20 Abril 2014

P Á S C O A

não de Betânia mas da Igrejinha
não 6 mas apenas 3
dias antes da Páscoa

não de burro novo por montar
mas de Mercedes velho
de conta-quilómetros já virado

não acompanhado por apóstolos
sozinho
como empedernido solitário

aí vou eu entrar em Évora
não como jesus em Jerusalém
nem para fazer milagres
nem para ser crucificado

sou ninguém

- quem investiria em mim
uma cruz de pinho da Carpintaria Avis
uma dúzia de pregos
da Drogaria Azul ou da Sofio?

voltarei tranquilo a casa
para cuidar das rosas e dos gatos

pelo caminho
enquanto conduzo canto
ou assobio

viver sozinho - como eu
tem esta vantagem
:
a certeza
de não partilhar o espaço

com Judas
ou Pilatos

Platero
(h)ortografias

19 Abril 2014

THE EUROPEAN CRISIS GAMES
World Crisis Theatre / The Power of Crisis

THE EUROPEAN CRISIS GAMES” no Teatro Garcia de Resende, nos dias 22 e 23 de Abril pelas 21h30m, integrado na acção “The Power of Crisis” e nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril da Câmara Municipal de Évora.

Haverá também um workshop no dia 21 de Abril às 10h (gratuito com inscrição prévia obrigatória - 967 215 560 ou exquorum@gmail.com) e uma conversa com a equipa no dia 23 às 18h30m (sempre no Teatro Garcia de Resende).

O projecto “World Crisis Theatre 2012-2014” (WCT) propõe, nesta última etapa, explorar a crise europeia na óptica de um jogo. Num mundo de grandes jogadores e de jogos de alto risco, com a economia mundial vulnerável, o “The European Crisis Games” pretende questionar a comicidade da nossa actual situação financeira.

Oito cidadãos europeus são atraídos para o jogo de azar com a dívida soberana, o futuro.
Vão ouvir as palavras dos economistas, banqueiros, políticos, comerciantes…
Oito cidadãos vão tentar desvendar os mitos e os segredos dos algoritmos e fórmulas matemáticas.
Oito cidadãos europeus vão tentar entender como o desejo insaciável de dinheiro, poder e risco, nos levaram à beira da ruína financeira.
A questão é – quão longe irão as pessoas para ganhar o jogo da crise?
A questão é – a partir de que ponto é que as regras deixam de se aplicar?
A questão é – o que é que realmente acontece quando eles vão longe demais?

(COMENTÁRIO em - que recomendo - "E Deus criou a mulher")

sardenta
meio-no-escuro

macia
como pele
de pêssego
maduro

Platero
(h)ortografias

18 Abril 2014

Manuel Dias apresenta: Desenhos anos 70/80
Inauguração 23 de Abril pelas 18:30

Integrado nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril
com Nuno do Ó

PAPÉIS VELHOS

AFRO-LUSO-BRASILEIRO
CALDO DE COR E DE GENTE

O MELHOR DO MUNDO INTEIRO
- A MELHOR PARTE, A QUE SENTE

Platero
(h)ortografias

A 2ª Troika!
(Trabalhadores, Desempregados e Reformados)

©Joaquim Palminha Silva

            Veio impresso nos jornais diários do dia 13 de Abril (2014) que, segundo a Comissão Europeia (com sede em Bruxelas) as pensões dos reformados devem passar a depender da evolução da economia e de indicadores demográficos. Medida esta a entrar em funcionamento já em 2015.

            Quem empresta dinheiro (FMI,CE,BCE) tem, pois, o direito de impor a legislação social que lhe convém, o seu ritmo e as suas finalidades ao país cujo governo, numa hora de desastrosa aflição pediu empréstimos (a altos juros), sem contudo solicitar democraticamente autorização aos cidadãos para fazer tal em nome da Nação.

            Seja como for, é esta a lógica da Troika, que acabou por envolver Portugal e os seus governos numa apertada rede de compromissos, que nos torna a todos vassalos obedientes do kapital multinacional, disfrutando apenas de um simulacro de democracia e de uma aparente possibilidade de escolha, quando, afinal, o comportamento dos governos e, por acréscimo, do eleitorado português está canalizado para a obediência cega, sob risco de represálias, nomeadamente a cessação dos últimos empréstimos…

            As medidas impostas pela Troika estão a transformar Portugal numa versão actualizada do filme Metropolis de Fritz Lang, com as suas multidões de assalariados escravizados, reduzidos a uma vida subterrânea, explorados e miseráveis. Assistimos ao retrocesso desumano de todo o nosso sistema de há décadas atrás, aceitando que a única saída da crise é a reintrodução (de modo acelerado) de modelo de produção do século XIX, dos mecanismos do mercado global e da rápida privatização de sectores vitais (recursos naturais, etc.) da subsistência nacional.

            Na verdade, acredito que a questão posta pela Comissão Europeia (vd. 1º parágrafo) está de acordo com os parâmetros da globalização, onde se inscrevem as estratégias dos grandes grupos e firmas multinacionais em demanda do maior lucro no tempo mais curto e, sobretudo, com horários de trabalho que nos remetem para 50 e mais anos atrás, despendendo entretanto o menor kapital possível em salários e condições laborais (seguros, higiene nos locais de trabalho, taxas para a segurança social, medicina do trabalho, etc.).

            Mas a questão, creio, está mal colocada do ponto de vista ético e, diga-se, cristão! É preciso recusar esta lógica de desenvolvimento, de crise em crise; é preciso recusar um sistema que consome e destrói o cidadão!

