». Como estes desempregados não são considerados para a taxa de desemprego, isto significa que o desemprego em Portugal é bastante superior aos 548 mil contabilizados pelo INE, atingindo a alarmante cifra de 663 mil desempregados, o valor mais elevado desde, pelo menos, 1983.

Mas os feitos na área do emprego da governação Sócrates não se ficam por aqui. Graças à flexibilização, que iria tornar o país mais competitivo, 7 em cada 8 pessoas contratadas há menos de 12 meses encontram-se numa situação precária: a maioria está a prazo, mas também há quem esteja com recibos verdes ou noutro tipo de situações instáveis não especificadas pelas estatísticas do INE.

É certo que há quem queira sacudir água do capote e insista em tentar tapar o sol com uma peneira, mas os números não enganam. Eles são demasiado preocupantes e auguram sérios problemas sociais, nos próximos tempos. Oxalá nos enganemos.

Professores: Valeu a pena lutar!

Comunicado do Ministério da Educação sobre o 1º ciclo de avaliação do desempenho docente, enviado ontem às escolas:

«O 1º ciclo de avaliação do desempenho docente prossegue e conclui-se, nos termos da lei, até 31 de Dezembro de 2009.
  • Todos os docentes serão avaliados no âmbito do 1º ciclo de avaliação desde que se tenham apresentado a avaliação na primeira fase desse processo, tal como identificada na alínea a) do Artigo 15º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro e como tal mantida no chamado procedimento de avaliação simplificado, nos termos da alínea a) do nº 2 do Artigo 2º do Decreto Regulamentar nº 11/2008, de 23 de Maio.
  • Assim, a apresentação do avaliado à primeira fase do processo de avaliação concretiza-se através da entrega da ficha de auto-avaliação, que é legalmente obrigatória (conforme dispõe expressamente o nº 2 do Artigo 16º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro), ainda que não tenham apresentado previamente, no prazo previsto, a respectiva proposta de objectivos individuais.
  • Nos termos da alínea a) do nº 1 do Artigo 8º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, a avaliação de desempenho tem sempre por referência os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades para o agrupamento de escolas ou escola não agrupada.
  • Quando estejam fixados objectivos individuais, o grau de cumprimento desses objectivos constitui, nos termos do Artigo 10º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, referência essencial da classificação atribuída em relação aos parâmetros a que tais objectivos se reportem.»
Para além da possibilidade de avaliação a quem não entregou os Objectivos Individuais, foi comunicado às escolas a suspensão dos procedimentos do 2º ciclo de avaliação. Merecem ainda nota de destaque as notícias que apontam para o muito provável fim da divisão na carreira docente.
Hoje começa a discussão parlamentar sobre estas matérias, mas já é possível concluir que a luta dos professores contra as reformas injustas na Educação começa a produzir efeitos. Caso para se dizer que valeu a pena lutar.

18 Novembro 2009

Confirmam-se os piores receios…

O José, na Porta da Loja, há uns dias elogiou o Procurador de Aveiro, pela actuação no "face oculta". Hoje, transcreveu o parecer de Manuel da Costa Andrade, ilustre professor de Direito Penal da Universidade de Coimbra, que o PÚBLICO hoje publicou, e comentou assim:

"Isto, escrito assim, por quem escreve, é demais. Não me lembra de ler uma porrada tão violenta assente no lombo jurídico das duas sumidades mais elevadas na nossa autoridade judiciária: o presidente do STJ e o PGR, curiosamente ambos juízes do "cível".
Incrível. E tanto mais incrível será, se se confirmar que o despacho jurisdicional que Costa Andrade contesta e entende contrário ao direito, foi proferido num "dossier" administrativo.
Isso, a confirmar-se, seria a negação do Estado de Direito, pelo seu mais elevado representante no Poder Judicial
."
(vale a pena ler o post todo)

Para o cidadão, ignorante destas coisas, as conclusões, catedráticas, só confirmam os nossos piores receios: depois das maiorias do Parlamento, depois da Presidência da República, também a Justiça, ao mais alto nível, está enredada, vendida, e entregue, aos mais baixos interesses, dedicados ao enriquecimento ilícito e ao roubo do Estado.

18 Novembro, 2009 18:48

Requerimento a Fernanda

Ó Fernanda, dado
que já estou cansado
do ar teatral
a que ele equivale
em todo o horário
de cada canal,
no noticiário,
no telejornal,
ligando-se ao povo,
do qual ele se afasta,
gastando de novo
a fala já gasta
e a pôr agastado
quem muito se agasta
por ser enganado.

Ó Fernanda, dado
que é tempo de basta,
que já estou cansado
do excesso de carga,
do excesso de banda,
da banda que é larga,
da gente que é branda,
da frase que é ópio,
do estilo que é próprio
para a propaganda,
da falta de estudo,
do tudo que é zero,
dos logros a esmo
e do exagero
que o nega a si mesmo,
do acto que é baço,
do sério que é escasso,
mantendo a mentira,
mantendo a vaidade,
negando a verdade,
que sempre enjoou,
nas pedras que atira,
mas sem que refira
o caos que criou.

Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
que falta paciência,
por ter suportado
em exagerado
o que é aparência.

Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
ao fim e ao cabo,
das farsas que ele faz,
a querer que o diabo
me leve o que ele traz,
ele que é um amigo
de São Satanás,
entenda o que eu digo:
eu
já estou
cansado!

Sem aviso prévio,
ó Fernanda, prive-o
de ser contestado!
Retire-o do Estado!
Torne-o bem privado!
Ó Fernanda, leve-o!
Traga-nos alívio!
Tenha-o só num pátio
para o seu convívio!
Ó Fernanda, trate-o!
Ó Fernanda, amanse-o!
Ó Fernanda, ate-o!
Ó Fernanda, canse-o!

Euleriano Ponati
(poeta não titular)

in AVENTAR, 18.11.2009

Uma certa forma de fazer

Com o fundamento da necessidade de adequação à Lei n.º 53-E/2006, de 29 de Dezembro, foi presente à Câmara Municipal uma proposta de “Regulamento e Tabela das Taxas e Outras Receitas do Município de Évora”, em Novembro de 2008. Aprovada com o voto de qualidade do Presidente da Câmara, a proposta em causa seguiu o caminho legalmente estabelecido, ou seja, foi para consulta pública.
Em Janeiro de 2009, após terem sido introduzidas algumas correcções e alterações de pormenor, voltou a estar presente em Reunião de Câmara.

É preciso lembrar que estávamos perante uma proposta que agravava substancialmente o valor da maioria das Taxas aplicadas aos serviços prestados aos munícipes.

Quando se previa a discussão e aprovação do dito Regulamento e Tabela de Taxas, o vice-presidente da Câmara pediu a retirada do ponto, justificando essa retirada com “…o momento actual de grande dificuldade, quer para as famílias, quer para as empresas”, “…de forma a ser reformulado, numa lógica mais consentânea com o momento actual…”.

Aquando deste episódio, era sabido que teria que ser aprovado um Regulamento e Tabela de Taxas até ao final de 2009, sob pena do Município perder legitimidade de cobrar qualquer valor, a partir de Janeiro de 2010.

Entre Janeiro e Outubro do corrente ano, a dita proposta, já com as alterações resultantes da discussão pública, não voltou a ser agendada pela maioria que então geria os destinos do município.

Aconteceram as eleições e como que por milagre o Regulamento e Tabela de Taxas veio à última reunião de câmara.

Procurámos as alterações resultantes das “reformulações” que colocariam o documento na tal “lógica consentânea com o momento actual” e não encontrámos nada.

O documento presente à Câmara tem exactamente o mesmo conteúdo do que foi retirado em Janeiro deste ano.

Questionámo-nos sobre se o “momento actual de grande dificuldade” já teria passado e a resposta que obtivemos é que não. De facto, a taxa de desemprego não recuou, as famílias vêem-se confrontadas com mais dificuldades e as empresas, principalmente as de menor dimensão, vivem tempos de grandes apertos.

Depois de meses guardado na gaveta à espera de melhores dias, vem agora, igualzinho ao que era, cheio de urgência para ser aprovado, com um certo cheirinho a chantagem.

Ou seja, ou é aprovado a tempo de ir a uma Assembleia Municipal em Dezembro, ou o Município não pode cobrar taxas em Janeiro próximo.

Já tenho visto formas mais subtis de tentar condicionar as opções de voto que podem resultar da discussão de um documento.

Tudo parece indicar que a retirada do ponto em Janeiro foi condicionada pelo calendário eleitoral. De facto não dava jeito nenhum aprovar um Regulamento e Tabela de Taxas, que nalguns casos aumenta em 80% o custo do serviço prestado aos munícipes, em ano de eleições autárquicas e nada melhor que atirá-lo para depois das eleições.

Este tipo de actuação até pode ser corrente, no âmbito da gestão do tempo político, de uma certa forma de fazer política, o que já não me parece razoável é que se queira agora atirar para cima dos outros o ónus da não aprovação a tempo do instrumento legal que permitirá cobrar taxas a partir de Janeiro de 2010.

É preciso que fique bem claro que se acontecer uma situação dessas, que ninguém parece desejar, a responsabilidade não é de quem vota contra, mas de quem esticou o prazo para fugir da tomada de uma medida impopular antes das eleições, e que pretende agora uma aprovação cega, apelando à defesa do interesse municipal.

Como atrás referi, esta forma de fazer política até pode estar na moda mas quem a pratica tem que arcar com as inevitáveis consequências.

Eduardo Luciano
Publicado no Diário do Sul, de 17 de Novembro de 2009, e em www.ganharevora.cdu.pt.

17 Novembro 2009

Sempre vazio!


Quando é que a Câmara abre os olhos e acaba com aquela anedota do parque de estacionamento sempre vazio, à entrada da estrada das piscinas, do lado direito.
Sempre vazio! E com a falta de estacionamento que existe, no outro lado da rua estaciona-se em cima uns dos outros. Aliás, é um estacionamento fora das muralhas e tal como os dois parques de estacionamento perto dos Bombeiros, deveriam ser grátis.
Mas enfim, é a Câmara que temos.....

Vitor Alves
16 Novembro, 2009 11:58

Não há ninguém que tenha reparado nas calçadas da Av. Leonor Fernandes?

Expliquem-me lá, se não há ninguém na Câmara que tenha reparado no troço de calçada, entre a rotunda da ponte de ferro e a rotunda da BP, na Av. Leonor Fernandes.
É que aquilo não é uma rua, meus senhores e minhas senhoras. Aquilo é pior que cuspir na sopa.
Não há nada para calcar aquelas pedras?
Por amor de Deus.

17 Novembro, 2009 21:20

Por falar em Centro Histórico...

Alguém sabe dizer se agora se podem demolir os edifícios do Centro Histórico? É que na Travessa dos Fuzos já "desapareceu" um.

Sabem se o art.º 70.º do Regulamento do Plano de Urbanização já foi alterado?

Artigo 70º
Obras novas
As obras novas estão sujeitas aos seguintes condicionamentos:
a) Apenas são permitidas obras novas nos locais expressamente definidos para o efeito na planta de zonamento e no artigo 61.º;
b) Estas obras deverão ser precedidas de instrumento urbanístico.

É que a obra nova que se perspectiva na Travessa do Fusos não corresponde a nenhum local referido na alínea a).

17 Novembro, 2009 21:07

Parece que ainda há quem não tenha percebido

Nas eleições autárquicas os eborenses elegeram o Presidente da Câmara e mais 6 vereadores. São estes 7 membros eleitos que compõem o órgão “Câmara Municipal”. As decisões da Câmara Municipal são tomadas por maioria simples e cada um dos seus membros tem direito a um único voto. Só em caso de empate, o presidente tem direito a voto de qualidade.

Parece que ainda há quem não tenha percebido o que é óbvio para todos. Só assim se compreendem certas reacções ressabiadas, certas atitudes prepotentes e certas medidas censórias com o objectivo de intimidar e condicionar funcionários e eleitos. Todavia essas acções intiminatórias, longe de revelarem eficiência, determinação e energia, só servem para evidenciar o isolamento e a fraqueza de quem sente necessidade de as tomar. Só dirigentes fracos e a prazo recorrem a tais métodos. Deles não rezará a história.

Desemprego continua a crescer


Os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o desemprego, em Portugal, continua a crescer.
A taxa de desemprego atingiu os 9,8%, o que representa um agravamento de 0,7 pontos percentuais, relativamente aos 9,1% observados no trimestre anterior e um acréscimo de 2,1 pontos percentuais em relação aos 7,7% observados no período homólogo de 2008. Este valor fica bastante acima das previsões do Governo para o conjunto do ano, que apontavam para os 8,8%.

Na Região do Alentejo a taxa de desemprego é de 10,2%, valor acima da média nacional.

A população desempregada foi estimada em 547,7 mil indivíduos, verificando-se um acréscimo de 26,3%, face ao trimestre homólogo, e de 7,9% em relação ao trimestre anterior.

Portugal desce no ranking dos países menos corruptos

Portugal desceu novamente no ranking anual sobre a percepção da corrupção, segundo um relatório divulgado hoje pela organização Transparency International (TI). Relativamente ao ano passado Portugal baixou da 32ª para a 35ª posição, mas o plano inclinado começou em 1995. Desde essa data, o país tem vindo a baixar continuamente no ranking.

Reunião Extraordinária da CME sobre IMI: Reacções

Presidente da Câmara:
“Quando a oposição se junta torna-se impossível cumprir o programa socialista”. “A nossa proposta era justa e procurava premiar os proprietários que recuperam as suas habitações”, disse José Ernesto Oliveira.

Eduardo Luciano, vereador da CDU:
"Os cidadãos ficaram a ganhar com a proposta agora aprovada". “É a primeira vez que não se aplica a taxa máxima do IMI aos proprietários dos imóveis e ficou explícito que a maioria dos eleitos na Câmara têm o entendimento que os prédios no Centro Histórico estão isento de IMI, desde que os seus proprietários o requeiram”.

António Dieb, vereador social-democrata:
"O interesse público ficou salvaguardado". “Repõe-se a legalidade em Évora de isenção do IMI para o centro histórico e conseguem-se aplicar algumas taxas possíveis e razoáveis em termos do IMI para o resto do território”.

Declarações à DianaFm.

Reunião Extraordinária de Câmara de 16 de Novembro
Taxas de IMI vão baixar no concelho de Évora, e o Centro Histórico fica isento.

Por proposta dos Vereadores da CDU as taxas de IMI relativas ao ano de 2009, a liquidar em 2010, vão baixar no Concelho de Évora.
Em reunião extraordinária de 16 /11/09 a Câmara Municipal aprovou pela primeira vez, desde a criação deste imposto em 2003, (em substituição da antiga contribuição autárquica) taxas inferiores aos máximos previstos pela lei.

A aplicação dos máximos previstos para este imposto, que incide sobre o valor dos prédios (rústicos, urbanos e mistos) por um lado, e a isenção deste imposto na área do Centro Histórico de Évora por outro, foram os pontos centrais da discussão e originaram as três propostas diferentes apresentadas pela CDU, PS e PSD.

Para os prédios urbanos afectos a habitação, comércio, serviços e indústria (ainda não avaliados nos termos do Código do IMI), o Presidente da Câmara defendeu esses valores máximos, correspondentes a taxas de 0,7%, enquanto a CDU propôs 0,6%. No caso do mesmo tipo de prédios urbanos, já avaliados pela Direcção Geral dos Impostos, a taxa proposta pelo Presidente da autarquia foi 0,4% em vez dos 0,3% defendidos pelos Vereadores da CDU.

Relativamente aos prédios situados no Centro Histórico de Évora, os eleitos pela CDU propuseram a não aplicação de quaisquer taxas, conforme decorre da legislação em vigor, enquanto a proposta do Presidente previa isenções por um período de 5 anos, a decidir em função da avaliação do estado de conservação.

Inicialmente a proposta do PSD coincidia com a do Presidente da Câmara no que se refere à aplicação de taxas e com a dos vereadores da CDU no referente ao Centro Histórico. Mas perante o impasse gerado pela defesa de cada partido da sua proposta, o diálogo levou a uma nova votação que acabou por aprovar com 4 votos a favor (3CDU+1PSD) e 3 contra a proposta dos Vereadores da CDU.

Os vereadores da CDU congratulam-se por terem sido atingidos os três objectivos que, desde o primeiro momento, consideraram fundamentais nesta matéria:

1. Tornar claro que a isenção de IMI no Centro Histórico decorre da legislação em vigor, nomeadamente a lei 107/2001 de 8 de Setembro e o Estatuto dos Benefícios Fiscais - tal como é entendido pelos Municípios do Porto, Guimarães, Óbidos e Sintra - e não deve resultar de interpretações ou avaliações da Câmara Municipal de Évora.

2. Enviar um importante sinal de apoio às empresas e famílias do concelho de Évora, no momento em que a crise económica faz sentir os seus efeitos, através da redução das taxas de IMI.

3. Garantir uma aplicação responsável deste imposto, cuja receita reverte para os cofres municipais, de modo a assegurar a sustentabilidade financeira da Câmara Municipal de Évora.

Évora, 16 de Novembro de 2009
Os Vereadores da CDU na Câmara Municipal de Évora

Informação nº 2/2009 (destaques nossos)
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CORRUPÇÃO

Corrupção nas pessoas
é como ferrugem nas panelas
:
quando dá
não há como eliminar

há que pensar logo
em substituir


Platero
(h)ortografias

16 Novembro 2009

CME aprova isenção de IMI no Centro Histórico

A CDU e o PSD votaram esta tarde favoravelmente uma proposta que isenta os proprietários de edifícios no Centro Histórico do pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis, considerando ser essa uma prerrogativa reconhecida na própria Lei do Património. Consequentemente foi recusada a proposta do PS que pretendia que só beneficiassem da referida isenção e por um período de 5 anos, os proprietários que realizassem obras de reabilitação.

(informação via A Cinco Tons)

António Aleixo (1899 – 1949)


António Fernandes Aleixo (Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 — Loulé, 16 de Novembro de 1949) foi um poeta popular português.
O Poeta morreu há 60 anos mas a sua obra mantém-se actual.

P'ra mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.

Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer o que são,
são aquilo que eu pareço.

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos que pode o povo
qu'rer um mundo novo a sério.

Ontem como hoje: Se faltar a justiça, desgraçados cidadãos!

«… Que uma autoridade administrativa seja corrupta, ignorante, desprezadora da lei; que hipocritamente finja respeitá-la e aplicá-la, é um mal e muito grave; mas não irremediável, enquanto a autoridade judicial for recta, inteligente, respeitadora da lei e dotada de boas intenções; porque para esta haverá recurso daquela, e na hipótese que supomos o mal será minorado, porque a justiça descarregará os seus golpes, dura e inflexível. Mas, se faltar a justiça, ou se essa for considerada um mal em lugar de um bem a que recorrer, desgraçados cidadãos! …»

Alexandre Herculano, 1860, Análise de uma sentença judicial

Almeidas do regime

«Grandes almas, grandes homens estes que zelam de dia e de noite pelo pântano. Social, económico, político e judicial.

A normalidade e a tranquilidade estão prestes a regressar ao sítio. Depois de uns dias de grande agitação e de muita excitação, as autoridades do costume arregaçaram as mangas, puseram-se ao trabalho e, imagine-se, sacrificando um dia de merecido repouso, vieram dizer aos indígenas que podem ficar descansados, discutir à vontade o destino da selecção nacional e começar a preparar o Natal de todas as compras e hipocrisias.

Tudo bem, portanto. Pelo meio há umas coisinhas sem qualquer importância que o vento do Outono há-de levar para bem longe. Nada de relevante. Afinal, no meio de muita sucata, parece que aconteceram umas conversazinhas pouco edificantes que uns espiões políticos a soldo de uma qualquer força oculta, nacional ou estrangeira, sabe-se lá, puseram a circular para afectar a imagem do sítio e dos seus excelsos governantes. Esses terríveis espiões, que obviamente já têm o seu destino traçado, com um longo e merecido castigo, tiveram até o topete de desconfiar que o senhor presidente relativo do Conselho tinha cometido um atentado contra o Estado de Direito, crime punido até oito anos de cadeia. Almas venenosas, perversas, sem vergonha, que ousaram escutar e emitir certidões em que davam conta das suas suspeições. (...)»


António Ribeiro Ferreira
in CORREIO DA MANHÃ, 16.11.2009

IMI: reunião extraordinária da CME, às 14:15

A Câmara de Évora realiza hoje uma reunião extraordinária, para definir as novas taxas do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI).
PS, CDU, e PSD não se entenderam na passada semana, tendo sido chumbadas todas as propostas que foram apresentadas. O Presidente da Câmara de Évora espera que hoje se chegue a um consenso. Para tal o executivo vai apresentar uma nova proposta.
Uma proposta que vai ser analisada pelos vereadores da CDU, diz Eduardo Luciano. Já o PSD afirma que a sua proposta é a mais adequada e nada justifica a sua mudança.

in
DIANAFM, 16.11.2009

Ficaremos pelos simulacros de guerra à corrupção... para que tudo fique na mesma

Meus caros, não vale a pena atirar pedras uns aos outros, porque TODOS temos telhados de vidro. O país caiu no abismo da corrupção porque o atirámos para lá, sendo como somos. Não deitemos as culpas a mais ninguém! Quantos dos que aqui vêm armados em impolutos, nunca meteram uma cunha, fizeram um pedido, tentaram enganar o fisco, não pagaram uma multa, lixaram um colega de trabalho, fizeram um jeito ao chefe ou outra "coisinha" do género? Pois é, isto é a génese da corrupção que está dentro de nós e que achamos que é apenas esperteza de quem sabe viver, nada de grave... Esta é a mentalidade do Zé-povinho, desde há muito habituado ao desenrascanço para se safar e que por isso pouco se rala com a grande corrupção e até lamenta não ter oportunidade de a praticar. Nós, portugueses, por razões histórico-culturais somos intrinsecamente corruptos, isso está entranhado no nosso ser desde há muitas gerações. Portanto, não nos armemos em virgens ofendidas. Comecemos por reconhecer o que somos e quando tivermos consciência disso e do que tal comporta de prejuízo para os outros e para o país, então estaremos em condições de enfrentar a corrupção. Claro que isto é lirismo, já não acredito que cheguemos a esse estádio de consciência pública e cívica, portanto, ficaremos sempre pelos simulacros de guerra à corrupção mais evidente... para que tudo fique na mesma.

Manel
16 Novembro, 2009 09:38

15 Novembro 2009

Que País e que valores estamos a deixar aos nossos filhos?!

Vi, não há muito tempo, uma reportagem sobre o sistema político na Noruega e, de entre todas as coisas positivas que retirei deste sistema, houve uma que me marcou e que invejei (e não sou pessoa de invejas): os noruegueses entrevistados acreditam nos seus políticos, acham que são sérios, que respeitam o seu país e as pessoas que neles votam!
Que inveja! Por cá a coisa é o oposto, mas o mais grave é que me parece depois de todos estes escândalos que como diz o ditado “não é um são todos”.
Que raio de povo é este que deixa isto chegar a este ponto, onde os políticos nos enganam, enganam o Estado, passam por cima de tudo e de todos e ninguém, nem sequer as oposições fazem questão de se levantar e terminar com esta bandalheira!
Em que país e que valores estamos a deixar aos nossos filhos!
Que impunidade é esta que se propaga como se de uma doença viral se tratasse! E o pior é que não existe vacina à vista!

15 Novembro, 2009 11:55

Um pântano do tamanho do país

Cabeças perdidas

«A questão não é nova. Dura há anos e tem marcado a vida do PS nesta primeira década do século XXI. Começou com o processo Casa Pia, em que os dirigentes do PS, antigos e actuais, mostraram uma total falta de respeito pelas instituições e revelaram uma enorme falta de sentido de Estado. Foi a época das conspirações, das urdiduras e das cabalas montadas sabe-se lá por quem, mas em que os agentes judiciais estiveram sempre na linha de fogo dos socialistas.

Veio mais tarde o caso Freeport e voltaram as campanhas negras e os ódios concentrados na Comunicação Social. Agora, está aí a ‘Face Oculta’, um caso de corrupção em que estão envolvidas diversas empresas estatais ou participadas pelo Estado. E, claro, muitos dos arguidos são gradas figuras do PS, como Armando Vara, amigo de José Sócrates. E quando a Justiça começa a descobrir actuações suspeitas do próprio primeiro-ministro, reveladas em escutas telefónicas autorizadas por um juiz, começa de novo o desvario socialista. Desta vez não são conspirações ou campanhas negras. Desta feita o PS foi mais longe e acusa inspectores da PJ e procuradores do Ministério Público de espionagem política. É caso para dizer que o PS está de cabeça perdida e a passar todas as marcas. E revela, mais uma vez, uma enorme falta de sentido de Estado.»


António Ribeiro Ferreira

in CORREIO DA MANHÃ, 15.11.2009

Se isto não é uma cleptocracia, então o que é?

A falácia monstruosa que o Primeiro-ministro, e os seus fiéis "cães de guarda", estão a passar ao país nas notícias e comentários, é que:

  • este primeiro-ministro tem direito à vida privada e pode falar com os amigos, independentemente dos assuntos das conversas;
  • este primeiro-ministro está isento de escutas, portanto, tudo o que ele disser ao telefone, está acima da lei;

Assim sendo, pergunta-se:

  1. Pode o primeiro-ministro partilhar, o segredo e o interesse do estado, "com um amigo", em "privado", e ao abrigo de escutas?
    1.1 - ainda por cima, quando o amigo é parte interessada no negócio?
    1.2 - ainda por cima, quando o amigo deu provas repetidas de que não é pessoa de bem?
    1.3 - ainda por cima, quando o teor das conversas mostra claramente o tráfico de influencias e a partilha de informação de Estado?
  2. Se o teor das conversas gravadas, revelar tráfico de influências e de segredos de Estado, corrupção, qualquer outro crime comum, ou contra o Estado português, não podem o Supremo Tribunal ou o Presidente da República intervir?
  3. Se, por acidente, o Primeiro-ministro de Portugal se revelar desleixado e criminoso, os tribunais têm que anular as provas, e os portugueses têm que o aturar e aceitar tal como é?
    3.1 - A idoneidade e honestidade dos políticos que exercem cargos públicos não devia ser medida por bitola muito mais exigente do que a que se aplica, por exemplo, a um ladrão de banco?
    3.2 - O Primeiro-ministro não jurou, pela "honra" dele, defender o Estado Português, no respeito pela constituição e pela lei vigente?

...

Recordando:
Quando o Santana Lopes foi demitido por Jorge Sampaio, foi logo a seguir apanhado numa escuta, onde lhe perguntavam se tencionava voltar a ocupar lugar na assembleia, tendo ele respondido que sim, mas só por causa da "imunidade parlamentar".
De facto, como se vê, as figuras cimeiras dos partidos que formam governo, estão-se nas tintas para o país. Eles querem o poder para se governarem, com imunidade parlamentar, e... sem escutas telefónicas.

Se isto não é uma cleptocracia, então o que é?

13 Novembro, 2009 15:14

14 Novembro 2009

Informação relativa à Reunião CME de 11 de Novembro

IMI obriga a reunião extraordinária na Câmara Municipal de Évora, já na próxima segunda feira.
A derrama foi outro dos assuntos "quentes" da última sessão pública da Câmara de Évora, ocorrida a 11 de Novembro de 2009.

A derrama é um imposto local lançado anualmente pelos municípios, sobre a colecta de IRC. Cada uma das três diferentes forças políticas apresentou uma proposta diferente:

- O PS defendeu a aplicação de 1,5% para empresas com volume de negócios superior a 150.000 Euros, e de 1% para todas as restantes – taxas máximas previstas na lei,

- Já o PSD propôs 1% para empresas com volume de negócios acima dos 150.000, Euros e 0,1% para as demais,

- Por seu lado, a CDU pronunciou-se por uma taxa de 1% para empresas com resultados superiores a 150.000 Euros e 0,5% para as outras.

A discussão centrou-se sobre a necessidade de estimular o tecido empresarial local, com particular atenção às empresas com níveis de facturação mais baixos, mas sem descurar a importância desta receita para o equilíbrio financeiro do município.

A proposta da CDU levou o Presidente da Câmara de Évora a uma ponderação dos valores, tendo sido possível chegar a uma taxa de 1,3 % para as empresas com facturação superior a 150.000 Euros e 0,5% para as que apresentam valores inferiores a esse referencial. "Os vereadores eleitos pela CDU consideraram que foi assim possível defender o interesse municipal, não abolindo de uma forma irresponsável uma parte significativa desta receita, e garantir, simultaneamente, de uma forma séria, o incentivo ao tecido empresarial do concelho, num momento de crise económica particularmente grave.

Um outro imposto, o IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis (rústicos, urbanos e mistos) – esteve também em debate na mesma reunião pública.

E também neste caso cada força política avançou a sua proposta. O pressuposto defendido por José Ernesto de Oliveira e pelos vereadores do PS, de que os prédios situados no Centro Histórico de Évora não estão isentos de IMI, foi o centro da discordância, tendo por isso a proposta apresentada recebido os votos contra de toda a oposição. A prática das Câmaras do Porto, de Guimarães, de Óbidos e de Sintra, de acordo com a lei vigente, coincide com o entendimento dos vereadores da CDU na Câmara de Évora, que defendem a isenção deste imposto na área do CHE, classificado Património Mundial.

Para além deste ponto divergente, os vereadores da CDU não aceitaram a aplicação das taxas máximas previstas, para as restantes freguesias do Concelho, como defendeu o PS.

Por seu lado, o PSD para além de propor as taxas máximas, deixa ao critério da interpretação jurídica do Presidente da Câmara, a isenção do IMI no CHE. O resultado que obteve foram os votos contra do PS e a abstenção da CDU.

Como cada representação política votou favoravelmente apenas a sua própria proposta, o Presidente do Município remeteu o assunto para uma reunião extraordinária que terá lugar na próxima segunda feira, 16 de Novembro, pelas 14h.

No final desta sessão pública os eleitos pela CDU consideraram ter assegurado uma atitude construtiva, a par de uma defesa das opções que entenderam mais justas e identificadas com o interesse das populações.

Já o Presidente desta autarquia se mostrou contrariado, falando de "coligação negativa" nos casos em que a contagem de votos não lhe foi favorável.

Os Vereadores da CDU

Informação n.º1/2009
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A cabeça do polvo

O sistema judicial português enfrenta o imenso desafio de não deixar que o Face Oculta se torne numa segunda Casa Pia. Até aqui o processo tem tido um avanço modelar. Não houve interferências políticas. Lopes da Mota não veio de Bruxelas discutir com os seus pares metodologias de arquivamento e, no que foi uma excelente janela de oportunidade de afirmação de independência, não havia sequer Ministro da Justiça na altura em que o País soube da enormidade do que se estava a passar no mundo da sucata.

Mas, há ainda um perturbante sinal de identidade com a Casa Pia. É que o único detido, até aqui, é o equivalente ao Bibi e Manuel Godinho, o sucateiro, no mundo da alta finança política não pode ser muito mais do que Carlos Silvino foi no mundo da pedofilia. Ambos serviram amos exigentes, impiedosos e conhecedores que tentaram, e tentam, manter a face oculta.

É preciso ter em mente que as empresas públicas são organizações complexas. Foram concebidas para ser complicadas. Com os tempos foram-se tornando cada vez mais sinuosas. Nas EPs, as tecnoestruturas, que Kenneth Galbraith identificou e descreveu como o cancro das grandes organizações, ocupam tudo e têm-se multiplicado, imunes a qualquer conceito de racionalidade democrática, num universo onde não conta o bom senso ou a lógica de produtividade. Parecem ter um único fim: servirem-se a si próprias.

Realmente já não são fiscalizáveis. Nas zonas onde era possível algum controlo foram-se inventando compartimentos labirínticos para o neutralizar, com centros de custos onde se lançam verbas no pretexto teórico de elaborar contabilidades analíticas, mas cujo efeito prático é tornar impenetráveis os circuitos por onde se esvai o dinheiro público. Há sempre mais um campo a preencher em formulários reinventados constantemente onde as rubricas de gente que de facto é inimputável são necessárias para manter os monstros a funcionar. Sem controlo eficaz, nas empresas públicas é possível roubar tudo. Uma resma de papel A4, uma caneta BIC, um milhão de Euros, uma auto-estrada ou uma ponte. Tudo isto já foi feito. Por isso mais de metade do produto do trabalho dos portugueses está a fugir por esse mundo soturno que muito poucos dominam. Por causa disso, grande parte do património nacional é já propriedade dos conglomerados político-financeiros que hoje controlam o País.

Por tudo isto é inconcebível que Manuel Godinho tenha sido o cérebro do polvo que durante anos esteve infiltrado nas maiores empresas do Estado. Ele nunca teria conhecimentos técnicos para o conseguir ser.

Houve quem o mandasse fazer o que fez. Godinho saberá subornar com de sacos de cimento um Guarda-republicano corrupto ou disfarçar com lixo fedorento resíduos ferrosos roubados (pags 8241 e 8244 do despacho judicial). Saberá roubar fio de cobre e carris de caminho de ferro. Mas Godinho não é mais do que um executor empenhado e bem pago de uma quadrilha de altos executivos, conhecedores do sistema e das suas vulnerabilidades, que mandou nele.

É preciso ir aos responsáveis pelas empresas públicas e aos ministérios que as tutelam. Nas finanças públicas, Manuel Godinho não é mais do que um Carlos Silvino da sucata. Se se deixar instalar a ideia de que ele é o centro de toda a culpa e que morto este bicho está morta esta peçonha, as faces continuarão ocultas. E a verdade também.


Mário Crespo
in Jornal de Notícias, 09.11.2009

Avolumam-se as suspeitas

200 MILHÕES?!...

(Semanário Privado, 23.09.2009)

Em 23 de Setembro mencionámos aqui, uma notícia do Semanário Privado, que denunciava ligações perigosas entre Sócrates, Vara e o 'amigo Joaquim'. Agora, que as escutas do caso Face Oculta vieram dar relevo a esta venerável trindade, talvez valha a pena lembrar que a notícia está disponível AQUI. Quem sabe se não foi este 'negócio' um dos temas das conversas entre o primeiro-ministro e o ‘vice’ do BCP, onde se destacava a necessidade de encontrar uma solução para o ‘amigo Joaquim’?

13 Novembro 2009

Um insulto à inteligência dos portugueses

«Sócrates reitera que não conhecia “oficialmente” o negócio PT/TVI». Uma coisa são “conversas com pessoas amigas”, que são “privadas” e “outra coisa é um primeiro-ministro ter conhecimento oficial ou prévio” de determinado assunto, disse José Sócrates aos jornalistas.

Recorde-se que, quando questionado sobre o negócio da compra da TVI pela PT, o primeiro-ministro afirmou na Assembleia da República, no dia 24 de Junho, 'não sei nada disso, isso, são negócios privados e o Estado não se mete neles'. Ora de acordo com o semanário SOL, as conversas entre José Sócrates e Armando Vara, em Março, já abordavam o tema.


(EXPRESSO, 27 de Junho 2009)

Recorde-se ainda que o EXPRESSO, no passado mês de Junho, já tinha dado a notícia, nunca desmentida, de que o «Governo acompanhou todo o processo de venda de parte da Media Capital pelos espanhóis da Prisa. Desde Janeiro que a hipótese da PT entrar na empresa era defendida pelo Executivo de Sócrates (...). Sócrates e Zapatero estiveram sempre a par (...)

Perante estes dados, a gravidade da conduta de Sócrates é óbvia. Estamos perante um primeiro-ministro, que mentiu deliberadamente ao órgão fiscalizador do Governo: a Assembleia da República. A confirmarem-se as notícias, a conduta de Sócrates é razão suficiente para justificar uma acção adequada por parte deste órgão e do próprio Presidente da República. Vejamos como reagem.

E agora José?...

(SOL, 13.11.2009)

Cronologia de um golpe

Acto I. Estamos a 3 de Outubro de 2004 e José Sócrates é eleito líder do PS. A 9 de Outubro, Armando Vara regressa à direcção do partido pela mão de Sócrates. A 20 de Fevereiro de 2005, o PS vence as legislativas com maioria absoluta. A 2 de Agosto de 2005, há mudanças na Caixa Geral de Depósitos: Teixeira dos Santos afasta Vítor Martins e Vara integra o "novo" conselho de administração. A maioria dos membros desse conselho é afecta ao PS.

Avancemos no tempo. Grande plano. No primeiro semestre de 2007, a Caixa financia accionistas hostis ao conselho de administração em funções no BCP. Cresce o peso do banco do Estado no maior banco privado português. Vara e Santos Ferreira são incluídos em lista concorrente nas eleições para o conselho executivo. Os jornais falam no financiamento da Caixa ao empresário Manuel Fino que apoia Santos Ferreira.