            A presente situação é vista de cima, pela Comissão Europeia. Pois bem, é preciso visioná-la de baixo para cima, pelos olhos dos trabalhadores, desempregados e reformados. Isto é, à troika de cima, corresponde uma troika… de baixo!

            Nesta ordem de ideias, a solução paulatina da crise deverá limitar institucionalmente o volume autorizado de riqueza (bens móveis e imóveis), que deve estar indexado à diminuição gradual dos níveis de pobreza e depender, por conseguinte, da redução do número de desempregados, bem como de indicadores demográficos, já no curto prazo, dos quantitativos de pobreza e carências sociais e de cuidados de saúde do maior número, entretanto recenseados de forma credível pelas instituições competentes.

            A democracia política e os seus princípios, embora sempre sob a ameaça de serem esvaziados do seu conteúdo igualitário pelos mecanismos “naturais” da economia kapitalista global, não deixam de representar protecções, parapeitos contra o reino sem partilha dos “mercadores” e a ditadura das “mercadorias”.

            Convém não esquecer e, depois, arriscar a perda da nossa perspectiva cristã num mundo que se descristianiza, pois nas pregas da sociedade, o racismo, os fundamentalismos e o anti-semitismo, bem como regras de produção que remontam à barbárie do século XIX arreganham os dentes e matam!

17 Abril 2014

O lado de lá

O PCP apresentou ontem, pela quarta vez, um projecto de resolução pela renegociação da dívida pública e pela quarta vez o resultado foi o mesmo, tendo o PS, o PSD e o CDS votado contra a proposta que a bancada comunista apresentou.

A única diferença entre este projecto de resolução e os anteriores, é que este é apresentado após a divulgação de um manifesto subscrito por alguns supostos senadores da República reclamando a reestruturação da dívida pública.

Lembro as declarações de alguns militantes do PS quando durante mais de uma semana se discutiu o conteúdo do dito manifesto, acreditando que a direcção do seu partido acompanharia as propostas nele contidas.

Bastou a ida à Assembleia da República de uma proposta de resolução para se desfazer a ideia de que o PS teria mudado de lado e abandonado a troika interna passando-se para o lado da maioria dos portugueses.

Não foi assim, como se pode verificar pela votação mas em particular pela violência das intervenções contra a proposta do PCP.

Dir-me-ão que a proposta do PCP é diferente da constante do mediático manifesto. Concordo. A proposta da bancada comunista aponta para a necessidade de renegociação da dívida nos juros, prazos e montantes e aponta para um caminho de políticas de defesa e reforço da produção e do investimento, que permita o crescimento da economia e um eficaz combate ao desemprego.

Mas ainda assim existe uma base de convergência, cada vez mais alargada, de que a dívida pública é insustentável e que o caminho seguido até agora levará ao empobrecimento generalizado da maioria dos portugueses, sem a contrapartida de ver reduzida a dívida.

Parece que fora deste consenso alargado estão apenas os partidos que assinaram o memorando com a troika externa e o senhor de Belém, tão bem caracterizado por Alexandra Lucas Coelho na cerimónia em que recebeu o grande prémio de romance da APE.

A posição assumida hoje pelo PS na Assembleia da República faz-nos pensar que o significado da palavra mudança, que ornamenta agora os cartazes de pré campanha eleitoral, tem tanta correspondência com a realidade como a utilização da palavra irrevogável pelo ministro de estado do CDS.

A mudança que nos propõem parece ser o famoso salto da frigideira para o lume, depois de termos saltado do lume para a frigideira quando passámos do PS para o PSD/CDS.

Dizia-se no projecto apresentado pelo PCP: "Hoje, mais do que nunca a questão está em saber se se rompe com a política de direita, se se assume uma política patriótica e de esquerda que tenha como primeira e importante decisão a renegociação da dívida pública em benefício dos trabalhadores, do povo e do país, ou se se permite que o país continue a ser arrastado para o desastre."

A votação de ontem foi esclarecedora sobre de que lado se coloca o PS.

Até para a semana

Eduardo Luciano

in CrónicasdaDianaFM, 17 Abril 2014

VÉLHINHO - DE MEMÓRIA
escrito no velho PORTUGAL há um ror de anos

:
que nunca amar nos canse
e o mundo mude

e cada um de nós ajude
e o mundo avance

e cada um de nós avance
e o mundo ajude

Platero
(h)ortografias

Poemas patrióticos - 2

©Joaquim Palminha Silva
«Malhas que o império tece»
Chocalham cruzados
nas cavalgaduras
buzinam tratados
ferrugem nas dentaduras.

Made in Macau
Brasil ou Angola
fim do mundo
e cacau
decorados na escola.

«Malhas que o império tece»
quando a dama pé-de-cabra
o adormece.

E a pátria fez-se
de picuinhas
barbudos
e tabuinhas…


Seremos?
Por armas e defesa
de fome açodada
a morte à mesa
servida à cutilada.

Fortaleza de enganos
cai quanto mentiu
por todos os anos
passados em Diu.

Fomos?
Somos
o quê?

Seremos
o que se lê?

Mas que tem lá isso agora?
… Adiante!
Loucos hora a hora
está para nascer quem nos mande
da loucura para fora!

16 Abril 2014

Esta guerra não é nossa

Como em qualquer tragédia, o altar do sacrifício está montado e o sangue já começou a correr. A crise na Ucrânia pode já ter passado o ponto de não-retorno. Para além dos mortos que irão multiplicar-se nos próximos dias, esta guerra emergente marca o fracasso do mito de uma política externa e de segurança europeia comum. É mais um sinal de decomposição da União Europeia. Para Portugal, para Espanha, para a Itália, para a França (quando ela se tiver curado da doença do sono, na sua estirpe Hollande), esta guerra é absurda e contrária aos respetivos interesses de segurança nacional. Que a Polónia esteja em pânico, compreende-se, mas o que é inadmissível é que Berlim tenha juntado a lenha, acendido os fósforos, e agora se coloque numa segunda linha a ver a fogueira a arder. Já tinha acontecido em 23 de dezembro de 1991, quando a Alemanha foi o único país comunitário a reconhecer a independência da Eslovénia e da Croácia, desafiando a prudente política de Washington, para depois se entregar a uma longa indolência, enquanto o inferno se abria nos Balcãs. A chanceler Merkel não pode esconder-se atrás dos 28 da União Europeia, ou dos aliados da NATO, à espera que toda a gente se esqueça do entusiasmo com que apoiou os insurrectos, cobertos de iconografia extremista e antissemita, na Praça Maidan. Não é do interesse comum europeu hostilizar a Rússia, e muito menos colocá-la, como está a ocorrer agora, entre a necessidade de escolher entre a humilhação ou a aventura militar. Obama deve tomar conta desta crise, antes de ela se tornar incontrolável. O país que nos últimos 20 anos construiu nas fronteiras da Rússia um Hinterland económico, como substituto do sonho geopolítico de uma Mitteleuropa, não está em condições de falar nem em nome da Europa nem da paz mundial.

VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

in Diário de Notícias, 16 Abril 2014

Concerto no Imaginário

O nome “The Cozmics” é uma mistura entre a alusão ao universo dos comics americanos e o som psicadélico [cósmico] da guitarra solo. A banda eborense – com influências que vão desde o Punk-Rock de final dos anos 70 (Clash, Ramones), até ao Rock Gótico de princípio dos anos 80 (Siouxsie & The Banshees, The Cure, Chameleons), entre muitas outras – é constituída por, Fernando Bento na voz e guitarra, Fernando Mendes na guitarra solo, Luís Rufo no baixo e Carlos Mavioso na bateria.

Próxima caminhada do Grupo do Caminheiros de Évora

À atenção dos serviços de pavimentação e calcetamento da CME.

Os paralelos do calcetamento da passadeira junto ao semáforo da circular à muralha (no sentido porta de Alconchel-Porta da Lagoa, no semáforo que antecede a rotunda) estão soltos.
Constitui um perigo tanto para automobilistas como para peões, a que urge proceder a reparação.

16 Abril, 2014 19:34

A FINANÇA
CONTROLA A POLÍTICA MUNDIAL

dominando os monopólios das NOTÍCIAS

por um lado Lehman´s & Brother
Moody´s

por outro BBC
REUTERs
FRANCE PRESS

estas parcerias diabólicas
podem fazer ou desfazer exércitos
nações
impérios em poucos dias

a INFORMAÇÃO
continua a ser a ARCA
do poder

à mão dos poderosos

há quanto tempo
nem uma só palavra sobre a guerra
na SÍRIA

há mais de um mês
ia em mais de 150 000 mortos

- Damasco Aleppo
Homs Hama
ruínas bombardeamentos
rockets
hospitais esventrados
guerra química

tudo cessou de um momento para o outro?

já se joga xadrez à sombra das árvores dos jardins de Aleppo?
já se toma chá de menta
nas esplanadas de Homs?

já todos os prédios os Palácios
os tugúrios esventrados de Hama
foram limpos dos odores letais
do gás Sarin?

o foco das notícias agora é a Ukrânia

nem que seja
para dar a conhecer
que
num ataque de milícias soviéticas
ficou ferida uma velhota
que passava inopinadamente em frente
de Repartição Pública ocupada

transportando à cabeça
um avio semanal de compras para casa

não me venham com estórias
:
Gates Carlos Slim Soros
multimilionários do mundo
donos de todos e de tudo

o vosso negócio não é só
de produtos informáticos ou de bolinhos Dan-Cake
ou de Aspirinas
ou de vender Cruzeiros em time-sharing
a reumatizados reformados

não me venham com estórias

vocês sabem muito bem
por que está silenciada
a Guerra da Síria

Platero
(h)ortografias

DEBATE:
Árabes e Europeus: O capital predador entre ditaduras e democracias
17 Abril | 21h30 | Alcárcova de Baixo, 45



Evento no Facebook: Aqui

Poemas patrióticos - 1

©Joaquim Palminha Silva

Alentejo em Lisboa
In memoriam de Antunes da Silva

            *
Há sons vadios nas algibeiras
e um sol emoldurado nos olhares…
Mas têm a vida inteira
para a desejar
de outra maneira.

Vivem em quartos sem claridade
onde se fumam cigarros
enquanto o oco da cidade
apita através dos carros.

Beduínos no meio da seca
malteses e alentejanos?
Cães da charneca
fugidos aos donos?

Sua manta são palavras…
Longe vivem de cartas
como da couve a larva
passam dias metidos em gavetas
numa terra de gente parva
onde se descontam letras.

Viram o mar!
-Sim? E depois?
Já se sabia da televisão!
Mais valia ficar
na terra do nosso pão…


País
Ouvi caravelas chapinhar
sobre negros como lastro
baús a chiar…

Escutai ruídos de mar
trons e arcabuzes
e sangue sem para
despejado por alcatruzes.

Olhai populações pasmadas
senti o mau-cheiro dos donos
das casas arruinadas
e o bolor dos anos…

Escutai unhas de salvadores
arranharem lascas
de ideias…

Eis o país esqueleto
de ossos numerados.