A 15 de Janeiro de 2008, Armando Vara é eleito vice-presidente do BCP. Segundo documento divulgado pelo próprio banco, ficam a seu cargo as competências executivas mais relevantes. Armando Vara coloca-se precisamente no coração dos movimentos de créditos, dívidas, compras e vendas de acções e activos. No centro do fluxo de todos os interesses e influências.

Chegados aqui, com os actores certos nos papéis certos nas duas maiores instituições de crédito nacionais (CGD e BCP), tudo se torna possível. O primeiro golpe foi concluído. Começou então o segundo.

Acto 2. Com as possibilidades que o controlo do BCP oferece, o recém-chegado grupo Ongoing, que entretanto adquirira o Diário Económico e já tinha uma posição no grupo Impresa (SIC, Expresso, etc.), é financiado para novas acções. Com o grupo Ongoing: José Eduardo Moniz sai da TVI e controla-se a Media Capital, depois de uma tentativa de aquisição pela PT abortada pelo Presidente e pela oposição. Em Fevereiro de 2009 torna-se possível ajudar o empresário Manuel Fino a aliviar os problemas financeiros (em parte criados pelo reforço da posição no BCP) junto da CGD prestando uma dação em pagamento com acções suas valorizadas cerca de 25 por cento acima do preço de cotação e com opção de recompra a seu favor. Torna-se também possível ajudar o "amigo Oliveira" a resolver os problemas financeiros do seu grupo de media (Diário de Notícias, TSF, Jornal de Notícias).

Tudo factos do domínio público que muitos a seu tempo denunciaram. Sócrates respondia com a cassete familiar: "quem tem procurado debilitar os órgãos de supervisão, lançando críticas à sua actuação no BCP, está a fazer "política baixa"".

Política baixa, diz ele. Estamos perto do fim desta operação bem montada. Sócrates ganhou de novo as eleições. Mas este encadeamento todo precisava de confirmação. Incrivelmente, nas escutas a Armando Vara no caso Face Oculta, eis que surge a arma do "crime" libertando fumo: "O primeiro-ministro e o "vice" do BCP falaram sobre as dívidas do empresário Joaquim Oliveira, da Global Notícias, bem como sobre a necessidade de encontrar uma solução para o "amigo Joaquim". Uma das soluções abordadas foi a eventual entrada da Ongoing, do empresário Nuno Vasconcellos, no capital do grupo. Para as autoridades, estas conversas poderiam configurar o crime de tráfico de influências". (Correio da Manhã, 7 de Novembro).

Escutas nulas, disse o Supremo. Os factos, meus amigos, é que não são.

Jurista
Pedro Lomba
in PÚBLICO, 12.11.2009

12 Novembro 2009

FOXP2

Os seres humanos e os chimpanzés são, como é do conhecimento geral, extraordinariamente parecidos. Geneticamente falando é claro. Por muito parecidos que sejamos (uns mais que outros) há pelo menos um pequeno detalhe que nos distingue. A capacidade de falar.

Segundo os resultados de um estudo publicado hoje na revista Nature essa capacidade que nos separa deve-se às alterações sofridas por um simples gene identificado como FOXP2. Sem entrarmos em pormenores, aquilo que tantas vezes nos simplifica a vida e outras tantas a complica, o podermos comunicar através da fala, parece dever-se a uma alteração na proteína FOXP2.

Por esta altura já se perguntaram se não terei batido com a cabeça nalgum sítio menos próprio, com a óbvia consequência de me deixar o discurso neste estado. Ontem, em reunião pública de Câmara, aconteceu algo que, se não é inédito, é pelo menos muito raro. Foram apresentadas três propostas de taxas de IMI para o próximo ano e como nenhuma das forças políticas votou favoravelmente outra proposta que não a sua, foram as três rejeitadas pelo órgão Câmara Municipal.

Pela parte que nos toca votámos contra a proposta apresentada pelo PS, por partir do pressuposto que a isenção do IMI, no território classificado como património mundial, é uma benesse que resulta da decisão municipal, contrariamente ao nosso entendimento (nosso e dos municípios do Porto, Guimarães, Óbidos e Sintra) que essa isenção resulta da lei e apenas depende do requerimento dos proprietários dos imóveis que estão nesses territórios. Para além disso a nossa proposta continha taxas mais reduzidas que as apresentadas na proposta do Presidente da Câmara.

Abstivemo-nos na proposta do PSD, por coincidir com a proposta do PS no que toca às taxas apresentadas.

Discussão brava, com o Presidente da Câmara a acusar as outras forças políticas de coligação negativa para prejudicar o interesse municipal, naquela linha de argumentação já conhecida e que contém sempre uma ameaça velada: se isto continuar assim tomarei medidas e que cada um assuma as suas consequências. Não se tendo chegado a nenhum entendimento, a decisão ficou adiada para uma reunião de câmara, extraordinária, a realizar na próxima segunda-feira.

E é aqui que entra o tal gene FOXP2 que, nos seres humanos, se afastou da versão “ancestral” dos chimpanzés, o que nos transforma em seres falantes. Aquilo que quem nos elegeu espera é, no mínimo, que consigamos falar e ouvir em situações onde as posições de partida sejam divergentes.

Sendo certo que a maioria dos vereadores entende que a isenção do IMI no Centro Histórico resulta da lei, será que o tal gene que em nós evoluiu de forma diferente dos chimpanzés não é capaz de fazer o resto? Vai ter que ser. Porque se tal não acontecer são os munícipes os primeiros prejudicados com essa nossa proximidade aos chimpanzés.


Eduardo Luciano
in DIANAFM, 12.11.2009

Aguardam-se esclarecimentos do senhor primeiro-ministro

«Há um facto iniludível: Existem certidões sobre escutas que envolvem o primeiro-ministro e o que está em comentário na opinião pública e a ganhar consistência é que estas se referem à intromissão do Governo numa área tão sensível como a liberdade de informação na área da comunicação social»,

«Aqui chegados, é grave, é muito grave que subsistam dúvidas. E as dúvidas políticas não se dissipam adiando investigações ou destruindo hipotéticas provas. Isso só resolve o problema jurídico, mas deixa em aberto um enorme problema político. As dúvidas dissipam-se esclarecendo os factos e esse esclarecimento cabe, sem sombra de dúvidas, ao senhor primeiro-ministro»,

«Estou certa de que o senhor primeiro-ministro tem consciência da necessidade de esclarecer o país, em nome da confiança que se exige aos responsáveis políticos. É aquilo que cada um de nós faria neste caso»

Disse Manuela Ferreira Leite.

11 Novembro 2009

Justiça de castas

«O Procurador-geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça envolveram-se ontem numa guerra ridícula sobre a autoria e divulgação do despacho de anulação das escutas a Sócrates no processo ‘Face Oculta’.

Um e outro estão a mostrar uma justiça inaceitável: opaca, de casta, alinhada com o poder, seja ele qual for, trituradora para os que a servem, já não só na base mas nos escalões intermédios das carreiras, e que não têm qualquer protecção que não seja a que decorre de uma lei cada vez mais moldável pela jurisprudência das altas esferas. Um como outro funcionaram no alinhamento clássico da protecção inter-pares. Se o PGR quisesse teria resolvido de imediato o problema da eventual nulidade da primeira escuta, em que o alvo é Vara e não Sócrates. Bastava que no dia em que foi informado da questão – "entre Maio e Junho", como disse – tivesse contactado o STJ e solicitado a intervenção no sentido de autorizar ou não a investigação ao primeiro-ministro.

Optaram pelo contrário – deixaram inequivocamente arrastar a questão, prejudicando todos, da investigação aos próprios visados. Ficamos assim a saber que há limites à investigação criminal que poderão decorrer mais da vontade imperial do que da lei, docilmente interpretada ao mais alto nível.»

Eduardo Dâmaso
in Correio da Manhã, 11.09.2009

Haverá uns mais iguais que outros?

«Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei» [Art.º 13, nº 1, da Constituição da República Portuguesa]

TGV? Só em Portugal

Já nem a SNCF, a CP francesa, quer mais o TGV. Em Julho alterou a última e antiga encomenda da linha para Nice. No mais, cancelou o TGV, optou por 60 composições tipo light-fast-train, que chega aos 160km/h, e, o que é o mais importante, acelera e trava com rapidez.

O que importa numa viagem não é a velocidade máxima mas sim a média. Esta é ditada pela aceleração e pela travagem, pelo número de vezes que o comboio pára e pelas curvas.

A meta não é transportar 220 pessoas de um ponto a outro, o que o avião faz até por menos dinheiro. O objectivo é interligar os recursos de um país, espalhados pelas riquezas naturais e humanas das cidades situadas ao longo da via. É para potenciar estes recursos que se fazem obras púbicas.

Em Espanha, o cidadão que não usa a RAVE paga 1,1 mil milhões em subsídios para manter as linhas. A Inglaterra cancelou os planos do TGV entre Londres e Manchester. A própria Alstom já testou o AGV, similar ao Alfa, substituto do TGV. Desde 1998 o TGV tenta entrar na Austrália e não consegue. O mesmo na Suécia, Argentina, Brasil, EUA.

Por que não adoptar o que todos os países estão a fazer ferrovias mistas e Light-Alfa, que chega aos 250 km/h, pendular, mais baixo e moderno para passageiros; e carga em carruagens leves em high-strength-steel, nos horários entre os rápidos de passageiros e durante a noite. Se houver algum troço de linha com muitos comboios simultâneos, considerar a terceira via, como já se faz, por exemplo, na Suécia, por uns cinco quilómetros antes e após as grandes estações, para que os rápidos lá possam disparar, enquanto os lentos aceleram ou travam nos carris tradicionais. O moderno sistema de sinalização já o permite.

Querem meter goela abaixo o velho TGV em Portugal? É este o preço por termos um português na UE? Ler mais detalhes no livro "Como Sair da Crise".

Jack Soifer
in OJE – o Jornal Económico, 27.10.09

Carta aberta ao primeiro-ministro José Sócrates

Excelentíssimo senhor primeiro-ministro:

Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telenovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS: "Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão." O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.

Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a “Face Oculta”, essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.

Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do Pais. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também.

Atentamente,
João Miguel Tavares
in Diário de Notícias, 10.11.2009

10 Novembro 2009

Música no Celeiros
11, Quarta | 24h00 | S. Martinho Underground


Por ocasião dos festejos de S. Martinho vem ao Celeiros a energia contagiante de um acordeão e uma bateria. Gurzuf trazem animação que vai dos Tango à Música dos Balcãs.

Perceberam, agora, ou é preciso mais desenhos?

«Pronto, já sabemos o que o STJ acha desta coisa estranha de um primeiro-ministro ter sido apanhado em escutas telefónicas em conversas com um amigo de alto coturno: não valem porque não foram autorizadas pelo STJ.
E como é que o STJ autoriza uma escuta se não tiver indícios suficientes para tal? Não autoriza, porque não é válido que outros lhe levem os indícios cuja recolha só o STJ poderia fazer. E como é que o STJ poderia investigar um PM se não houver indícios suficientes, cuja recolha só pode ser autorizada pelo STJ?

A isso, meus amigos, a resposta está no vento. No CPP que temos e que resultou da reforma de Rui Pereira, de 2007. Percebem agora, ou é preciso mais desenhos?»

José, Porta da Loja

Pronto, já perceberam agora para que serviu a brilhante reforma PS do processo penal?
10 Novembro, 2009 15:05

Farwest Coast of Europe

Imagem retirada DAQUI

Na West Coast of Europe nada de novo...

«O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decreta nulas escutas entre Sócrates e Vara». Segundo apurou o Expresso, a decisão do Supremo Tribunal de Justiça, presidido por Noronha do Nascimento, baseia-se no facto de as escutas envolvendo o primeiro-ministro terem de ser previamente validadas por um tribunal superior.

Haja fé em Deus, e na Senhora de Fátima...

Já temos Empresários com Ética,
E Corruptos, com Código de Conduta.
Só falta exigir aos Portugueses,
Mais Fé em Deus, e na Senhora de Fátima.

10 Novembro, 2009 09:20

Não somos parvos e começamos a estar fartos de fingir que somos...

Essa do Código de Conduta para corruptos parece anedota, mas não é. Até as máfias os têm, lembrem-se. Infelizmente, não é anedota porque a proposta emana precisamente do pântano (de que o outro fugiu) em que se legisla em Portugal, onde há muita gente que, se não é corrupta, anda lá perto, tem um familiar que é, um amigo a quem deve favores e não pode ser "prejudicado", etc.. É o descrédito absoluto das instituições, desde logo do Governo, da Assembleia da República e da Justiça.
Por que raio há tanta relutância política em discutir a proposta anti-corrupção de João Cravinho, por exemplo? Ou de aprofundar a investigação acerca da verdadeira origem das acusações de pedofilia feitas aos incómodos Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso? Ou indagar o que queria Guterres dizer quando se referiu ao "pântano"? Ou ainda porque se acudiu tão apressadamente ao escândalo do BPN?
Pois, pois, não somos todos parvos e começamos a estar fartos de fingir que somos...


09 Novembro, 2009 15:13

FACE OCULTA

=
bi - GODINHO


Platero
(h)ortografias

Os MEUS HERÓIS precisam que não lhes faltemos com o apoio…

Se pensarmos bem, creio que ninguém terá dúvidas que o maior problema do país não é a crise do Sporting nem o défice ou o desemprego, é a CORRUPÇÃO! Banqueiros, empresários, políticos, ex-políticos e dirigentes desportivos andam na grande corrupção; a arraia-miúda polifórmica de serviços e repartições, anda na pequena. Ou seja: até nesta matéria há divisão de classes. O que não resta dúvida nenhuma é que o "mar" português está cheio de polvos, grandes, pequenos e assim-assim. Muitos, demasiados.
Uma significativa parte dos portugueses acham que isso é modo de vida aceitável, logo, socialmente pouco condenável. Chegámos a isto, ou melhor, descemos a este nível. Como? Porquê? Podiam escrever-se tratados para responder a estas questões... Mas, a mim interessa-me apenas a constatação do facto: a CORRUPÇÃO existe em grande escala no nosso país.
Outra coisa que me interessa salientar ainda mais: nem todos pactuamos com ela e há quem – correndo elevados riscos – a ponha a nu e, contra toda a espécie de obstáculos (em que o mau funcionamento da justiça não é o menor), porfie por identificar e levar os criminosos a julgamento. São os meus heróis e a minha esperança de que talvez não esteja tudo perdido! Precisam é que nós, cidadãos honestos e indignados, não lhes faltemos com o apoio e – porque não? - criemos organizações cívicas fortes na denúncia, na exigência de julgamento e na punição exemplar dos corruptos!


09 Novembro, 2009 15:02

Incentivos Fiscais: Informação Útil

No impresso do IRS surgiu um campo novo... preparem-se...
Quando preencherem o impresso do IRS irão verificar a existência de um campo novo no Anexo H, campo dados dos imóveis, sobre a certificação energética. Há que responder se o imóvel tem, ou não, classificação "A+" ou "A". Obviamente que a maioria não tem certificação, logo o campo a preencher é o NÃO. Dizem os funcionários das Finanças que este campo não terá penalização no valor a ser reembolsado! Mas...

Façam a v/ simulação com o Sim e com o Não e verão que o valor a ser reembolsado será diferente, num e noutro caso: logo seremos penalizados!!! (mais ou menos entre 50€ a 100€ a menos).
Se não tivermos a certificação seremos penalizados, daqui em diante, todos os anos.
Se a pedirmos, gastamos ±200€ num ano, mas fica válida por vários anos (15 anos), Mas, só vale a pena pedir certificação se obtivermos a classificação "A" ou "A+". Se o certificado indicar a classificação B... já haverá penalização Fiscal!!!!!!

Contactei a DECO que confirmou a legalidade da situação embora concordasse que a informação explícita e da comunicação social fosse nula.... Porque será?
O site www.certificacaoenergetica.com elucidar-vos-á sobre este assunto, uma vez que esta lei já existe desde 2006.... Os imóveis de luxo, construídos em 2007, eram os poucos ou únicos que tinham esta certificação...

Para este ano já não vamos a tempo de pedir a certificação, mas mesmo que tenhamos certificação só não somos penalizados no IRS se a certificação for "A" ou "A+". Se for abaixo desta classificação seremos sempre penalizados...
Quem está a construir casa, peça a v/certificação ao construtor. O Construtor já é obrigado a dar a certificação...

Nas casas novas caso não tenham pré-instalação de painéis solares e/ou soluções ecológicas terão agravamento do IMI, serão consideradas casas "Não Verdes", e serão logo penalizadas na contribuição. Para alterar o sistema, haverá que instalar PAINEIS SOLARES, em V/ Casa, uns para gerar água quente, outros para gerar electricidade. Até Julho/Agosto a CGD financia a instalação e montagem dos painéis solares, oferendo a Direcção Geral de Energia 50% do valor da instalação.

NOTA: Todavia, (e aí tenham atenção) o Estado só financia as instalações efectuadas por DUAS ÚNICAS empresas ( que, por acaso, são da Mota-Engil, cujo CEO é o Dr. Jorge Coelho), pois parece serem as que melhor qualidade de serviço prestam...

09 Novembro, 2009 21:13

09 Novembro 2009

“O Padrinho”

O Bartoon de Luís Afonso,
in PÚBLICO, 09.11.2009

CÓDIGO DE CONDUTA

converter corruptos
a partir de um código
de conduta

é o mesmo
que distribuir catecismos
a velhas
prostitutas


Platero
(h)ortografias

O país subterrâneo

«Casa Pia, "Furacão", sobreiros, submarinos, BPP, BPN, Freeport, "Face Oculta"…. Os portugueses vão-se apercebendo, aos poucos, da podridão escondida sob as vistosas roupagens modernaças do regime e entendendo o sentido dos entraves de toda a ordem que, da parte dos partidos do chamado "arco da governação", sempre se intrometem entre as promessas de combate à corrupção e a sua efectivação.

Entretanto, uma nova classe de empresários, políticos e ex-políticos vindos do nada instalou-se no país, ascendendo social e economicamente a velocidades nunca vistas e dificilmente explicáveis à luz dos critérios usuais do enriquecimento dentro da lei.

Há hoje dois países e duas economias, o país e a economia visíveis e aqueles de que só se ouve falar a espaços, quando alguma investigação criminal os traz episodicamente à luz do dia, e que rapidamente desaparecem de novo na obscuridade pelas portas travessas de uma Justiça que só funciona eficazmente para o cidadão comum.

A tentação de se desembaraçar de escrúpulos morais e emigrar para esse país subterrâneo é grande. Aí a vida é fácil, é barata e dá milhões.»

Manuel António Pina
in Jornal de Notícias, 09.11.2009

Um Código de Conduta, para Corruptos?!...