15 Abril 2014

AUTOS DA REVOLUÇÃO
ÚLTIMA SEMANA EM ÉVORA

O Cendrev e a ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve, estruturas artísticas que integram uma plataforma de companhias da descentralização, juntaram-se para produzir este espectáculo que evoca a revolução do 25 de Abril, neste ano em que celebramos os 40 anos de liberdade e democracia.

O espectáculo convoca para a cena um conjunto de personagens retiradas de várias obras de António Lobo Antunes, para partilhar com o público o seu olhar sobre esse momento maior da nossa História recente. Estas personagens não são heróis, mas pessoas comuns, cheias de contradições, que levam uma vida anónima nas margens dos acontecimentos. Os relatos sincopados de cada testemunha são como na vida: os pormenores, aparentemente estranhos, mas todos implicados na mesma história, juntam-se, pouco a pouco, a um inquérito sobre o 25 de Abril e os acontecimentos que se seguiram. Desta confrontação nascem por certo perguntas inevitáveis com o andar do tempo e á luz da fervura que sacode o país actualmente.

No elenco participam Maria Marrafa, Bruno Martins, Jorge Baião, Tânia da Silva, Rosário Gonzaga e Mário Spencer. A encenação é de Pierre-Etienne Heymann, cenografia de Elsa Blin, direcção musical e sonoplastia de Gil Salgueiro Nave e iluminação de António Rebocho.

“Autos da Revolução” termina a sua temporada no Teatro Garcia de Resende no próximo domingo, dia 20 e inicia a sua estadia no Teatro Lethes, em Faro, no dia 25 de Abril onde ficarão em cena até dia 11 de Maio, seguindo depois para uma digressão que leve o espectáculo a quatro cidades galegas e algumas cidades no norte do país.

A V I S O

ainda a tempo de evitar
que gente canalha
transforme CRAVOS

de gente que trabalha

em sinónimo
de escravos

Platero
(h)ortografias

14 Abril 2014

Metade das câmaras de Évora acorda horário de 35 horas

Metade das 14 câmaras municipais do distrito de Évora já chegou a entendimento com o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) para a manutenção das 35 horas de trabalho semanais, disse hoje fonte sindical.

"O Acordo Coletivo de Entidade Empregadora Pública (ACEEP) foi hoje assinado com o sexto município, o de Borba, e segue-se o de Évora, na terça-feira", explicou à agência Lusa Vítor Carrasco, coordenador distrital do STAL.

Além destas duas câmaras, o acordo, que prevê a reposição das 35 horas de trabalho semanais para os funcionários das autarquias, também já foi assinado nos concelhos de Alandroal, Arraiolos, Montemor-o-Novo, Mora e Vila Viçosa, todos geridos pela CDU.

"Das sete câmaras abrangidas pelo acordo, seis são de maioria da CDU e uma, Borba, é gerida por um movimento independente", disse Vítor Carrasco.

Segundo o responsável distrital do STAL, o objetivo, no distrito de Évora, é o de "chegar a entendimento com todos os municípios", estando já outras autarquias "na calha".

"Temos outras negociações em fase adiantada, nomeadamente em Portel, Mourão e Reguengos de Monsaraz", todas elas câmaras de gestão socialista, indicou.

No distrito de Évora, segundo o STAL, o horário das 40 horas semanais "apenas está a ser aplicado na Câmara de Estremoz", município que já disse estar disponível para um acordo visando a redução para as 35 horas, mas abrangendo "todos os trabalhadores e não apenas os sindicalizados".

BE reuniu-se com delegados sindicais e trabalhadores da KEMET Electronics

Hoje, dia 14 de Abril, a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Aiveca, a candidata ao Parlamento Europeu Maria Helena Figueiredo e a Comissão Coordenadora Distrital de Évora do Bloco de Esquerda reuniram-se com delegados sindicais e trabalhadores da fábrica de Évora da KEMET Electronics.

Os trabalhadores da KEMET encontram-se em luta contra o despedimento colectivo de 127 trabalhadores. A deputada Mariana Aiveca ouviu os trabalhadores sobre a ilegalidade desse despedimento e sobre os apoios estatais no valor de mais de 30 milhões de euros recebidos pela empresa e não aproveitados para aumentar e, agora, manter a empresa a laborar em Portugal. Apesar de dar como desculpa a diminuição da procura dos componentes que são produzidos na empresa, a empresa tem tido resultados positivos, pelo que a deslocalização para o México apenas tem como intuito aumentar, ainda mais, os lucros obtidos.

Mais uma vez se demonstra que o Capitalismo não tem rosto, não tem sentimentos e preocupa-se unicamente com os lucros dos seus accionistas e nunca com as pessoas que produzem no dia-a-dia a sua riqueza.

A deputada Mariana Aiveca salientou a solidariedade do BE quanto à luta dos trabalhadores e referiu a necessidade de apresentar na Assembleia da República a justiça desta luta, da qual será porta-voz.

Évora, 14 de Abril de 2014
A Comissão Coordenadora Distrital de Évora do Bloco de Esquerda

Centro Histórico com mais de mil edifícios abandonados


Estamos De Pé!

Casa cheia na inauguração da nova sede do Bloco de Esquerda em Évora. O evento decorreu ontem e contou com as intervenções de José Soeiro (membro da mesa nacional do Bloco), Adel Sidarus (mandatário regional da lista do Bloco de Esquerda às Eleições Europeias) e Maria Helena Figueiredo (candidata ao Parlamento Europeu).