Primeiro espantamo-nos com os crimes flagrantes, de roubalheira do Estado, de todas as formas e feitios, incluindo nos impostos.

Depois descobre-se a colaboração dos serviços públicos, ao mais alto nível de decisão, pelas cabeças que "mereceram" a confiança e nomeação política, incluindo o Chefe das finanças de Aveiro, ou lá onde é que o sucateiro declarava.

Depois, conhecemos os pormenores, aparecem os procedimentos omissos, ou aldrabados e "simplificados", transformados em "simplex", cretino, chico-esperto, e criminoso.

Depois, são as dificuldades da polícia em validar as provas flagrantes, que a lei vigente permite desqualificar e anular, por meros formalismos, quase impossíveis de cumprir, e que qualquer advogado da defesa pode esgrimir, para desespero da polícia, dos tribunais, e do cidadão comum.

Como música de fundo, vamos ouvindo a propaganda do poder, veiculada pela comunicação social, sustentada pelos parasitas do estado, a dizer que "lá fora" é igual ou pior.

Ainda o escândalo anterior não foi digerido, nem esquecido, e já aí está outro, fresco e viçoso, a pôr-nos os cabelos em pé.

E, para acabar connosco, o novo governo descobriu que, para combater a corrupção, não é preciso alterar o sigilo bancário nem os offshores. O que é preciso é um Código de Conduta. A modos que, a puxar pela ética e moral dos corruptos.

Como se não bastassem todos os indícios, todos os antecedentes, todos os boicotes, todo o atropelo da lei, todo o envolvimento e comprometimento, só mesmo um partido que não quer acabar com a corrupção, é que se podia sair com uma destas!

Um Código de Conduta, para Corruptos!

Já agora, em apoio da estratégia do Governo, e para que a coisa seja feita com conhecimento de causa, que o Código de Conduta para Corruptos seja coordenado e supervisionado pela sociedade Sócrates, Vara e Felgueiras, com a assessoria dos Tios e Primos do Primeiro Ministro.

08 Novembro, 2009 21:24

A PORTUGAL

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fátua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;

ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não.


Jorge de Senna
(1919-1978)

08 Novembro 2009

O PGR protege a «rede tentacular»?...


Do Público de hoje:
«As nove certidões que o Departamento de Investigação e Acção Penal de Aveiro extraiu do processo de investigação conhecido como Face Oculta estiveram perto de quatro meses na Procuradoria-Geral da República (PGR) sem que o Procurador-geral, Pinto Monteiro, lhes desse um destino.

No rol, incluiu-se uma certidão que envolve o primeiro-ministro, José Sócrates, escutado em conversas telefónicas com Armando Vara, administrador do BCP, que suspendeu o mandato esta semana depois de ter sido constituído arguido no processo. Só depois das buscas realizadas a várias empresas públicas, no passado dia 28, é que Pinto Monteiro decidiu remeter um pedido de informações ao DIAP de Aveiro, solicitando novos dados. Ontem o PÚBLICO tentou, sem sucesso, esclarecer junto da PGR as razões da demora em tomar uma decisão


Ou seja, o PGR decidiu adiar o processo para depois da eleições.
Ou seja, o PGR protegeu a cabeça do polvo nas eleições.
Ou seja, graças ao PGR, o polvo ganhou as eleições.
Ou seja, na posse das "rédeas do poder", e das instituições do Estado, o polvo tem mais quatro anos para lançar nuvens de tinta, para se safar à justiça, para aniquilar as investigações, para perseguir quem lhe fez frente, para alterar mais umas quantas leis, para se perpetuar no poder, impune.
Ou seja, mais uma vez, o PGR protege o polvo.

08 Novembro, 2009 10:08

OS INTOCÁVEIS

O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira – se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.

Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.

O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.

Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

Mário Crespo
in Jornal de Notícias, 02.11.2009

Sonho impossível

Sonhar mais um sonho impossível,
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo, cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se esse chão que eu beijei
for meu leito e perdão
vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Letra de Joe Darion
Música de Mitch Leigh
Versão Chico Buarque e Ruy Guerra
Canta Maria Bethânia

07 Novembro 2009

Música no Celeiros
Hoje, Sábado | 24h00 | Draska | Reggae Unite


Drasta, Kadidia Traoré, Majo Coope e Afonso Castanheira trazem ao Celeiros uma mistura única de música africana e anglo-saxónica. Draska combina instrumentos tradicionais tais como o n'goni, o balafon ou as calebas com linhas vocais polifónicas Inglesas. Segue-se reggae soundsystem pelo mítico Bob Figurante acompanhado pela sua Sista Pat feat, Mr Balu.

Terá Pinto Monteiro coragem para agarrar a oportunidade e ficar na História?...

(DN, 07.11.2009)

Terá Pinto Monteiro força e coragem suficientes para agarrar a oportunidade que lhe caiu em cima da secretária, fazendo a Justiça funcionar e ficando na História de Portugal pelo seu contributo no desmantelamento da “rede tentacular integrada” que mina as relações entre o sub-mundo do poder político, dos negócios, do futebol profissional e dos média?...

As Farpas de Eça de Queirós (1871)

«Aproxima-te um pouco de nós, e vê. O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A práctica da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima abaixo! Toda a vida espiritual, intelectual, parada. O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretárias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguer. A agiotagem explora o lucro. A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O número das escolas só por si é dramático. O professor é um empregado de eleições. A população dos campos, vivendo em casebres ignóbeis, sustentando-se de sardinhas e de vinho, trabalhando para o imposto por meio de uma agricultura decadente, puxa uma vida miserável, sacudida pela penhora; a população ignorante, entorpecida, de toda a vitalidade humana conserva únicamente um egoísmo feroz e uma devoção automática. No entanto a intriga política alastra-se. O país vive numa sonolência enfastiada. Apenas a devoção insciente perturba o silêncio da opinião com padre-nossos maquinais. Não é uma existência, é uma expiação. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido! Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete que de norte a sul, no Estado, na economia, no moral, o país está desorganizado e pede-se conhaque! Assim todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão!»

(Este texto foi originalmente escrito em 1871, mas, caso Eça de Queirós voltasse, podia constatar que nada mudou, e que para cúmulo temos uma Nova Desordem Mundial.)

07 Novembro, 2009 14:55

Conversas sobre amigos, amiguismos e o mais que se verá…

(Correio da Manhã, 07.11.2009)

«O primeiro-ministro e o ‘vice’ do BCP falaram sobre as dívidas do empresário Joaquim Oliveira, da Global Notícias – que detém títulos como o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e a TSF –, bem como sobre a necessidade de encontrar uma solução para o ‘amigo Joaquim’.»

Correio da Manhã, 07.11.2009

PROCURA-SE!...


Receitas para cozinhar polvo cor-de-rosa.
Respostas ao PGR

07 Novembro, 2009 10:26

O POLVO

O Polvo tem oito braços,
Em cada braço, muita ventosa,
E toda esta estrutura,
Tem cabeça, e uma boca.

Tem políticos, tem gestores,
Tem funcionários, primos e amigos,
Tem cabeça, e protecção,
No Governo de Portugal.

Os argumentos são repetidos,
Os castings são sempre os mesmos.
Roubo de milhões ao Estado,
Por associação criminosa, reincidente.
(pagamento em cash, ou offshore)

O Polvo é cor de rosa,
Vive num buraco, do Rato.
Tem sucursais abertas,
Onde o povo, incauto, os deixar entrar.

Tem braços muito compridos,
Que abarcam todo o país.
Espremem, sugam e cagam,
O Futuro de Portugal.

07 Novembro, 2009 12:02

FAZ E OCULTA

intemporal e flagrante
incontornável contraste
:
ao pobre basta o bastante
ao rico não há que baste


Platero
(h)ortografias

06 Novembro 2009

CORRUPÇÃO

Neste país de trapaça
Impera a lei do mais forte
O povo só tem desgraça
Ninguém muda a sua sorte

Os políticos são ladrões
Governantes são iguais
Há um tacho de milhões
Para aquele que rouba mais

Triste mesmo é ver o povo
Andar atrás desta gente
Não vê o que é hoje novo
Fica velho de repente

Há os casos “Portucale”
E o “Freeport” e “Furacão”
E há outros que não vale
A pena fazer menção.

Há agora o “Face Oculta”
Que envolve muito gestor
Mas só vai haver uma multa
Para o seu autor e mentor

E todos estes arguidos
Vão ficar para a história
São todos absolvidos
E ficam a cantar vitória

É assim neste país
De processos honerosos
A justiça nunca quis
Castigar os poderosos

E não fica por aqui
A maldita corrupção
Coisa pior eu não vi
Nos anais desta nação.

antonionunes,11/2009
(recebido por e-mail)

Para quando o apuramento da responsabilidade política?

“Quando se verifica a existência de uma rede tentacular em empresas públicas, que são em última instância responsabilidade dos primeiros responsáveis políticos, ministros e secretários de Estado”, existe “responsabilidade política nos governantes que fizeram as escolhas políticas para a gestão dessas empresas”

“Quando existem casos de corrupção que perturbam o funcionamento dessas empresas de forma sistemática e são estruturais, há responsabilidade política”

José Pacheco Pereira na Assembleia da República.

O PÂNTANO…

(Sol, 06.11.2009)

QUE EM ÉVORA NADA NOS PASSE AO LADO!


Retirado do Diário do Sul de hoje:
"O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pronunciou-se unânimemente contra a obrigatoriedade da presença de símbolos religiosos nas escolas públicas, em resposta a uma queixa de uma italiana que pediu a retirada dos crucifixos das salas de aula de um estabelecimento escolar de ensino público onde os seus filhos estudavam.
O tribunal considerou que "a exibição obrigatória do símbolo de uma determinada confissão em instalações utilizadas pelas autoridades públicas e, especialmente em aulas", restringe os direitos paternos de educarem os seus filhos "em conformidade com as suas convicções".
E adiantou que a exposição do símbolo cristão também limita "o direito das crianças a crerem ou não".

CANTATA PRANTO E LOUVOR
Em memória de Casquinha e Caravela

7 de Novembro (sábado), pelas 22h00
Bibliocafé Intensidez, Évora

Novembro recheado de boa música nos Celeiros
6, Sexta | 24h00 | Virgem Suta

Um pedido de desculpas

Bom dia Srª Dª Habévora,

Sou morador da Urbanização Cruz da Picada. E utilizo este e-mail para lhe pedir se há possibilidade de arrancarem com as obras de requalificação mais cedo. Hoje começaram às 07:30 horas e isso permitiu-me dormir mais que quatro horas. Não pode. Por entre os barulhos dos vizinhos e não vizinhos, já não estou habituado a dormir tanto.

Pode alegar: "ah, vá dormir mais cedo". Bem queria, mas tenho por principio não dormir no posto de trabalho. Manias... Mas arranje-me uma justificação fá-lo-ei.

Repare, não falo por mim. Há mais moradores que partilham da minha opinião. Sei o que deve estar a pensar: "ah, estamos a requalificar aquela nojeira e ainda reclamam!". De facto. Temos lata. Daqui a bocado até queremos respeito, não? Descanse. Utopias não é comigo. Sou do Sporting.

Mas gostaria apenas de pedir que iniciassem as obras só à tarde (lá para as 08.30h, 09.00h) pois gosto de acordar, ir ao supermercado e já lá estar o pão. Espero não estar a pedir muito.

Portanto aqui ficam as minhas desculpas.

Obrigado
Morador

(recebido por e-mail)

foto.grafias | Exposição de Vera Marmelo | SHE-Évora

Para Vera Marmelo a fotografia está intimamente ligada com a música e às pessoas que a fazem. Nos últimos três anos fotografou muita gente, muitos músicos e entre eles muitos dos novos músicos portugueses que (lhe) interessam.

Quando tudo começa sem grandes objectivos, parece que tudo o que vem, vem por bem. Estar presente em concertos, estúdios e ensaios deixou de ser um par de horas com amigos a centenas de fotografias que documentam a música que passa por Lisboa. O reconhecimento que tem surgido nos últimos tempos deve-se em parte ao facto de acompanhar amigos que se destacaram. É que entre os seus amigos estão muitos dos porta-estandartes do novo underground musical português. De Noiserv a Tiago Miranda (Loosers), de Samuel Úria aos Pontos Negros, de Tiago Guillul a Norberto Lobo, todos eles passarão pelo enorme mural que Vera preparou para a SHE.

A inauguração está marcada para 7 de Novembro às 22h e contará com a presença de um amigo de Vera, o cantor e músico de Os Pontos Negros, Jónatas Pires.

05 Novembro 2009

Água, o passo seguinte

Vamos lá começar com uma verdade que o senhor de La Palisse não desdenharia: a água é um bem essencial à vida. Podemos viver sem televisões, sem automóveis, sem telefones, sem mobílias, em casos extremos sem casa e com muito pouco comer, mas não sobreviveremos sem água.

Sendo a água um bem escasso e de consumo garantido a sua comercialização é naturalmente alvo da cobiça de insondáveis interesses privados. De há muito que as políticas assumidas, vão exactamente no sentido de abrir ao sector privado a comercialização deste produto essencial à existência da vida.

No nosso concelho o primeiro passo nesse sentido foi dado com a passagem para as Águas do Centro Alentejo da distribuição em “alta”. Essa opção teve como consequência o aumento significativo do preço da água para os consumidores, e a perda do controlo por parte do município da rede de distribuição em “alta”.

Foi uma primeira etapa de um processo que se previa que culminasse com a alienação total da distribuição da água de consumo privado, para as Águas de Portugal, permitindo aquela empresa controlar toda a distribuição do precioso líquido. E é exactamente isso que se encontra neste momento em cima da mesa, a propósito de uma candidatura ao QREN para a requalificação e expansão de todo o sistema de abastecimento de água e saneamento de águas residuais. Para a instrução dessa candidatura exige-se a assinatura de um protocolo entre seis municípios da nossa região e a empresa Águas de Portugal, através do qual passará para esta empresa a distribuição em “baixa”, afastando definitivamente os municípios da gestão do consumo da água nos seus territórios.

Esta solução que assenta no princípio do utilizador pagador e que aponta para a necessidade do preço a pagar pelo consumidor permitir a recuperação de todos os custos, incluindo a remuneração do capital investido pelos accionistas, terá como consequência quase imediata um aumento brutal do preço da água. Para além disso abrem-se as portas de par em par à sua gestão privada, ao garantir às Águas de Portugal o direito de concessionar o serviço a quem bem entender.

Quando a questão se colocar brevemente em sede de Reunião Pública de Câmara, por proposta da maioria, os actores políticos terão que assumir claramente as suas responsabilidades.

Uns estarão naturalmente contra a assinatura do protocolo, assumindo que a água não pode ser tratada como uma mera mercadoria que possa estar sujeita às regras do mercado, batendo-se pela manutenção da sua distribuição em “baixa” nas mãos do Município, com a inerente possibilidade de controlo dos preços ao consumidor e garantia do acesso a esse bem como um direito humano básico.

Outros preferirão lavar daí as mãos, argumentando com necessidade de garantir a sustentabilidade económica, com a economia de escala, com a possibilidade de investimentos a fundo perdido.

E as populações? Devem ficar alheadas destas decisões? Não devem ter uma palavra a dizer sobre opções políticas que condicionam de forma decisiva a sua qualidade de vida? Utilizando o slogan de um programa municipal… mexa-se.

Eduardo Luciano
in DIANAFM, 05.11.2009

É preciso fazer crescer esta FORÇA

É preciso pôr de lado sectarismos e construirmos um verdadeiro espaço de debate, onde todos aqueles que não se conformam com a situação que se vive na Cidade, possam construir um espaço cada vez mais amplo e abrangente. O resultado eleitoral, em Évora, demonstrou que isso é possível.

Deixemos de lado os sectarismos. HOMENS E MULHERES desta bela cidade, saibamos alargar ainda mais este espaço que, no passado dia 11 de Outubro, esteve à beira de conseguir fazer a MUDANÇA. Só na diferença e pluralidade podemos continuar a fazer crescer esta FORÇA.

04 Novembro, 2009 21:00

O descalabro que reina na cidade...

O Centro Comercial Eborim encerrou no princípio do ano, sendo anunciado, na altura, que entraria de imediato em obras para, durante o ano em curso, receber as novas instalações da PSP. Afinal, tratou-se apenas de propaganda em ano de várias eleições.

O mesmo se passa com as obras paradas no antigo edifício do ex-Hotel Planície, apesar de ter sido anunciado abrir, como Pousada da Juventude, em 2009.

As oposições andam distraídas, ou não têm capacidade para denunciar este descalabro que reina na nossa cidade.

04 Novembro, 2009 20:47

Gostava de saber o que se passa

A urbanização junto à escola das Pites, está parada ou anda a passo de caracol. É uma obra da responsabilidade da autarquia. Gostava de saber o que se passa: se é falta de dinheiro, se é devido ao descalabro que reina na Câmara.

04 Novembro, 2009 20:50

UM ALERTA!
À autarquia e ao IPPAR.


O Convento de São Bento de Cástris está a ser alvo de uma enorme pilhagem. Por todo o lado há portas abertas, telhados levantados, um autêntico massacre.
Pergunto: quem fiscaliza ou dá segurança àquele espaço com grande valor histórico? Ou … há interesse na sua destruição, para ser vendido mais barato, aos amigos do betão?!

ACORDEMMMMMM!
04 Novembro, 2009 17:59

Quem manda no aquário?


Umas pitadas de comida e os peixes do aquário afluem, magnéticos, para o festim. Umas pitadas no canto oposto, e lá vão os bichinhos, a dar a dar.
Com cuidado, porque não podem comer de mais.
Quem é que manda no aquário?
Deus ou o Mercado?

04 Novembro, 2009 07:38

04 Novembro 2009

Lançamento do livro de fotografia de António Gervásio, dedicado à Reforma Agrária

A Reforma Agrária, apesar do passar dos anos, ainda hoje desperta sentimentos contraditórios nos Alentejanos, como não podia deixar de ser. Contudo constituiu um fortíssimo e amplo movimento social que abalou os fundamentos de uma sociedade arcaica que, independentemente dos rumos seguidos posteriormente por cada indivíduo, grupo ou classe, nunca mais seria a mesma. Recordar e estudar esse processo histórico é também um dos objectivos da Associação Povo Alentejano que acaba de constituir-se e que abre as portas da sua sede, em Évora (no antigo Secretariado das Cooperativas, na Rua 5 de Outubro 75), ao lançamento do livro de fotografia de António Gervásio, dedicado à Reforma Agrária, e que terá lugar na próxima 5ª Feira, dia 5 de Novembro, pelas 18 horas.