Reconfortante estar perto de tanta gente de confiança, gente de esquerda, gente que não verga, que está disponível para lutar, para enfrentar… gente que está de pé contra a austeridade que o capitalismo selvagem nos traz, dia após dia.

Gente que não tem medo, que dá a cara, que verga preconceitos e se levanta perante a injustiça e a violência neo-liberal.

Enfim… Gente que está disposta a fazer da memória do que aconteceu em Abril, há 40 anos atrás, alento para um novo futuro.

Vivemos tempos muito difíceis. A agenda da direita é clara. Tentarão continuar a utilizar os mecanismos austeritários, provocando medo e sentimentos de culpa, para continuar a promover o desemprego e a pobreza, retirando recursos quem trabalha para entregá-los, de mão beijada, à grande finança.

Mas nestes tempos há quem desfaça o medo e esteja pronto para lutar por um novo rumo. Gente que não quer a “mudança” que alguns anunciam, mas que na verdade significa alternância para mais do mesmo. Gente que quer a revolução, para um País e uma Europa do Emprego, da Solidariedade, da Confiança, da Cidadania, da Cultura, do Ambiente, da Justiça Social e Fiscal.

Um país para o Povo e uma Europa dos Povos. Não desistimos! Estamos de pé!

Bruno Martins

in Crónicasda DianaFM, 14 Abril 2014

para SOEIRO PEREIRA GOMES
(no dia do seu nascimento)

“os homens irão para a Fábrica
a cantar”

nunca mais tristes
como pássaros cinzentos
frios da chuva dos beirais da oficina

homens móveis
- flores alegres saindo das gargantas
bolsos cheios de lagartixas vivas
jamais de esperança

irão malhar o ferro
ou serrar o fino e aromático eucalipto
ou ameigar ao torno o bronze da biela
ou polir os metais
com as longas limas da oficina

“os homens irão para a Fábrica
a cantar”

que lhes não dói
a casa escura e húmida que deixaram
nem o vazio
do estômago dos filhos
e as suas companheiras
se despedem deles com um beijo

não mais receberão salários
magros
em paga de suor
nas longas filas dos escritórios

correrão para a fábrica
como de casa os filhos para a Escola

alegres
não como quem vai ao fim do mês
receber do patrão a sua esmola

um dia
“OS HOMENS IRÃO PARA A FÁBRICA
A CANTAR”

Platero
(h)ortografias

Os Imbecis!

©Joaquim Palminha Silva
«Os tolos crescem sem ser regados»
«O parvo se é calado, por sábio é reputado»
- Ditados populares portugueses.

            Não há na sociedade pessoas mais uteis e reprodutoras do que os imbecis (tolos, parvos, estúpidos). Se não tivessem existido homens e mulheres de génio, é bem possível que ainda fossemos bárbaros, todavia sem os estultos, sem os imbecis, o género humano talvez tivesse muitas dificuldades em chegar aos nossos dias.

            Na verdade, às vezes passam cinquenta anos ou um século sem que surja um engenho soberano e fora do ordinário e uma dúzia de génios que nos deixem de “boca aberta”, mas cada dia que passa vimos crescer, florescer e multiplicar-se a infinita multidão dos imbecis!

            Por toda a parte os encontramos, mesmo onde não esperamos e, pior, onde não deveriam estar… - Não há imbecis somente nos humildes lugares da sociedade, subalternos e obscuros, mas nos primeiros e mais visíveis postos de comando social. O facto é que os imbecis formam a maior “corporação” da Humanidade, de tal forma que quem estudar o Homem, acaba por ser obrigado a definir a natureza dos medíocres e dos idiotas, dos imbecis.

            Este cálculo pode parecer exagerado e insolente, sobretudo a quem não preste atenção ao facto de que o verdadeiro imbecil, na maior parte dos casos, está seguríssimo de não o ser…

A “grande máquina” do mundo não tem mecânicos mais activos que os imbecis. Nada os detém: - Nem a dúvida dos reflexivos, nem a humildade das grandes almas, nem o sentido de responsabilidade dos sábios!

            Os imbecis evidenciam-se pela sua vaidade e são, ao mesmo tempo, de uma altivez que aterroriza pelo seu descaramento. Cada nação europeia (umas mais que outras) está repleta de imbecis que escrevem, que ensinam, que falam aos cidadãos, que são deputados, que governam, que comandam exércitos, que tratam dos «negócios estrangeiros», que administram empresas públicas, que elaboram “teorias” de toda a espécie… Enfim, que temos de aturar todos os dias e até ao fim da nossa vida!

            Os imbecis vigorosos são muito úteis para o “progresso” da Humanidade, sobretudo aos não imbecis. Os estúpidos desempenham uma infinidade de cargos, funções, responsabilidades, que acarretam maçadas e horrores que os inteligentes rejeitam e, mais ainda, os imbecis servem como pano de fundo para oferecer maior relevo aos espíritos superiores.

            No entanto, a convivência com os imbecis é um continuado martírio para os que não são idiotas. Uma pessoa medianamente inteligente, que seja obrigada pelas circunstâncias a conviver com imbecis, será na maioria das vezes detestada, vítima de troça e, com toda a certeza, incompreendida. Ouvir as conversas dos imbecis faz mal, porque a idiotia é irritante e “contagiosa”: - Querer contradizer os imbecis é loucura, porque o seu número é infinito e, além do mais, são extremamente teimosos…

            Diga-se, também, que há uma declarada aversão por parte das pessoas medianamente inteligentes para com a multidão dos imbecis. Tal não acontece sem justo motivo, porque entre os imbecis se encontram os “felizes” inconscientes e os poderosos indiferentes à Humanidade. Enquanto onde há inteligência existe também maior dor e preocupação com os males da Humanidade.