Associação Povo Alentejano

AS AVENTURAS NUM PORTUGAL CONHECIDO

(i, 04.11.2009)

Parece que tou a ver o filme:

SócratesArmando, sai lá de cena por uns meses, pá. Porque assim estás a dar cabo da cara do PS.
Armando VaraMas pá, e depois?? Como é?
S.Deixas passar uns meses. Nós arranjamos o tacho com a Justiça, ficas ilibado e voltas.
AV.Mas oh, pá! e o dinheirinho que perco.
S.Não seja cretino, pá! Depois metes uma acção contra o Estado. Ganhas uns milhares acima do que ganharias como gestor.
AV.Garantes isso, pá?
S.Garantido, pá!...
AV.Então tá bom, pá. Amanhã vou pedir a suspensão do cargo. Até é bom, tou a precisar de umas feriazitas.
S.Assim é que é, pá! És um socialista de coração.
AV.Sabes bem que pelo partido eu faço tudo. Aliás, das luvas que eu recebo, dou sempre 20 por cento para o partido.
S.Eu sei, pá! Não és o único e nós agradecemos essas dadivazinhas...
AV.Oh, pá. Então até ao meu regresso, que espero seja breve. Arranja maneira de o meu caso passar à frente do da casa pia e dos outros todos.
S.Tá certo, pá! Até outro dia.

FIM da 1ª parte
(A segunda não tarda muito)

04 Novembro, 2009 11:08

Não, não é possível! Ou será?

Jorge de Burgos, monge cego e bibliotecário da obra de Umberto Eco “O Nome da Rosa”, é a sétima vítima de … si próprio. Nesta muito mais que história quase policial Eco atravessa simbolicamente 7 mortes que ocorrem numa abadia da idade média com uma sequência análoga ao profetizado como o fim dos tempo pelas 7 trompetas do Apocalipse. Nesse tempo a apologia do riso supostamente consignada no II livro da Poética de Aristóteles, confundia-se com a liberdade de acesso ao saber e com uma pré-teologia da libertação, do despojamento da riqueza e da separação dos poderes do Estado e da Igreja e opunha-se ao nominalismo sectário e à acção inquisitorial de uma Igreja Faustosa, herdeira da chamada doação de Constantino. O labirinto que esmagava o saber não era apenas nominal, traduzia o enleio da existência real. Em “O Nome da Rosa” estávamos em plena Idade média, tempo de existência fatal e cruel marcado pela acção inquisitorial dessa Igreja de João XXII com origem conceptual na bula Unam Sanctam de Bonifácio VIII. A esse mundo fatal opunha-se o optimismo de Marsílio de Pádua partidário do Imperador Luís II da Baviera na contenda entre este e o papa João XXII.

A dialéctica que opõe fatalismo e optimismo atravessa os tempos e exprime, de um ponto de vista simbólico, a relação entre as forças centrípeta e centrífuga, entre o estabelecido e o desconhecido, entre o medo e a coragem, entre o imobilismo e a dinâmica.

No mundo de hoje a reprodução dos medos faz-se à velocidade vertiginosa como tudo acontece. O sistema permanece, resiste à mudança vencendo e absorvendo relações sociais dialécticas pela estimulação individual dos medos, pela imposição da pretensa fatalidade Apocalíptica do capitalismo ser o fim dos tempos. Atrás destes tempos desenha-se a incerteza do desconhecido, o medo do abismo, a insegurança da desordem a fatalidade do caos.

O culto do não, não é possível assenta, ainda que intimamente, no conforto da certeza minimal da nossa própria defesa contra a frustração do arriscar no sonho da mudança.

Assim vamos caminhando de recuo em recuo para posições firmes, com os pés bem assentes na terra. Quando confrontados com uma onda de optimismo, desconfiamos, recuamos, tentamos segurar-nos às amuradas dos nossos medos do insucesso, da nossa angústia da incerteza da vitória. No contexto da não vitória impera a ordem, a regra, o tempo que parece imutável. Qualquer pequeno avanço que ocorra por um qualquer imponderável sócio-histórico-político, transcenderá largamente as nossas expectativas e traduzir-se-á numa estrondosa vitória.

Tudo isto a propósito de tudo e nada, da vida e da existência(zinha) e, afinal de contas, de Évora e do Alentejo.

Luís Garcia
(recebido por e-mail)

Apelo para que não nos limitemos a assistir

Está na hora de as pessoas de bom senso se unirem. Independentemente das suas opções políticas ou de quaisquer outras em que se manifestem divergências, aliás legítimas.

Ficou provado com o escrutínio feito ao último mandato autárquico, que a maioria dos munícipes não se revê de todo no modus operandi do executivo do PS.

São muitas as questões em aberto que provocam sérias reservas àqueles que preferem viver numa terra para a qual a qualidade de vida não seja um conceito vão, baseado apenas no que de mais efémero emerge de uma visão quase exclusivamente economicista.

Évora não é um quintal de ninguém, é uma entidade bem viva com uma dinâmica milenar que tem de ser respeitada, para que não seja posta em causa a sua própria existência. Aqui vivem e trabalham mulheres e homens de inegável qualidade e inquestionável e desinteressado afecto por esta Cidade.

Seria bom que a Civitas se discutisse e reinventasse com o contributo de todos aqueles que sem reservas possam participar, para que um caminho de Liberdade e Cidadania se não interrompa apenas porque uma mera conjuntura assim o determina.

Estou convicto que este apelo é comum a todos os sentires e por isso o faço, para que não nos limitemos a assistir.

04 Novembro, 2009 10:00

Linha ferroviária Évora-Lisboa-Évora

Desculpem interromper mas é só para perguntar se alguém sabe se é verdade o que para aí se diz que a linha ferroviária Évora-Lisboa-Évora vai encerrar, não por um ano, mas definitivamente?
Não quero crer em tal mas não seria caso virgem um encerramento "temporário" de uma linha-férrea do interior virar definitivo...

Maria M.
02 Novembro, 2009 18:13

Nota Mais Évora:
O que “para aí se diz” não coincide com a informação da Refer, empresa gestora da infra-estrutura ferroviária. Segundo a empresa o encerramento da linha será feito pelo período estritamente necessário à electrificação e completa renovação da ferrovia, entre Bombel e Évora. A Refer prevê que a obra venha a ser executada em 16 meses: 8 meses para realização das obras de supressão de todas as passagens de nível, e mais 8 meses para construção da infra-estrutura ferroviária propriamente dita. Após as obras, a nova linha terá capacidade para suportar a circulação de comboios a 160 km/h, em toda a sua extensão.

Haverá uma tábua de salvação para os monumentos dos Almendres?

O DL 174/2008 que regulamenta os PINs não estabelece a não aplicação nesses projectos dos condicionalismos da REN (Reserva Ecológica Nacional) e do Sobro e Azinho. Apenas faz reconhecer o seu interesse nacional.

Logo a legislação aplicável à Reserva Ecológica Nacional e ao Sobro e Azinho é para cumprir!

• Ora se essa legislação leva à escolha de áreas menos condicionadas,
• Ora se o terreno escolhido é o mais condicionado,
não haverá alguém que averigua a nulidade dos despachos que desafectam da REN o terreno para o PIN dos Almendres?

E, com a nulidade dos despachos, não ficará o PDM automaticamente suspenso?

Desta forma, no estrito cumprimento das leis todas; Lei dos PINs (DL 174/2008), Lei da REN (DL 166/2008) e Lei do Sobro e Azinho (DL 169/2001), poder-se-á reimplantar o PIN dos Almendres em local mais adequado a nascente da herdade.

Todos sabemos que o que está em causa é o Cromeleque dos Almendres (Monumento Nacional) e o Menir dos Almendres (Imóvel de Interesse Público) que para além de rodeados por betão e betuminoso a uns escassos 300 metros, ficarão ameaçados, tendo em conta que se tratam de terrenos com Risco de Erosão e Máxima Infiltração.

Mas um gajo tem de se socorrer do que estiver ao seu alcance.
E se são as leis da REN e do Sobro e Azinho que poderão salvar o Cromeleque dos Almendres, então senhores juristas, é trabalhar até à exaustão!

03 Novembro, 2009 22:27

Devemos lutar pelo Desporto da nossa cidade

Eu em relação a este assunto, como jovem dirigente desportivo e sócio de um clube, o que tenho a dizer é que realmente, não se deveria acabar com os dois clubes históricos da nossa cidade, por exemplo: ficavam, ambos os clubes, com as camadas jovens até aos Juniores, e ficavam a fazer formação de jogadores para um outro que se formasse de novo em Évora, em Seniores. Aí sim, havia mais dinheiro para investir num clube sénior, porque a CME dava só dinheiro a um clube e não dois; os patrocínios da nossa cidade começavam a investir mais porque era só a um clube e não dois; os sócios eram mais, porque em vez de ser sócios do Lusitano e do Juventude, eram só de um clube; as pessoas começavam a ser o dobro a ir aos jogos, logo aí havia mais receitas, etc., etc., etc.

Penso que deveríamos lutar pelo desporto da nossa cidade.

03 Novembro, 2009 17:01

E se SARAMAGO...

tivesse sido pago pela Igreja
para divulgar a BÍBLIA?

inquérito recente concluiu que CAIM vendeu mais de 70 000 exemplares
em 15 dias

mas o livro sagrado dos católicos passou, no mesmo espaço de tempo, a contar
com mais 325 684 leitores entre esporádicos e regulares

bom investimento da Igreja, ao que parece - revela inquérito recente


Platero
(h)ortografias

03 Novembro 2009

O circo está montado...

«Armando Vara pede suspensão de cargos no BCP»
«Judiciária reforça caso ‘Face Oculta’»


Os processos dos últimos anos deixaram de entreter a populaça. Cépticos, ignoram as novidades, e dizem que o final é sempre igual: combinam-se todos, viciam as regras, arranjam uns pagamentos, conseguem umas prescrições, e... nada de sangue.
A falta de pão exige, mais do que nunca, distracção e entretenimento. Face Oculta, nome imaginativo, diga-se, é o novo espectáculo, com figurinhas cintilantes a prometer muito sangue. O povo, no coliseu, quer sangue e César, para fazer esquecer que merece ser derrubado, fá-lo-á correr.
Desta vez, haverá sangue. Prepare-se a arena e os verdugos... Veremos se, depois do sangue correr, o povo não quererá derrubar o César de vez...

Aproxima-se o dia em que todos ficaremos a saber..

«Défice orçamental português pode ser o mais alto em 24 anos»

A propaganda, conducente à anestesia da opinião pública, segue o curso habitual e ameaça intensificar-se. Das contas públicas perfeitamente controladas, convenientes em período eleitoral, passamos rapidamente para o maior descontrolo das últimas décadas. E, tudo isto, sem que os líderes de opinião, com voz na comunicação social, tenham a coragem de desmascarar o embuste e dizer que o rei vai nu...

A verdade é que se aproxima o dia em que todos ficaremos a saber, não a verdadeira dimensão do défice, mas a dimensão do défice considerado conveniente para justificar a brutalidade das medidas impopulares que aí vêm. Medidas que agravarão, ainda mais, a vida dos sacrificados do costume.
Aproxima-se o dia em que assistiremos a mais um esbulho das verbas do Orçamento do Estado, para benefício do capital financeiro e de uns poucos especuladores do regime, e em detrimento da esmagadora maioria da população, a quem se exigirá que apertem, ainda mais, o cinto.

JUSTIÇA TARDIA – FACTOS REAIS

Toda a gente fala de boca cheia, sobre a justiça no nosso país, uns dizem que os tribunais não fazem nada (!) noutros casos afirma-se que o governo é culpado! etc... O facto é que, em quase todos os casos que se conhece, a justiça chega tarde de mais!
Poderia relatar inúmeros casos, em que a vítima acaba por morrer, sem que se faça justiça...

No entanto, hoje quero relatar um facto real de agressão física, uma agressão que aconteceu na via pública e que quase ninguém viu, ou por outras palavras, ninguém se quis envolver em confusão.

No passado Sábado, dia 31 de Outubro, na pacata Freguesia dos Canaviais, uma jovem de 21 anos foi agredida fisicamente pelo um homem de 24 anos, também pertencente àquela Freguesia e identificado pelas autoridades, embora não residente. Naquela manhã o agressor voltou a agredir a vítima, no qual a mesma sofreu sequelas nos membros inferiores e superiores, várias escoriações pela face e cabeça. O agressor, já agrediu a mesma jovem por 3 vezes, além das constantes ofensas e ameaças.

O caso foi denunciado à autoridade (GNR), a qual informou que a queixa fica registada, mas que pouco ou nada podem fazer... Os tribunais dizem que tem casos mais urgentes para resolver...

Tenho a liberdade de perguntar às autoridades competentes: O que se faz nestes casos? Esperar! até quando? E se o agressor matar! O que acontece?
É preciso morrer para haver justiça?
Enfim, é a justiça no nosso país!

Cumprimentos,
Isabel Figueira

03 Novembro, 2009 01:06

8 anos depois, qual é o nível de ambição da Cidade?

«Comigo chegou ao fim essa ideia de cidade “pobrezinha e igualitária” com um nível de ambição situado entre o primeiro lugar da distrital e o último da terceira divisão...»

José Ernesto Oliveira
VISÃO, Janeiro de 2002

Porque estão os jogos de futebol às moscas?

(1972: Juventude – Lusitano, foto retirada daqui)

Já foi realmente um verdadeiro derby, muito competitivo, que mexia com muitas emoções. Hoje é um derby da cidade, que põe frente a frente duas equipas da 3.ª Divisão, em que uma delas tem o objectivo máximo de subir para a 2.ª Divisão B (objectivo medíocre dada a dimensão da cidade) enquanto a outra (completamente falida) tem noção que não descer para o Campeonato Distrital já é um milagre.

Há uns anos para cá, a Associação Futebol Évora, investiu seriamente na formação dos treinadores, que teve como consequência, uma grande evolução nos jovens atletas. Foi sem dúvida um passo em frente que foi dado no âmbito da formação de jovens atletas, e que permitiu às nossas selecções eborenses das camadas jovens, fazerem frente às equipas de outras associações.

A Associação também tem investido na formação de massagistas, existindo mais gente habilitada no mercado, embora os clubes não estejam dispostos a pagar, por isso a maioria deles não se encontram em actividade.

A Associação também tem procurado formar melhores árbitros, que não tem sido tarefa fácil, devido à escassez de material humano. A Associação tem que aproveitar todos os homens que existem (alguns deles sem jeitinho nenhum para a coisa), mas ainda assim creio que houve uma melhoria substancial.

Se treinadores, jogadores, massagistas e árbitros evoluíram, porque é que o futebol na nossa cidade não evoluiu?!?!?!

A resposta é óbvia – Os DIRECTORES.

Por muita vontade que a Associação de Futebol tenha, não vai conseguir formar esta gente, pois o requisito para estar à frente de um clube de futebol é ser sócio e esbanjar lá dinheiro. Normalmente são os chamados “Velhos do Restelo”, que promovem os seus conhecidos (normalmente os da sua geração, que estão mais do que desactualizados), não pagam a massagistas, portanto estes não trabalham, e alguns treinadores quando recebem, recebem 6 meses depois…

Os directores que acompanham as equipas de formação não recebem 1 cêntimo, como tal os clubes têm que se contentar com os voluntários, que quase sempre são os pais dos miúdos. Esta situação muitas vezes prejudica o filho (atleta), que houve bocas exteriores, pois quando joga é porque é filho do director, e quando não joga é prejudicado porque é filho do director…

É uma bola de neve, que limita o desenvolvimento do nosso desporto, tudo isto derivado à falta de dinheiro. Os clubes não têm dinheiro, os presidentes têm que ser homens abastados que invistam no clube, normalmente são incompetentes e promovem incompetentes amigos deles para os outros cargos.

Não investem na formação, gastando o pouco dinheiro que têm, em atletas seniores vindos de fora. Os jovens atletas formados nos clubes, depois de ultrapassarem a idade de júnior, vão rodar para os clubes distritais onde se perdem devido à desmotivação e falta de oportunidades.

Uma vez que os filhos, os netos e os sobrinhos não vingam nos clubes da cidade, os pais, avós e tios, deixaram de se identificar com os clubes, como tal, deixam de ir ver os jogos...

Nos campeonatos distritais de Iniciados, Juvenis e Juniores as únicas equipas que praticam futebol em campos de terra batida, são: Juventude, Lusitano, SLE e Canaviais, ou seja, as equipas de Évora. De resto quase todas as vilas e aldeias têm um campo relvado natural ou sintético, o que melhora o desempenho dos jogadores.

Sei que esta situação de relvar os campos é dispendiosa, e não depende unicamente dos clubes…

Não vai ser fácil transformar uma direcção incompetente com uma gestão desastrosa, numa competente e com uma gestão correcta e coerente.

A única verdade é que os campos estão às moscas porque os habitantes da nossa cidade não se revêem na política de gestão dos clubes.

02 Novembro, 2009 21:26

O PIN dos Almendres e a Lei da REN

A Herdade dos Almendres encontra-se totalmente em REN (Reserva Ecológica Nacional):
  • A metade mais próxima do cromeleque tem duas categorias sobrepostas; Área de Infiltração Máxima e Risco de Erosão,
  • A metade mais afastada tem uma categoria; de Risco de Erosão.

Diz o n.º 1, do art.º 21, do DL 166/2008 que se admitem acções de relevante interesse público na REN desde que não se possam realizar de forma adequada em áreas não integradas na REN.

Ora, se a herdade tem terreno com uma categoria de REN e outro com duas categorias de REN, digam lá se não é desvirtuar a lei implantar o PIN na metade com dupla categoria, a mais condicionada!!!

E logo a 300 metros do Cromeleque dos Almendres (Monumento Nacional) e a menor distância do Menir dos Almendres (Imóvel de Interesse Público).

Face ao espírito da lei não seria óbvia a escolha da área menos comprometida em termos de REN?... afastada daqueles monumentos?!
02 Novembro, 2009 19:09


@19:09
O raciocínio está perfeito, mas esquece um pequeno pormenor: é que a REN foi objecto duma "raspagem cirúrgica" [no âmbito do processo de revisão do PDM] para satisfazer TOTALMENTE os interesses do empreendedor imobiliário. Ou seja, na zona do empreendimento, a REN desapareceu dos mapas... [como se pode verificar nas imagens abaixo]
02 Novembro, 2009 19:36

(PDM Évora – proposta inicial da REN - 2001)

(PDM Évora – 1ª proposta de desafectação da REN - 2004)

(PDM Évora – REN aprovada - 2007, com desafectação na Herdade dos Almendres)

02 Novembro 2009

CME responsável por dificuldades financeiras em dezenas de empresas e instituições.

Depois de um fenómeno de pré-campanha, onde José Ernesto contraiu uma dívida de crédito para pagar tudo o que devia a associações, e após a pausa para sufrágio, voltou a ladainha. Neste momento algumas associações (que não digo o nome mas que posso afirmar que são, não desmerecendo as outras, das mais importantes da cidade) e muitas empresas estão a atravessar momentos de aperto financeiro, estando já em causa vários meses de ordenados.

José Ernesto assobia para o lado, finge não ver nada, as eleições serão apenas daqui a 4 anos e ele não tem interesse nenhum nisso. Passa, assim, ombro a ombro sobre os rostos incógnitos de trabalhadores de várias empresas e associações que enfrentam agora dificuldades, muito por culpa da falta de pagamento da CME, seja em apoios ou em pagamento de material que a câmara já adquiriu e utilizou.

Mas o desplante da CME é tal que, visto não conseguir pagar 3 anos de dívidas a várias PME's da Cidade, decidiu ir para concelhos vizinhos e agora adquire material em Arraiolos, Estremoz, Montemor e até Lisboa com pagamento directo.

É a falta de vergonha desta câmara socialista.

Se eu fosse mal-educado
dizia que é muito feio
construir o socialismo
com fascistas de permeio.

02 Novembro, 2009 09:13

Universidade de Évora

O problema está no modelo de financiamento, ou no modelo de gestão?

02 Novembro, 2009 07:47

Que podem os eborenses fazer?


Veja-se como os ingleses veneram, cuidam e promovem os seus valores patrimoniais:
  1. Em primeiro lugar, a preservação da memória das suas origens, de que se orgulham, e sua transmissão aos vindouros, em condições o mais perfeitas possível.
  2. E, depois, o negócio turístico, sustentável, para lucro dos de hoje e dos de amanhã.

Veja-se Stonehenge, sem uma construção ou estrada que perturbe ou diminua a integridade visual do monumento.
Vejam-se outras intervenções, em locais e sítios arqueológicos, com valor paisagístico, em que a paisagem envolvente foi "limpa" de anacronismos, em que as instalações de apoio e os estacionamentos são mantidos afastados e escondidos por colinas e maciços de árvores.
...
Pelo contrário, vejam-se as intervenções do IPPAR em Miróbriga (Santiago), ou em Torre de Palma (Cabeço de Vide), e tantos outros, com a preocupação aparente e única de explorar o negóciozinho:

  • a começar pelo projecto e a construção da bilheteira, pomposamente chamada "recepção";
  • o encerramento do sítio com vedação;
  • a venda de bilhetes e de recuerdos, para tentar sustentar um posto de trabalho, insustentável;
  • e o monumento ali ao lado, abandonado e desprezado, abusado visualmente pela barraca do IPPAR, que por pouco, não lhe caiu em cima.

A documentação, vendida com o bilhete de entrada, é paupérrima, errada, e desactualizada; o envolvimento das escolas e da população local, é marginal e mal recebida; o investimento em mais escavações e mais estudos, adiado; a ilustração e explicação das descobertas e sua divulgação, muito tosca, provavelmente a aguardar que o arqueólogo colha os seus dividendos, antes de serem tornados públicos.

Quando os organismos do Estado, encarregues da protecção dos monumentos nacionais, se demitem ou, mesmo, participam activamente na sua destruição, que pode o cidadão fazer para proteger os seus monumentos?

Quando, nos Almendres, se preparam para fazer uma espécie de "aldeia gaulesa" à volta de um monumento único e insubstituível, e isto é aceite e declarado pelos Serviços Regionais e pela Câmara Municipal, como PIN (Potencial Interesse Nacional), que podem os eborenses fazer?

01 Novembro, 2009 22:46

01 Novembro 2009

Pouco mais de 300 pessoas assistiram ao derby...

Hoje foi dia de derby na cidade. Num passado muito recente, era dia de casa cheia. Normalmente entre oito a dez mil eborenses assistiam ao grande jogo da região. Esta tarde, no campo do Juventude, pouco mais de 300 pessoas assistiram ao derby. Pobre cidade que caminhas para o definhamento completo.

01 Novembro, 2009 22:01

Universidade de Évora com graves dificuldades económicas

Jorge Araújo, o reitor da Universidade de Évora, alertou este domingo que a instituição não é economicamente sustentável. Foi durante a cerimónia, agendada para o Dia da Universidade, que o reitor traçou o quadro negro em que considera viver a instituição.

"A sustentabilidade da Universidade de Évora dependerá, em última instância, da atenção do poder político para a sua circunstância particular e poderá ou deverá passar pela contratualização de um programa de recuperação económica e financeira", alertou o responsável máximo da instituição.

Para o reitor, a existência de uma universidade pressupõe limiares qualitativos e quantitativos que não podem ser postos em causa. "Sejamos claros, a Universidade de Évora, no quadro do actual modelo de financiamento, não é economicamente sustentável", afirmou enquanto traçava um balanço do percurso da instituição nos últimos anos.

Uma universidade acarreta encargos permanentes de uma linha base a que corresponde "um limiar mínimo qualitativo e quantitativo do corpo docente e do pessoal" mas também "um financiamento mínimo de sustentação" explicou Jorge Araújo, alertando que "abaixo desse limiar a instituição poderá ser outra coisa qualquer, mas não será seguramente uma universidade".

PÚBLICO/LUSA - 01.11.2009

O dedo na ferida!...

Cada vez é mais difícil entender a língua portuguesa…

Para os corruptos, eleitos e gestores dos serviços da Administração Pública, roubar o Estado e fugir aos impostos, não é crime. Eles são uns heróis, que enriquecem, sem trabalhar, sem produzir, e sem prejudicar "ninguém". E até se dão ao luxo de dar aos pobres!

Aliás, eles não roubam, não corrompem, nem são corrompidos: eles fazem "crimes de natureza económica", como agora se diz nos telejornais do PS.

Eles não têm prejuízo nem dívidas: eles têm "passivo".
À Banca, eles chamam agora "Indústria Financeira".
E à usura chamam-lhe "produto financeiro".

Cada vez é mais difícil a gente entender a língua portuguesa, sobretudo quando estamos a ser roubados, legalmente.

01 Novembro, 2009 11:52

É o tempo da destruição das memórias...


Numa época não muito distante, existiu uma grande crise de pedra para a construção civil a nível nacional (já com grande poder na política). Muitas foram as vilas e cidades que, perante isso, destruíram as suas muralhas para vender a pedra ao quilo. Por cá, tínhamos na presidência da Câmara um presidente (sem visão e de conchavo com o poder económico) que também fez esse negócio e se propôs a derrubar as muralhas.

Mas, nessa época, Évora era habitada por gente de coragem e de visão. Um movimento de cidadãos levantou-se contra a decisão e conseguiu preservar as muralhas que hoje fazem parte da beleza desta cidade Alentejana e que nos possibilitou a classificação a Património da Humanidade (acompanhada com outros exemplos do património, claro está). Surgia nessa altura o embrião para a formação do Pró-Évora.

Mas isto foi no tempo em que os valores, morais eram maiores que os económicos. Foi no tempo dos eborenses de coragem e de visão. Hoje nada disto interessa. O poder imediato, a riqueza imediata, e o emprego (através de cunha) para o familiar é quem mais ordena.

Os Cromeleques, tiveram azar, estão em risco nesta época de gente frouxa, de gente sem espinha dorsal e onde nem os movimentos de apoio ao património (agora já existentes) se levantam para lhes acudir. É o tempo da destruição das memórias do passado, é tempo da corrupção, e do conluio, é o tempo que os eborenses decidiram ter quando votaram! Paz à alma da cidade!

01 Novembro, 2009 11:42

dona MARTA

(em defesa dos animais, e porque está aí a chegar o frio)

dona MARTA é gorda
é gorda que se farta
tem um casaco de marta
pô-lo arrepia

dona MARTA é gorda
é gorda que se farta
tem um casaco de marta
pô-lo arrepia

arrepia a memória
de MARTA - morta -
que está farta
de cobrir
tanta marta
- vazia


Platero
(h)ortografias

ALMENDRES RESORT

Desde 2006 que este crime se vai consumando, bem documentado aqui no Maisévora.

É a mentira de base, "legalizada" pela lei, danosa do interesse nacional. A classificação do investimento como projecto PIN (Potencial Interesse Nacional?), mas que, na verdade, é um negócio CIN (Contra o Interesse Nacional). Um negócio de PIP (Puro Interesse Privado), à custa da destruição de um valor patrimonial milenar, e único, absolutamente irrecuperável, depois da destruição que está em curso.

É a ilegalidade e a corrupção subjacente, processual, conduzida pelos próprios eleitos e organismos do Estado, a quem competiria defender o interesse do Estado e do Concelho, mas que se encontram, de facto, ao serviço dos interesses retrógrados, que vivem à custa do Estado, como carraças.

É a estupidez, selvagem, de valorizar o negócio privado, à custa do património nacional, monumental e natural, destruindo-o com consciência plena, e sem rebuço. Quando, seria perfeitamente possível fazê-lo noutro local dessa imensa herdade, em remanso igualmente belo e atraente, sem tocar, sem prejudicar, sem destruir, este património único e insubstituível.

É o sinal dos tempos.
O tempo em que os Portugueses entregam o governo do país e do concelho à canalha mais rasca, mais selvagem, mais retrógrada, e mais corrupta.
O tempo em que, da sociedade de criminosos, com currículo, um vai para primeiro-ministro, outro para director de banco e outra para presidente de câmara.
O tempo em que, os governos nos conduzem, inexoravelmente, aos períodos mais negros da nossa história.

31 Outubro, 2009 10:52

O DESCOBRIDOR

Um pai gosta de se rever no filho,
não nos defeitos, mas naquilo que,
dentro duma óptica de adulto, é
considerado qualidade ou virtude. É verdade
que os defeitos, quando em miniaturas,
podem ter graça. O mau génio
dum rapazito «promete», não
raro, um forte carácter
macho para quando ele for um
homem, e isso tranquiliza
e tem graça. Mas é inegável
que as virtudes brilham e
lisonjeiam mais.

Quando o meu querido
fedelho me anunciou,
arvorando como podia a
solenidade de que os seus
dez anos eram capazes, que
queria ir para descobridor,
eu senti-me surpreso
e, logo, vaidoso. Até que enfim
que aparecia alguém, nas quatro
últimas gerações da família
Soares Picoto, que se propunha
descobrir; que forcejava
por se dedicar à descoberta
de algo
:
- Mas descobrir o quê?
perguntei ao Alvarito:
- Novas terras!, disse o pequeno.

Expliquei-lhe que a grandeza
dos portugueses como
navegadores e descobridores
era um facto incontroverso, mas que
hoje estava tudo descoberto.
O Alvarito ficou pensativo.
Depois, olhou para mim
e disse, meio desencantado:
- Então posso ser engenheiro…

Alexandre O’Neill,
anos 70 – Poemas Dispersos

31 Outubro 2009

Tudo bons rapazes

Sucatagate

«A ‘Operação Face Oculta’ pode ser o Watergate do PS, se se provar que diversos gestores socialistas integravam uma “rede tentacular integrada” visando assegurar negócios com grandes empresas públicas ou semi (REN, Refer, Galp e EDP). E esta é apenas a ponta do iceberg, porque não se acredita que um gestor bancário que ganha €40 mil por mês se venda por dez mil. O que se torna evidente é que, a ser verdade, a fraude só foi possível através de uma rede de pessoas integrando as estruturas de decisão destas empresas, todas da estrita confiança do poder político. Ora, quando a podridão se instala a este nível, é a própria existência do Estado acima dos interesses particulares que fica em risco

EXPRESSO, Editorial, 31.10.2009

O regime tornou-se numa enorme rede de corrupção

«O dr. Mário Soares pediu esta semana à imprensa e à televisão que não insistissem no que ele chama de “sensacionalismo” e percebessem, de uma vez, que o “sensacionalismo” não “paga”: não “vende papel”, nem aumenta audiências. Logo por azar três dias depois saiu um novo “escândalo” das profundezas do Ministério Público. Pior ainda: esse escândalo alegadamente envolve antigos membros de um governo PS e um velho amigo do primeiro-ministro. Em prosa tremendista, o Ministério Público, declarou que há no caso uma “rede tentacular”. Não sei se há “rede” ou não há “rede”. Só sei, como sabe, ou desconfia, a maioria dos portugueses, que o regime se tornou numa enorme rede de corrupção.»

Vasco Pulido Valente
in PÚBLICO, 31.10.2009

SOS ao Cromeleque dos Almendres


O Cromeleque e o PIN (Projecto de Interesse Nacional) dos Almendres ocupam uma vasta área de Solo com Risco de Erosão e de Infiltração Máxima.

Mas essa mancha de Reserva Ecológica foi "apagada" do PDM, na zona do PIN.

O que acontece quando se abatem sobreiros em solo com risco de erosão e de infiltração máxima? E quando avançam com buldozers, escavações, montões de betão e de betuminoso a 300 metros do Cromeleque, a maior preciosidade de Évora? Será que os menires vão rolar por aí abaixo e no futuro já não existe legado para deixar? Alguém fez estudo do impacto deste PIN?

SOS ao Cromeleque dos Almendres, o verdadeiro projecto de interesse nacional e internacional!!!

30 Outubro, 2009 23:12

30 Outubro 2009

Pois, pois…

«José Sócrates não comenta processos judiciais»
Sócrates diz que, enquanto primeiro-ministro, não comenta a operação "Face Oculta". Veremos o que faz, enquanto secretário-geral do PS…

Quem não se fia não é de fiar…

De que terá medo Zé Ernesto para que os vereadores, sejam eles quem forem, não possam circular numa Câmara para a qual foram eleitos?
Esta situação mais que absurda é ilegal, prepotente e quiçá reveladora de que há situações que não poderão ser vistas.
Quem não se fia não é de fiar, já lá diz o povo.

30 Outubro, 2009 09:05

Mãos sujas, alma limpa

Como sucede habitualmente quando, como agora, vêm a público os negócios sujos que, um pouco por todo o país, envolvem lixo e tratamento de resíduos, os envolvidos são quase sempre gente (empresários, autarcas, políticos…) lavada e educada, da do género que não entra em casa sem limpar cuidadosamente os pés.

O problema é não haver tapete de entrada onde se limpe a sujidade das mãos. De qualquer modo, quando os jornais conseguem enfim chegar à fala com eles, estão todos de consciência limpa. O lixo e o dinheiro são, com efeito, matérias com a singular propriedade de sujarem as mãos e raramente sujarem a consciência (e mais raramente ainda o cadastro, pelo menos entre nós, onde as leis penais e processuais penais lavam mais branco que em qualquer outra parte do mundo), de tal modo que o capítulo moral da democracia portuguesa que vier um dia a ser dedicado ao assunto não poderá deixar de levar o sugestivo título de "Mãos sujas, alma limpa". Não se percebe é que a PJ se dê a tanto trabalho para desvendar a "Face oculta" de tais negócios, se ela e o MP é que acabam sempre por sair sujos dos tribunais.

Manuel António Pina
Jornal de Notícias, 30.10.2009

Os estranhos negócios na área do Ambiente

«Um ministério que detém um enorme poder de licenciamento mas cujo peso político é cada vez menor e que para lá dumas medidas simpáticas, como o salvar uns animais ameaçados de extinção, os portugueses não percebem porque aprova uns projectos e chumba outros é também um óptimo caldo de cultura para situações menos claras. Recordo que quase todos os casos de corrupção envolvendo políticos no exercício dos seus cargos autárquicos e governamentais passam pela área do Ambiente – são os terrenos que se desafectam das zonas de protecção especial; os concursos para aterros; os licenciamentos com carácter de urgência, etc.
O ministério que Dulce Pássaro herda tem assim essa indesejável e perigosa combinação entre um peso político nulo e um poder enorme no mundo dos negócios.»


Helena Matos
in PÚBLICO, 29.10.2009 (via Blasfémias)

Coisas úteis para a vida diária dos cidadãos

Quando é que a Câmara Municipal procede à elevação das passadeiras para peões na Avenida Dinis Miranda, à semelhança do que já fez na mesma avenida junto ao Hotel D. Fernando?

Quando é que a Câmara Municipal estuda e executa o reforço da iluminação pública da Praceta Álvaro Pires, que está escura como breu, daí local óptimo para assaltos aos apartamentos, aos automóveis, e outras práticas que não será necessário descrever?

Este post poderá ser também dirigido à Junta de Freguesia da Horta das Figueiras.

29 Outubro, 2009 09:16

Gostei!...


Alguém já visitou a Direcção Regional de Educação do Alentejo (DREA) e deu conta de uma bonita exposição de instrumentos musicais (*) que por lá está? Gostei sim.
29 Outubro, 2009 19:57

(*) Exposição “Instrumentos Musicais do Mundo”, constituída por cerca de 400 instrumentos musicais da colecção particular de Fernando de Brito Vintém. Se ainda não teve oportunidade de visitar, aproveite hoje, último dia, entre 9h00 às 17h30.

A diferença entre ser Português e ser chinês

Imaginemo-nos numa das lojas de ferragens da nossa cidade de Évora e atentemos à seguinte situação:
Cliente – Bom dia queria um alicate Universal, faz favor!
Lojista – Aqui está. São 35 Euros!
Cliente – 35 Euros???????? Porra! assim vou comprar nos chineses, custa-me só 3 Euros!
Lojista – Mas este é de melhor qualidade.
Cliente - Mas ali eu compro 3 ou 4 gasto 12 euros e fico com alicates para o resto da vida.

É este o dia-a-dia do Cliente de Évora.
As lojas dos chineses aparecem como por magia em todo o lado.
Não pagam impostos.
Não pagam segurança social.
Não têm horário de trabalho.
As mercadorias entram pela alfândega a custo 0,00 euros de imposto.
Pagam mal aos funcionários que não são chineses.

Dizem que é fruto de um acordo internacional.
Mas eu pergunto, que acordo internacional é este que prejudica o nacional e beneficia o emigrante?
É que não é só material supérfluo que eles já vendem. Agora já vendem tudo: roupas, sapatos, loiça, plásticos, material escolar, material de pintura. Já começam a aparecer alguns electrodomésticos.