            Ninguém está mais seguro de si e satisfeito com o seu próprio ser do que um “perfeito” imbecil: - O espírito dá-lhe poucos cuidados, pois a única coisa que o poderia entristecer é aquela que naturalmente ignora, isto é, a sua imbecilidade!

            Não é de estranhar, pois, se muitíssimas vezes os imbecis têm mais êxito social do que as pessoas com efectivo talento. Enquanto estas últimas são obrigadas a combater a mediocridade e a imbecilidade do meio ambiente, o imbecil, vá por onde quer que seja, encontra-se sempre entre os seus iguais, entre companheiros e é, por espírito corporativo, ajudado e protegido. O imbecil não difunde senão pensamentos vulgares e de forma usual, e por isso é aprovado pelos seus semelhantes, que são a maioria, enquanto a pessoa acima do comum tem o terrível hábito de se contrapor às opiniões dominantes e de querer mudar, juntamente com as mentalidades correntes, a vida social.

            O favor universal que acolhe os frutos do pensamento e das obras da imbecilidade atrevida, acaba por aumentar a felicidade da legião de imbecis. Na verdade, a maior vitória dos imbecis, dos estultos, é constranger as pessoas inteligentes, incluindo os sábios, a agir e a falar como os estultos, seja para viverem a sua vida de dedicação à Humanidade com alguma tranquilidade, seja para fazerem passar mais fácil e eficazmente a sua mensagem.

            Mas que culpa têm os imbecis da sua imbecilidade? Se a imbecilidade fosse curável, a quem caberia tratar e curar os imbecis? A quem caberia curar estas pessoas com a mente deformada, o coração a esgarçar-se e a alma desabitada? Não faço a menor ideia… Seja como for, sei que só nos restam dois caminhos:- Educá-los ou suportá-los. O primeiro é quase sempre desesperado. O segundo é imensamente penoso.

            Que Deus nos ajude a aturar e a corrigir as imbecilidades dos imbecis!

13 Abril 2014

Almoço/Convívio dos Antigos Alunos da Escola Secundária Gabriel Pereira

Mais informação em http://aaaeice.blogspot.com

Monumento ao quê?

Como diria o Fernando Pessa se ainda cá estivesse...
Monumento ao quê? Pelo estado da peça, toda enferrujada, deve ser Monumento ao FERRO VELHO

VAlves
(recebido por e-mail)

ABRIL


UMA ROSA ABERTA?

NÃO
:
UMA ROSA EM VÉSPERAS DE ABRIR

Platero
(h)ortografias

12 Abril 2014

Brecht em adaptação livre

Câmaras de Évora, Guimarães e Porto exigem manutenção da isenção do IMI nos Centros Históricos

As câmaras de Évora, Guimarães e Porto reuniram-se esta sexta-feira em Guimarães, tendo acordado enviar uma carta aos partidos com assento na Assembleia da República mas também ao Presidente da República, primeiro-ministro, vice-primeiro-ministro e ministra das Finanças. A exigência, segundo o autarca vimaranense, Domingos Bragança, é que “todos os edifícios que estão no perímetro classificado como Património Mundial tenham isenção” do pagamento deste imposto.

O comunicado conjunto das câmaras que saiu deste encontro reforça a “arbitrariedade” como a lei vem sendo interpretada, levando a que haja prédios nos centros históricos a que cujos proprietários estão a ser pedidos os impostos, ao passo que outros donos de edifícios vizinhos mantêm a isenção, sem que haja justificação para este tratamento divergente. Esta prática “representa uma grave quebra de confiança e do princípio de proporcionalidade”, sublinham os autarcas. Em muitos casos, os impostos estão também a ser cobrados retroactivamente, que é “abusivo e ilegal”, sustenta o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

A batalha das três autarquias terá, nesta fase, uma frente política, não estando previsto para já o recurso aos tribunais administrativos. Recorde-se que, em 2010, foi aprovada por unanimidade na Assembleia da República uma recomendação que reafirmava a legalidade da isenção do IMI, devendo esta ser automática e universal nos centros históricos Património da Humanidade. É isso que os autarcas querem agora ver reconhecido pelas Finanças. “O trabalho já está adiantado e não há sequer clarificações a fazer”, sublinha o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá.

in PÚBLICO, 12 Abril 2014

LER = LIBERDADE

não é por acaso que LIVRE

é tão próximo de

LIVRO


Platero
(h)ortografias

PROGRAMA DA NOITE DE 24 DE ABRIL

21:30 – Concentração na Praça do Sertório seguida de Desfile para a Praça do Giraldo com:
Gigabombos do Imaginário
Banda de Música Liberalitas Julia ...
fogo e malabares com Pitu.

22:00 - VOZ À RUA, na Praça do Giraldo

O Colectivo Voz à Rua

Amílcar Vasques-Dias - piano
Daniel Catarino - Voz, guitarra, ukelele
Daniel Meliço - bateria, percussão
Filipe 'Xinês' Caeiro - bateria, percussão
Luís Pucarinho - voz, baixo, guitarra clássica
Mara Barreiros - voz
Pablo Vidal - voz
Paulo Pereira - sopros
Pedro Pinto - voz, guitarra folk, baixo, kazoo
Tó Zé Bexiga - viola campaniça, teclados
Ulisses Couvinha - voz
Zé Peps - guitarra folk, guitarra slide, guitarra eléctrica, ukelele, cuatro venezuelano
Nuno do Ó - voz
Vozes do Imaginário
Gigabombos do Imaginário
Banda de Música Liberalitas Julia
Pim Teatro
Diogo Duro
Rui Nuno

imagem e fotografia:
Cristina Viana - artista visual
Telmo Rocha – fotografia

Sonorização e iluminação:
Audex – som e luz profissional
Manuel Chambel e Fernando Mendes - Som
João Palha e Carlos Mavioso - desenho e operação de luz

Produção:
Associ’Arte – Comunicação e Artes

11 Abril 2014

A sala de visitas está a ficar limpa e atraente...