Pergunto eu. E o comerciante que paga todos os impostos e tem de obedecer a dezenas de regras para poder ter uma porta aberta, senão tem a ASAE à perna, como é que se governa?
No final do mês, quando vai fazer as contas para pagar aos funcionários, aos fornecedores, ao IRS por conta, água, luz e demais, como é que se governa?????
Estes Acordos Internacionais apenas beneficiam os bolsos de alguns dirigentes que os aceitam.
Por este andar vamos ter lojas de chineses a vender carne, mercearia, legumes, pão, etc. Já faltou mais.
Há que pôr um travão a isto senão as lojas continuam a fechar, a falir, por falta de Clientes.

Mas, diga-se aqui de passagem, que muitas em Évora são culpadas, pois querem ganhar tudo de uma vez e vendem a preços exorbitantes.

Vítor Alves
29 Outubro, 2009 15:56

29 Outubro 2009

MEMÓRIAS

(Sábado, 12.04.2007)

(Correio da Manhã, 09.04.2008)

(PÚBLICO, 24.12.2007)

CURRICULUM VITAE

Armando António Martins Vara (
Vilar de Ossos, Vinhais, 19 de Fevereiro de 1954) é um político português e administrador bancário[1]. Estudou Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, tendo abandonado a Universidade sem obter o diploma de licenciatura. Mais tarde obteve o diploma de licenciatura no Curso de Relações Internacionais na agora defunta Universidade Independente, três dias antes [2] [3] da sua nomeação para a Administração da Caixa Geral de Depósitos, cargo que deixou de exercer para assumir a presidência do Banco Comercial Português[4].

Um mês e meio depois de ter abandonado a Caixa Geral de Depósitos para assumir a vice-presidência do Banco Comercial Portugal foi promovido no banco público ao escalão máximo de vencimento, o nível 18, o que terá reflexos para efeitos de reforma
[5].

Carreira política

Foi deputado à Assembleia da República nas IV, V, VI e VII
Legislaturas.

Em 1991 foi candidato a presidente da Câmara Municipal da
Amadora, tendo perdido para a CDU. Foi vereador durante algum tempo.

No governo de
António Guterres foi primeiro a secretário de Estado da Administração Interna (1995-97), depois a secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna (1997-99).

Após a vitória eleitoral do PS em 1999, tornou-se ministro-adjunto do primeiro-ministro (1999-2000), com os pelouros da juventude, toxicodependência e comunicação social.

Vara recorreu ao director-geral do GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do
Ministério da Administração Interna) e a engenheiros que dele dependiam para projectar a moradia que construiu perto de Montemor-o-Novo[6].

Em 2000, passou a ministro da Juventude e Desporto.

Ainda em 2000 viu-se forçado a pedir a demissão ao surgirem notícias sobre alegadas irregularidades cometidas pela Fundação para a Prevenção e Segurança, que fundara no ano anterior, quando era secretário de Estado, processo que seria posteriormente arquivado.

Em Outubro de 2009, mantendo a sua honestidade característica, Armando Vara é um dos 12 arguidos constituídos no âmbito da operação Face Oculta desencadeada pelo Departamento de Investigação Criminal de Aveiro
[7].

(Wikipédia, via
Cavalas e Fanecas)

Armando Vara: um dos homens do momento

(Correio da Manhã, 29.10.2009)

«Nos anos noventa, existiu durante uns meses uma sociedade chamada Sovenco (SOciedade de VENda de COmbustíveis), com alguns sócios ilustres, todos do mesmo partido: Armando Vara, a fabulosa Fátima Felgueiras e o ainda mais fabuloso José Sócrates (via portugal dos piqueninos)

Mas a lista das trafulhices Vara/Sócrates não se ficou pela SOVENCO:
  • Foi Vara, quando estava no Ministério da Administração Interna (!) do governo do Eng.º Guterres, que "arranjou" o professor da Independente que ofereceu as "cadeiras, e ofereceu o diploma ao "engenheiro" Sócrates;
  • O mesmo professor, e esposa, tiveram participação corrupta na roubalheira da Cova da Beira, quando o Sócrates era ministro do Ambiente; o processo foi dado como "desaparecido", quando a judiciária o requisitou;
  • O Freeshop, que teve origem na mesma época, inclui a família do Sócrates, por parte da Mãe e por parte do Pai, e ainda se está a ser deslindado;
  • Etc.

Não admira o Eng.º Guterres ter fugido, quando descobriu com quem andava metido!

O mais escandaloso e revoltante, é que o partido "sucialista" não só olha para o lado, como ajuda a abafar o escândalo e, ainda por cima, promove os corruptos para os cargos mais importantes do governo da Nação.

29 Outubro, 2009 21:53

A propósito da primeira visita aos serviços municipais, por três Vereadores eleitos…

A confiança e respeito do Dr. Ernesto pelos eleitos, é de tal monta, que obrigou um emplastro, feito pau de cabeleira, a segui-los de sala em sala, para vigiar a apresentação dos vereadores da oposição aos funcionários municipais.

Desde que há eleições democráticas, nunca se viu uma coisa assim, tão caricata, e tão pidesca!

O fulano ainda não percebeu que os eleitos da oposição têm tanto direito como ele, para aceder aos serviços e aos funcionários.

O fulano ainda não percebeu que a Câmara e os funcionários não são dele.

O fulano ainda não percebeu que a Câmara inclui a oposição, a quem ele tem que prestar contas; e que os funcionários municipais são, acima que tudo, servidores do Estado, independentemente do partido que ganha as eleições.

29 Outubro, 2009 14:41

CLAREZA

Quando alguém nos oferece alguma coisa, manda a mais elementar regra de bom senso que ponderemos as consequências da sua aceitação.

Quando alguém nos parece propor parte do poder que legitimamente exerce, redobra a necessidade de ponderação, de avaliação dos prós e contras para aqueles que depositaram em nós o seu voto de confiança.

A participação no órgão executivo do Município por vereadores eleitos por forças políticas que não obtiveram a maioria, ainda que relativa, dos votos, com funções de gestão e responsabilidades atribuídas, pressupõe, em meu entender, a existência de um conjunto de condições e de um ambiente político que não existe na actual conjuntura.

Desde logo é desejável que exista um nível mínimo de confiança mútua entre quem obteve os votos suficientes para governar e quem não os obteve.

Quando a anunciada primeira visita aos serviços camarários dos três vereadores eleitos pela segunda força política mais votada, se torna impossível sem a companhia do Presidente ou de um dos vereadores do seu partido, estamos conversados sobre níveis mínimos de confiança mútua.

As duas forças políticas mais votadas nas últimas eleições autárquicas, e que elegeram o mesmo número de representantes no órgão executivo, têm projectos políticos diferentes e alternativos entre si.

Defendem estilos de gestão opostos, têm formas de estar na vida política que só por mero acaso podem coincidir num ou noutro ponto.

Como seria interpretado por aqueles que depositaram o seu voto num projecto de ruptura, a aceitação de pelouros que implicariam necessariamente solidariedades e compromissos com aquilo com que se pretende romper?

E quem ganhou será que estaria mesmo disponível para partilhar o poder? Que palavras devem ser tidas em conta nessa avaliação? As do discurso oficial que pede aos que não ganharam que assumam responsabilidades no executivo, ou as do discurso muito mais claro do assalariado do poder que diz exactamente o contrário e se manifesta opositor do enquadramento legal que permite essa partilha?

Como podem ver, só uma qualquer ânsia pelas migalhas do poder nos poderia levar a aceitar pelouros, numa parceria sem parceiros.

Seremos vereadores de corpo inteiro, honrando os compromissos assumidos para com quem nos elegeu. Exerceremos uma oposição firme e responsável, tendo os interesses das populações sempre presentes.

Votaremos favoravelmente e sem preconceitos todas as propostas que entendermos servir os interesses dos eborenses.

Votaremos contra e sem ceder a jogos de vitimização todas as propostas que entendermos lesivas para o interesse público.

Sou dos que entendem que é a clareza de posições e o constante prestar de contas sobre essas posições que tornam a política numa actividade respeitável.

Foi esse compromisso que assumimos, é esse compromisso que cumpriremos.


Eduardo Luciano
in DIANAFM, 29.10.2009

Não é preciso inventar a roda! A aposta no Turismo, passa por coisas simples...

Ainda não se percebeu bem a importância que o Turismo pode ter para a cidade de Évora. Os restantes sectores económicos com capacidade de geração de valor estão mortos ou moribundos. Não podemos aceitar que a Cidade viva à conta das remessas do Orçamento de Estado que vêm para os seus maiores empregadores: Câmara e Universidade.

Mas apostar no Turismo não é fazer uma agenda cultural. Apostar no Turismo não é proteger pseudo-grupos de teatro. Há muito trabalho para fazer na promoção do património arquitectónico, histórico e cultural. Passa sobretudo por coisas simples, como manter a cidade limpa e as paredes pintadas; passa por melhorar a iluminação cénica dos monumentos, por manter o centro histórico activo e vivo, passa pela aposta em eventos culturais de qualidade, por não permitir a construção de mamarrachos e por promover projectos arquitectónicos de qualidade.

Basta usar o bom senso. Não é preciso inventar a roda, olhe-se para os bons exemplos que há pelas cidades desse mundo fora.

28 Outubro, 2009 14:15

Quem é o beneficiado pelo "espírito da selecção"?

Como dizia um pobre de espírito, a propósito do "negócio" da Silveirinha e do Juventude: "os negócios são mesmo assim, uns ganham, outros perdem...". Como se fosse um jogo de futebol, está-se mesmo a ver!

Na verdade, a corrupção já é encarada pelos portugueses como parte integrante do "sistema":
  • A coisa gera riqueza, portanto é necessária e positiva, pelo menos para a minoria de "espertos", corruptos;
  • Faz-se à custa do Estado, "esse grande ladrão", e, ainda por cima, "mau gestor" e corrupto (!);
  • É praticada por gente importante, políticos e doutores, os tais gestores do Estado, bem na vida, com grandes carros (diz-se que o próprio Primeiro Ministro..., e os Ministros..., e o Presidente..., e o Conselho de Estado..., e o Presidente da Assembleia..., que, por acaso, pertencem à Maçonaria..., e à Fundação..., e à OpusDei..., e etc.);
  • É uma actividade tolerada, com direito a tempo de antena, em horário nobre, com todo o respeito por parte da comunicação social;
  • Parece haver garantia de impunidade, de nunca se pagar o prejuízo causado ao Estado e ao país, e, muito menos, de ir preso;
  • Quando a coisa dá para o torto, arranja-se um bom advogado, dos que fazem as leis, uma escapatória, uma medida delatória, um indemnização do Estado, por incumprimento de um formalismo, importantíssimo, mais grave que o crime, e que faz esquecer o próprio crime;
  • ou suspende-se o julgamento, e a democracia, o tempo suficiente, para se alterar a lei;
  • depois do escândalo, "anda-se por aí" durante uns tempos; quando a coisa arrefecer, o predador, revigorado, e melhor preparado, pode voltar a atacar, para abocanhar mais um pedaço de Portugal.

A despropósito, quem é o dono da Silveirinha? Quem é o beneficiado pelo "espírito da selecção", inventado pelo Doutor Ernesto?

28 Outubro, 2009 20:05

A propósito de maus cheiros, fedores e quejandos…

"quadra p´ra pular"
:
põe um frasco de perfume
cada vez que toma banho
mesmo assim o cheiro a estrume
é maior que o seu tamanho

Platero
(h)ortografias

28 Outubro 2009

A política do bode-expiatório

«José Ernesto Oliveira alerta que o problema só será resolvido em definitivo quando for feita uma obra de saneamento, da responsabilidade da empresa Águas do Centro Alentejo»

Como o cheiro [dos esgotos a céu aberto no lago da Malagueira] não lhe chega lá a casa, o Doutor "limpa-se" atirando a culpa para cima da empresa.

Mas então, a empresa da água não está obrigada às condições impostas pelas Câmaras, por contrato?
E o contrato não especifica que eles têm que cumprir regras básicas de salubridade ambiental, e de habitabilidade, nomeadamente não encher a albufeira com merda?
E, mesmo que tal incompetência fosse "juridicamente" lícita e aceitável (!?), podemos aceitar que um Presidente de Câmara dê uma desculpa tão esfarrapada, depois de tanto tempo sem nada fazer, para diminuir o prejuízo da Cidade?

Um médico não devia ser particularmente sensível a estas coisas? Ou a culpa é dos funcionários?

28 Outubro, 2009 14:20

Combate à corrupção: Quais as intenções do Governo?

«Administradores da REN e quadros da REFER alvo de buscas (Galp, BCP e EDP também)»

Mais uma vez abriu-se a boceta de Pandora. A Polícia Judiciária iniciou investigações a individualidades da REFER e da REN. Haja coragem para levar as investigações até ao fim, não só às personagens, mas à instituição que lhes dá abrigo e ambiente para corromperem e roubarem. E aos governos que nomearam apadrinharam esses gestores.

Investiguem-se as obras intermináveis, caríssimas, danosas para o país, adjudicadas aos próprios funcionários e, por estes, fiscalizadas. Investiguem-se os interesses que se escondem e lucram com a gestão, com as "prioridades", e com as obras ruinosas, promovidas pela REFER.

Que a investigação não acabe no embuste em que o Sr. Cravinho transformou a investigação à Junta Autónoma das Estradas (JAE), para esconder e proteger os camaradas do partido, que continuam impunes.

28 Outubro, 2009 13:46

Estranhamente, ou talvez não, no recente discurso de tomada de posse do primeiro-ministro do XVIII Governo constitucional, o combate à corrupção foi letra morta, não figurando nas prioridades do novo executivo.

Mau cheiro e peixes mortos na Lagoa da Malagueira


«O entupimento de uma caixa de esgoto durante o fim-de-semana passado foi a causa do mau cheiro na Lagoa da Malagueira, em Évora. O problema já não é novo e, desta vez, até pequenos peixes apareceram mortos, segundo o presidente eleito da Junta de Freguesia, José Serra. Também em declarações à DianaFm, o presidente da Câmara de Évora explicou que a lagoa já está a ser limpa e que a água vai ser renovada. José Ernesto Oliveira alerta que o problema só será resolvido em definitivo quando for feita uma obra de saneamento, da responsabilidade da empresa Águas do Centro Alentejo.»
in
DIANAFM, 28.10.2009

Recorde-se que, já em Janeiro de 2008, o PÚBLICO tinha alertado para a preocupante situação dos esgotos a céu aberto que confluem no lago da Malagueira. Segundo a notícia, o presidente da câmara, José Ernesto Oliveira, afiançou que o problema «"irá ser resolvido" com a construção de uma rede alternativa de encaminhamento dos esgotos: "O projecto está a ser preparado nos serviços técnicos da autarquia e esperamos a curto prazo lançar a obra de resolução definitiva do problema."» Infelizmente, quase dois anos após estas declarações, tudo continua na mesma. Os esgotos a céu aberto continuam a conspurcar o lago da Malagueira e a Ribeira da Torregela.

Assim se acaba com a Administração Pública

O SIADAP terá muitos erros, e muito graves, e constitui um grande retrocesso em relação ao sistema de classificação anterior. Mas o pior de tudo, não é a lei mas a forma como é aplicada.

O pior de tudo, é a quadrilha de incompetentes, proto-fascistas, que usam a classificação de serviço para perseguir e humilhar os funcionários, para defender privilégios, e para esconder a desgraça da gestão.

O pior é que o Estatuto do Funcionário é "usado" para atacar quem tiver a coragem de protestar.

O pior é que a Comissão de Avaliação, "respeitável" grupelho de palhaços, só serve para confirmar a prepotência e a injustiça.

O pior é que, aos funcionários, só resta o recurso aos tribunais, que demoram dez anos a responder e a repor a legalidade.

Assim, os funcionários não têm direitos básicos.
Assim, não pode haver Justiça.
Assim se acaba com a Administração Pública.

28 Outubro, 2009 09:05

Sem qualidade, a Cidade pode perder muito, também a nível económico

A semana passada estiveram reunidas várias pessoas a debater o Turismo e foi deixado o alerta: a cidade de Évora já tem um roteiro turístico definido por ser património da UNESCO, cidade cultural, etc... Mas o Alqueva traz grandes responsabilidades e oportunidades. Os autarcas têm que trabalhar muito para requalificar a cidade, desde o urbanismo, ao trânsito, aos espaços públicos e à limpeza. O turismo de qualidade exige qualidade e a cidade pode perder muito, a nível económico, se não fizer um trabalho sério e com responsabilidade, pois conhece bem os problemas.

27 Outubro, 2009 14:39

AMBIENTE:

"O Pacto dos Autarcas é uma iniciativa da Comissão Europeia através de um pacote de acções para as Energias Renováveis, e estabelece os seguintes compromissos às autarquias aderentes:
  • superar os objectivos definidos pela UE para 2020 reduzindo as emissões nos nossos territórios respectivos em, pelo menos, 20% mercê da aplicação de um plano de acção em matéria de energia sustentável nas áreas de actividade que relevam das nossas competências. O compromisso e o plano de acção serão ratificados de acordo com os respectivos procedimentos;
  • elaborar um inventário de referência das emissões como base para o plano de acção em matéria de energia sustentável;
  • apresentar o plano de acção em matéria de energia sustentável no prazo de um ano a contar da data da assinatura por cada um de nós do presente pacto;
  • adaptar as estruturas municipais, incluindo a atribuição de recursos humanos suficientes, a fim de levar a cabo as acções necessárias;
  • mobilizar a sociedade civil nas nossas áreas geográficas para participar no desenvolvimento do plano de acção, delineando as políticas e medidas necessárias para aplicar e realizar os objectivos do plano. O plano de acção será elaborado em cada território e em seguida apresentado ao secretariado do Pacto no ano seguinte à sua assinatura;
  • apresentar um relatório de aplicação, pelo menos, de dois em dois anos após a apresentação do plano de acção para fins de avaliação, acompanhamento e verificação;
  • partilhar a nossa experiência e o nosso saber-fazer com outras entidades territoriais;
  • organizar Dias da Energia ou Dias do Pacto Municipal em cooperação com a Comissão Europeia e outras partes interessadas, permitindo aos cidadãos beneficiar directamente das oportunidades e vantagens oferecidas por uma utilização mais inteligente da energia e informar periodicamente os meios de comunicação social locais sobre a evolução do plano de acção;
  • participar e contribuir para a Conferência anual de Autarcas da UE para uma Europa da Energia Sustentável;
  • divulgar a mensagem do Pacto nos fóruns apropriados e, em particular, encorajar outros autarcas a aderir ao Pacto;”

O texto completo do Pacto dos Autarcas com todos os compromissos e objectivos, pode ser encontrado aqui: (http://autarquiadigital.com/2009/02/17/pacto-dos-autarcas/)

Gostava Muito de ver a minha Autarquia (Évora) empenhada nesta causa!