TRALHABAZAR, 12 Abril, sábado, 16:00, Inatel

Debate: Democracia e Dívida
É Neste País | Sábado, 12 de Abril, pelas 16:00

Mas afinal, que Dívida é esta e porque é que a Democracia está submetida a ela? Que podemos fazer? Pagamos, reestruturamos ou não pagamos? Como auditamos a Dívida? Será que juntos podemos?

Claro que sim (nem há outra forma!).

Conversa democrática e apartidária sobre todas estas perguntas, em Évora.

Com Carlos Júlio, Rui Viana Pereira e Vitor Lima.

Mais informação em:
Blogue:
http://democraciaedivida.wordpress.com/2014/03/30/debate-democracia-e-divida-evora-12-de-abril-16-horas/
Facebook:https://www.facebook.com/events/475027435932390/

CRISE

folar da Páscoa?

- nem é bom folar nisso

Platero
(h)ortografias

Com quantos pontos se conta um conto?
É Neste País | 12 Abril 2014, pelas 11.30h

Nicole, Simão & Susana
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é neste país!
Rua da Corredoura n.º 8, Évora

http://nestepais.wordpress.com/

Novos instrumentos de manipulação e tortura

©Joaquim Palminha Silva

            A radiotelevisão nasceu para ser um veículo de informação e formação de massas. O telemóvel surgiu para facilitar a comunicação imediata (e urgente) entre as pessoas.

            A primeira transformou-se num instrumento de tortura soft, produtora da manipulação e estupidificação das mentalidades correntes. O segundo acabou por tiranizar o indivíduo, tornar-se inconveniente ao facilitar a criação de hábitos de fútil tagarelice e, além de meio de marketing direcionado individualmente, transformou-se num serviço intoxicante do homo democraticus, colocando este numa dependência escusada e fazendo dele uma conta corrente contínua, além de possibilitar ao Poder a espionagem das suas conversas privadas.

            Televisão e telemóvel tornaram-se instrumentos auxiliares da organização disciplinar-coerciva do capitalismo moderno e seus serventuários da política profissional, destinados a ocultar a abjecção das relações comerciais orientadas para o lucro desmesurado e a alienação.

            A despolitização e o embrutecimento das massas ganham proporções nunca antes atingidas com estes novos instrumentos de tortura, possibilitando ao capitalismo uma contra-cultura “democrática”. Televisão e telemóvel alcançam o colectivo e o individual: - Raras são as causas fundamentais capazes de lhe resistirem e, depois, voltarem a galvanizar a longo prazo as energias dos cidadãos.

            Na época em que o crescimento económico sofre colapso, no momento em que a crise de valores éticos assalta o quotidiano lusitano barbaramente, a televisão e o telemóvel multiplicam as suas possibilidades de anestesia continuada, dando garantias aos grandes grupos do Kapital multinacional de que «o povo é sereno»!

            A televisão, omnipresente em todos os locais, até nas enfermarias dos Hospitais, centros de dor e repouso de pessoas fragilizadas, de modo agressivo e autoritário, espalha as suas mensagens através de inúmeros programas e concursos de futilidade exacerbada; a informação que nos é transmitida produz-se com tal rapidez que os acontecimentos se expulsam uns aos outros, impedindo toda e qualquer tomada de consciência, dificultando uma emoção duradoura. Podemos mesmo dizer que se por acaso há um programa de nível cultural razoável, este é exibido nos intervalos da publicidade, tal a vassalagem da televisão (indesculpável quando pública) ao despotismo dos grupos económicos.

            Entretanto, o telemóvel original já não é mais o telemóvel, uma vez “mass-mediatizado” começou a albergar uma panóplia de serviços de utilização que, podemos acreditar, não foram solicitados por ninguém, antes impostos pela necessidade de aumento dos lucros através da incentivação ao consumo permanente.

            E, assim, o consumo das habilidades tecnológicas anestesiadoras da consciência, canalizando os vagos impulsos de racionalidade que ainda poderiam existir nas massas, tornando-as vazias, mergulhadas num caos psicopatológico, vai garantindo pouco a pouco o alheamento dos indivíduos, a hibernação dos cidadãos e, finalmente, o esvaziamento de qualquer eventual perspectiva revolucionária.

            Televisão e telemóvel tornaram-se criadores de uma nova forma de apatia, feita de profunda indiferença pelos acontecimentos mais trágicos, convencendo simultaneamente os indivíduos de que estão na posse de uma constelação avulsa de informações. Paradoxalmente, estes dois instrumentos supostamente fomentadores de maior liberdade de escolha, roubam ao individuo o espaço e o tempo da liberdade, embora o mesmo individuo já se tenha transformado num viciado, num efectivo “toxicodependente”. Poderemos dizer, pois, que o uso da “liberdade” tecnológica troça da Liberdade humana!

            Simultaneamente à esterilização da política, à sua teatralidade kitsch, sofremos o desassossego contínuo… Porque o Kapital precisa neutralizar o silêncio raciocinador, inutilizar os curtos momentos de paz individual que possibilitem uma reflexão mais cuidada: - Entramos, assim, na época do hi-fi, da febre disco! Nada é poupado, nem os locais da cultura nem os locais domésticos e muito menos os locais de acesso público.