Ass: Ana Santos
27 Outubro, 2009 11:13

27 Outubro 2009

Um novo blogue a acompanhar com atenção

«Esta semana vou descobrir outros olhares nas visitas que faremos aos serviços da Câmara. Parece que teremos a companhia vigilante dos que se sentem "donos do espaço", provavelmente numa tentativa de dissuadir possíveis cumplicidades. Uma espécie de controlo pela expressão facial. Espero que os "donos do espaço" não mandem abater todos os que ousem sorrir. Abater a uma qualquer lista, obviamente, que os tempos não estão para outras violências. Já me basta ter um cão de fila a ladrar-me às canelas pelo menos uma vez por semana.»

Este é um extracto do último post publicado no «Ao correr da pena…», um blogue onde o autor regista sentimentos, reflexões e «coisas banais», sem ignorar a visão de quem não se conforma com o situacionismo vigente, onde alguns se sentem donos do jogo, «donos do espaço» e donos da Cidade… Um blogue que suscita a nossa curiosidade e que iremos acompanhar assiduamente e com muita atenção.

Ah! Não acreditem naquilo das «coisas banais»...

Aqui vai uma crítica totalmente construtiva:

A CME deveria apostar nas novas tecnologias e criar um blog onde se possam colocar este tipo de questões, não para "inglês ver", mas para ajudar esclarecer dúvidas simples e pontuais das pessoas.

Imagino que seja difícil de articular e até de responder a todas as questões (surgirão todo o tipo de questões, algumas pouco simpáticas ou até acusatórias), mas, com uma hora diária, poderia gerir-se convenientemente um blog desta natureza. As pessoas gostam de "sentir o pulso à cidade", ou seja, gostam de saber quais as questões que apoquentam os outros, que muitas vezes se cruzam com as suas apoquentações!

Imagino que deva existir algum funcionário camarário capacitado para esta função e com alguma disponibilidade para tal. Não tenho nada contra o MaisÉvora, muito pelo contrário, mas preferia ver respondidas estas questões pela minha Câmara.

Fica a sugestão!

27 Outubro, 2009 11:29

E não se pode desligar o mau cheiro?

Na Câmara já não se lê o Maisévora, mas o cheiro a esgoto continua na entrada da cidade. Não se pode desligar o mau cheiro?

27 Outubro, 2009 12:56

O SIADAP está a ser aplicado com prepotência, abuso e injustiça…

"Medo, isolamento, humilhação, perda de auto-estima, de sentido e de identidade", é precisamente o que se passa na Câmara de Évora.

O SIADAP está a ser aplicado com toda a prepotência, abuso e injustiça. Sem oposição.
Os funcionários agem isoladamente, impotentes perante as agressões; indefesos e segregados pelas corporações, corruptas e coniventes com o poder.

27 Outubro, 2009 13:25

Afinal, o fim da crise que alguns vaticinam, não é para todos

Dúvidas e perplexidades

Como se faz para entregar os CV’s para a Embraer?
Existe já alguma formalidade ou é pela porta do cavalo?
Onde se entregam formalmente?
Onde é a porta do cavalo?

Os CV’s que milhares de pessoas, que foram deixados à porta do Aeródromo por altura do Skylander e do FalconWings estão onde?
Existem?
Foram triturados?
Extraviaram-se?
Se foram extraviados que garantia existe que não serão usados os dados pessoais, por gente de má fé?

Eborense Atento
26 Outubro, 2009 16:07

Gestão: o novo fascismo

«As histórias que ficámos a saber sobre a France Telecom nos últimos dias são terríveis: trabalhadores obrigados a mudar constantemente de posto e de funções contra sua vontade em nome da “flexibilidade”; a quem são impostos objectivos irrealistas e que são penalizados por não os atingir; destruição sistemática de equipas de trabalho e do espírito de equipa em nome da “adaptabilidade”; empregados que se vão buscar à casa de banho porque ultrapassaram os dez minutos da pausa-chichi; esquemas de “auto-avaliação” que apenas servem para intimidar os trabalhadores e para os obrigar a reconhecer que falharam e a aceitar penalizações; total ausência de discussão ou sequer de explicação dos objectivos da empresa, sempre impostos de cima; pessoas mantidas isoladas por medidas de “mobilidade” que destroem as relações pessoais entre trabalhadores; obrigadas a competir com os colegas para evitar a “redundância” e o despedimento; com medo da delação dos colegas e das punições dos capatazes, desconfiadas.

As histórias falam de medo, de isolamento, humilhação, perda de auto-estima, de sentido e de identidade, falam de morte. E, no entanto, repito, nada disto é novo, nada disto é diferente. Cada vez mais as empresas se parecem mais com isto, cada vez mais este discurso da competitividade desumana ganha direito de cidade, cada vez mais o stress e o burnout se consideram como o preço justo a pagar pelos elos mais fracos da cadeia, cada vez mais o discurso da “aposta no capital humano”, da “promoção da criatividade” e da “prioridade à inovação” esconde uma prática esclavagista, desumana, repressiva, atentatória dos direitos, da liberdade e do espírito humano. Cada vez mais as empresas são exemplo de uma prática ditatorial, esmagadora das liberdades, da crítica, da expressão e dos indivíduos que, se acontecesse cá fora, na rua, no espaço público, todos julgaríamos inaceitáveis. Dentro da empresa, em nome da competitividade ou por medo do desemprego, aceitamos o fascismo

José Vítor Malheiros
Excertos de crónica publicada no PÚBLICO (via blog pimenta negra)
26 Outubro, 2009 21:14

26 Outubro 2009

Isto é a sério?

Como cidadão contribuinte, e sem dívidas ao fisco.

Como cidadão que assiste atónito à "brilhante" conclusão dos responsáveis, que cinco dos 10 estádios, construídos para o Euro 2004, não são sustentáveis, e que é mais barato demoli-los do que mantê-los!

Como cidadão de um concelho arruinado e endividado; dívida que cresceu 100% em oito anos; dívida que foi endossada aos meus descendentes, sem qualquer benefício!

Como cidadão que assistiu atónito às negociatas da Câmara, com a CCDRA, com o clube Lusitano e com as imobiliárias, para construir um estádio inútil ao pé da lixeira e assim poder urbanizar a zona desportiva da cidade, para lucro da especulação!

Como cidadão que assiste atónito ao "consenso" político para a construção de mais um estádio, dizem que municipal, quando há um, às moscas, ao pé da lixeira!

Como cidadão que assiste atónito ao relegar da Circular Nascente para última prioridade; Circular que é absolutamente fundamental para o desenvolvimento económico, para a eficiência e racionalidade do trânsito, e para a qualidade urbana de Évora, e que nem sequer é consensualmente prioritária!

Depois desta carga de "porrada", deste prejuízo público que temos que pagar, ainda temos que ler no programa para o Lusitano:
- continuar "negociações do projecto imobiliário";
- pedir "ajudas" à Câmara;

Isto é a sério?

Porque temos todos que pagar pela corrupção, pela gestão danosa, pelos crimes, e pelo roubo, descarados e impunes?
Porque não se cobram os prejuízos aos responsáveis que, com dolo, e apesar dos avisos, insistiram nas negociatas e nos crimes?

Não há provas?
Não há polícia ou tribunal que proteja as associações e o erário público desta ladroagem?


26 Outubro, 2009 21:23

É triste não termos uma Banda onde se aprenda música…

Agora já é muito tarde para a Academia de Música. Já quase nada existe e, o que há, está abandonado numa sala do, agora, Colégio Mateus d`Aranda da Universidade de Évora.

Nesta sala está depositado todo o arquivo musical que foi criado em mais de 100 anos de história, assim como estandarte e todos os troféus e lembranças ganhas durante a sua longa vida, dedicada a cultura da nossa cidade.

A CME deveria ter adquirido todo o espólio desta associação centenária da nossa cidade. Já que nada fizeram pela sua sobrevivência pelo menos deveriam ter guardado a sua história. Penso que o sócio n.º 1 da Academia de Música (Sociedade Harmonia Eborense) deveria ter feito mais, pelo menos como fiel depositário de coisas importantes, como estandarte, hino, livro de actas arquivo musical e estatutos.

É triste Évora não ter uma banda de música onde se aprende música puramente amadora e gratuita para a sua população.

26 Outubro, 2009 19:51

Um lamentável equívoco

Com que então "roubando" comentários aos moços do acincotons e depois publicando-os como posts. Camarada, isso não é bonito. E só publiquei lá o meu comentário (mas não tenho nada contra o MaisEvora, só que não tenho o hábito de cá vir) e agora vejo-o com destaque aqui no seu blog. É uma atitude feia, mas neste caso, pelo assunto em causa, até é bom espalhar a mensagem.

Francisco Felício

(só não percebo: se publicou todo o comentário porque é que substituiu o meu nome por iniciais?)

26 Outubro, 2009 19:23

Nota MaisÉvora:
Desconhecíamos a origem do comentário mencionado, colocado numa das caixas de comentários do MaisÉvora [26 Outubro, 2009 17:15]. De igual modo desconhecíamos a quem se referia a sigla FF. Dado o esclarecimento do autor, retiramos o post e apresentamos as nossas desculpas pelo equívoco.

Uma notícia preocupante, a merecer a nossa atenção

«A Associação Académica de Viseu (AAV) cancelou todas as actividades de praxe até ao próximo dia 8 de Novembro por existirem suspeitas de que os caloiros estão a ser utilizados para negócios em bares da cidade

Uma notícia preocupante para a formação dos jovens e para o futuro do país. Com efeito, que benefícios poderão, os jovens e as cidades, retirar de uma extorsão organizada em torno das actividades das praxes associadas ao negócio do álcool?

Tomada de posse da CME marcada por consensos

O novo executivo da Câmara de Évora tomou posse este fim-de-semana. José Ernesto Oliveira destacou que a prioridade está na manutenção da limpeza e higiene da cidade e na construção de pequenas obras públicas de proximidade que interfiram no melhoramento da qualidade de vida das pessoas.

“Temos que melhorar muito a nossa prestação nesse sentido”, disse, referindo-se às questões de limpeza da cidade que admitiu estarem descuidadas.

Neste mandato “vamos começar um trabalho de grande intensidade, empenho e profundidade na procura de soluções que dêem uma volta completa ao funcionamento desses serviços”, garantiu adiantando que o pelouro da limpeza pública, higiene e jardins ficará a seu cargo.

As outras questões fundamentais para a cidade, como o desenvolvimento económico ou a cultura também irão merecem a atenção da autarquia.

Antes de terminar o segundo mandato, a governação socialista da CME iniciou algumas das obras ainda previstas no programa eleitoral de 2005, como o Complexo Desportivo Municipal, a recuperação do Salão Central, ambos previstos para o verão do próximo ano, e a nova Escola EB1 com Jardim-de-Infância dos Canaviais, cuja construção ficara suspensa por questões jurídicas.

O reordenamento e requalificação do Rossio de S. Brás e da Horta das Laranjeiras “está na fase de ultimação do plano de pormenor”, garantiu o autarca acrescentando que esta “obra é essencial para o desenvolvimento e requalificação da cidade” por isso devemos estar em concordância sobre a sua execução.

José Ernesto Oliveira mostrou-se convicto sobre a concretização daquelas empreitas cuja responsabilidade não compete ao poder local, como o Hospital Central, a estação do TVG e o troço do IP2 Azaruja / S. Manços.

Todas estas “são obras essenciais para que Évora continue a desempenhar o papel liderante em termos regionais e sobre tudo ser uma cidade que contribui para combater a desertificação para dar um contributo decisivo para o desenvolvimento do país”.

Sobre a actual situação do cinema da cidade, o governante ressalvou que a celeridade do processo não depende do poder autárquico. José Ernesto Oliveira referiu que deseja ver realizada e resolvida essa questão na medida em que também trará mais desenvolvimento e comércio modernizado para a cidade.

Capoulas Santos, presidente da Assembleia Municipal (AM), considera que a reeleição aumenta a responsabilidade e exigência “na isenção, equidistância e condução dos trabalhos da forma mais democrática possível”.

A experiência política que trás dos mandatos anteriores, permite-lhe ter uma visão mais alargada sobre os factos ao mesmo tempo que é “mais fácil fazer corrigir eventuais erros cometidos no passado”, admitiu o governante.

Neste mandato, a mesa da AM será constituída pelos três partidos de esquerda que se fazem representar, PS, CDU e BE, por ordem decrescente de peso eleitoral. O PSD que ocuparia o terceiro lugar não concordou com esta estrutura, por isso manteve-se afastado.

“Não se tratou de nenhuma coligação formal”, esclareceu Capoulas Santos que acrescentou que “o PS propôs que a mesa reflectisse a pluralidade das escolhas dos cidadãos” no sentido “que fosse composta por todos os partidos com lugares decrescentes em termos de importância”. Por esta lógica, a mesa deveria ser composta por PS, CDU e PSD, mas “o PSD recusou este convite e o BE aceitou”, explicou o presidente da AM.

Aquele órgão municipal tem utilizado uma política de gestão descentralizada. Esta foi implementada há oito anos e, segundo o presidente da AM, “é muito importante levar a Assembleia às Freguesias rurais” porque “obriga que o primeiro ponto da ordem de trabalhos seja sempre um debate sobre a situação e os problemas da Freguesia”.

Oposição disponível para encontrar consensos

Eduardo Luciano, vereador eleito pela CDU, admitiu que “as forças políticas envolvidas [na gestão autárquica] mostraram abertura para encontrar os consensos necessários para os interesses do município”. Mais, o vereador comunista ressalvou que tem de se “encontrar pontos de entendimento porque se isso não acontecer tal vai reflectir-se na vida das pessoas”.

A posição da CDU está, no seu ver, bem definida. As questões que tenham sido previstas no programa eleitoral da CDU e que sejam apresentadas pelo PS não terão qualquer oposição ou entrave. Por outro lado, o vereador afirmou que não irá compactuar com ideias políticas das quais não concorde. “Não nos peçam para viabilizar posições que vão contra o nosso compromisso com os eleitores”.

“É preciso uma estratégia para captar emprego”, alertou o vereador que considera contra producente “ficar à espera da concretização do projecto da Embraer”.

“Temos que ajudar o tecido empresarial local”, disse. O Parque de Feiras e Exposições foi uma das promessas eleitorais da CDU que não constará das prioridades do governo socialista.

Eduardo Luciano lamenta a posição da autarquia referindo que não deverá propor essa obra no decorrer do mandato porque “a gestão camarária não tem essa flexibilidade”, e “quem tem o poder e os meios é a força mais votada, o PS”.

António Dieb, vereador do PSD, explicou que a não irá fazer uma oposição vincada à presidência porque o interesse público sobrepõe-se a quaisquer partidarismo. O vereador está determinado a levar a cabo o programa eleitoral que apresentou, dentro daquilo que lhe seja permitido no decorrer do mandato socialista.

O presidente da CME considera “honrosa a responsabilidade de ser coordenador deste projecto que se vai implementar nos próximos quatro anos".

Verónica Ferreira
in REGISTO, 26.10.2009

Academia de Música: um manto de silêncio…

É interessante que surja aqui tanta indignação, e se calhar com razão, contra o que está a acontecer no Lusitano, mas quanto à Academia de Música parece que paira um silêncio ensurdecedor. Será porque afinal a cidade de Évora não tem afinal qualquer tradição cultural? Ou porque todos os principais partidos do poder em Évora foram coniventes, responsáveis e actores dessa instituição centenária? A contestação efectuada por muitos sócios, sobre a gestão desastrosa do Dr. Adelino não teve qualquer eco junto do poder autárquico e governamental. Aliás pessoas de todos os partidos colaboraram na derrocada da instituição. Financiada pelo Estado e pela Câmara Municipal desde sempre, na Academia foram enterrados num espaço de 10 anos, cerca de 15 milhões de euros. Onde estão? O que aconteceram às dívidas? Quem foi responsável por elas??? Sobre isso apenas existe um manto de silêncio. Com conivência de todo o poder de quase todo o espectro político.

25 Outubro, 2009 22:37

Medina Carreira ao Expresso:


(Expresso – Revista Única, 24.10.2009)

AINDA SARAMAGO

ouve bem o que eu te digo
sem pretender ser amargo
:
tantos há que sendo Trigo
aspiram ser Saramago


Platero
(h)ortografias

Perguntas sobre Deus

25 Outubro 2009

A Câmara Municipal não assume a defesa dos cidadãos e das instituições cívicas

As forças de apoio ao Dr. Ernesto, o imobiliário e a especulação, montaram o negócio, corromperam o clube, e já começaram a betonar o espaço desportivo.

A câmara viabilizou e encorajou as alterações ao Plano [Director Municipal], que permitiram atacar o clube, fazer o novo estádio em Reserva Agrícola, e promover o embuste, com o histérico "espírito da selecção".

A Direcção, incompetente, e cega pelo brilho do dinheiro fácil, vendeu-se, e ao clube. Espatifaram o que tinham e o que não tinham. Trocaram as instalações sustentáveis e úteis, por um "palácio", insustentável e inútil.

Faz lembrar as outras instalações do Euro 2004, destinadas à implosão.

Faz lembrar o ataque à Academia de Música: grandes doutores, grandes obras, grandes investimentos, grandes ordenados... para tudo ruir num instante.

Faz lembrar o ataque da Câmara e da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), ao longo do último mandato, às associações com sede no Centro Histórico.

Os selvagens no poder atacam as associações cívicas. Manobram pela posse do património edificado, pelo lucro do imobiliário, pela destruição do património social e associativo de Évora.

As pessoas, organizadas pelo interesse colectivo, as instituições e a obra social, são perigosas, desprezíveis e dispensáveis.

Tal como no fascismo, a Câmara não assume a defesa dos cidadãos e das instituições cívicas. Pelo contrário, estas Câmaras "socialistas" participam activamente, e com interesse próprio, no esbulho das instituições, e na destruição da sociedade eborense.

25 Outubro, 2009 11:34

Por momentos não percebi o que estava a acontecer…

(…) Ontem assisti no Évora Hotel, a um provincianismo, a um beija-mão impressionante. Não sei se seria eu com as pessoas com quem estava, que estaríamos a mais. Toda a gente que chegava e via o Presidente da Câmara, José Ernesto, o ia beijar ou apertar a mão. A música de animação do hotel, também não ficou indiferente e dedicou-lhe uma canção. Por momentos não percebi o que estava a acontecer…

Isto passou-se ontem, num espaço que era suposto ser neutro. Sei que não foi o senhor que pediu, ou fez algo para isso, foram as pessoas, que não resistiam a tal presença, pois