            À força de compacto, a mini-aparelhagem entra pelos ouvidos, o walkman, os jogos electrónicos em miniatura instalados no telemóvel, as músicas ao nível do individuo, anexam aos dois instrumentos de manipulação um suplemento de banda sonora e ficção científica soft… Um mundo sem ideal cresce, espalha-se por todos os recantos, ensurdecedor, absoluto. Depois da fase heroica dos ideais democráticos e da revolução socialista, entrou-se na tentativa de desvalorização do social. Com a proliferação de acessórios electrónicos pensados para fingir heterogeneidades, fizeram o individuo prisoneiro de uma apatia ridícula, hipertrofiada. Transformaram-se as massas anónimas em multidão pasmada, que pouco a pouco se descrispa, para tombar no vazio colectivo, anestesiante.

            A grande época das rupturas radicais, do militantismo revolucionário, desmorona-se ante os nossos olhos, emergindo um Poder supostamente democrático, suave, “benevolente”, que podemos interpretar como uma nova forma de autoritarismo gestionário, entre o “respeito” formal pela democracia moderada e a crueldade acomodada aos efeitos especiais, como num filme hollywoodiano, série B.

            O Kapital aposta cada vez mais nas técnicas da apatia, que conduzam à criação de multidões desideologizadas!- Por ora, parece ter ganho a batalha… Mas o seu autismo, dado o carácter do seu próprio processo de desenvolvimento exclusivista, está desconectado de toda a relação com a luta de classes que, sempre em movimento, é de seu natural imprevisível.

            A guerra não está ganha: - Os trabalhadores têm a última palavra a dizer!

10 Abril 2014

Faleceu Carlos Timóteo

A cidade perdeu um homem bom, que adorava a música filarmónica, a sua execução e divulgação.
Era diretor da banda filarmónica da cidade de Évora "Liberalitas julia", abraçou desde o início esse projecto que era uma lacuna que existia em Évora desde a extinção da Banda dos Amadores.
Partiu demasiado cedo quando tanto ainda tinha para dar, mas a vida é assim. Deixa uma enorme saudade e um vazio difícil de preencher.
Até um dia amigo Timóteo, que a tua alma descanse em paz.

10 Abril, 2014 16:06

SUGESTÃO

POR QUE não vos casais, HOMBRES?

seria un PASSO SEGURO

Platero
(h)ortografias

09 Abril 2014

Évora cai aos pedaços...

(clique sobre as imagens para ampliar)
Esta janela é nas traseiras da Sé. Tem rachas enormes. Então, em vez de repararem, colocaram uma rede em arame, como se, no dia que tudo desabar, a rede segurasse.

Depois vem os peritos dizer que não há perigo e no dia em que o perigo aparece, desaparecem os peritos.

Cumprimentos
V.ALVES

(recebido por e-mail)

A ARTE A LUTAR CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Comemorações do Dia da Escola de Artes
12 de Maio, 9:30, Átrio do Colégio dos Leões

RECEITA

como bom maestro
poeta bom
só dá o TOM

leitor compõe
o resto

Platero
(h)ortografias

Uma crónica esquecida…

©Joaquim Palminha Silva

                Faz quase quatro anos que escrevi uma crónica no semanário A Defesa (1/12/2010), sob o título «O corpo sangrento do Alentejo». No segundo parágrafo da dita prosa explicava:

                O «Centro de Artes Tradicionais, uma vez encerrado pela Câmara Municipal de Évora, com a conivência da instituição de Estado denominada Turismo do Alentejo, lança uma sombra que entenebrece por completo um Presidente de Câmara Municipal filho do Alentejo […].

                Será que alguns alentejanos instalados no Poder de Estado (Autarquias e instituições disto e daquilo), começaram agora a ter vergonha das suas raízes da sua terra-mãe?! Será que agora manifestando escandalosa indiferença pelas origens, há uma classe de gente que julga que o design industrial, os desfiles de moda […]., o servilismo bezunta de um turismo desgastado face ao estrangeiro, e outras mecanizadas e electrónicas patetices pós-modernas, é que nos trazem “consideração” internacional e respeitabilidade cultural?!

                Esta gente não é de “direita”, do “centro” ou de “esquerda”! Esta gente não é parecida com nada!

                O Alentejo está de luto!

                Fecharam o Centro de Artes Tradicionais… como quem acintosamente sabe que está a “renegar a mãe”… de que têm “vergonha”! Como quem sabe que está a dizer que “tem vergonha” das suas raízes rurais!».

                Passaram quase quatro anos, creio ser altura de poder saber como está o estado da questão, uma vez que o executivo (PS) que cometeu tamanha barbaridade acabou de ser varrido da Autarquia nas últimas eleições.

                A Câmara Municipal de Évora não pode estar escravizada por contratos danosos, decisões autocráticas ou reacionárias, habilidades e compadrios pontuais. Creio que vai sendo tempo de renovar o espaço onde se instalou o Centro de Artes Tradicionais (outrora Museu do Artesanato) devolvendo-lhe alguma visibilidade, publicitando exposições e mostras regionais nesse espaço.

                Para que não se esqueçam as raízes, aqui deixo meia dúzia de fotografias que datam de há 60 ou mais anos… E que podem ilustrar o mundo rural donde todos saímos, queiramos ou não!


08 Abril 2014

Évora Merece! | Campanha de Limpeza



Évora Doze Meses de Boa Mesa
“Borrego oferece” visita ao Centro Histórico

Uma visita ao Centro Histórico em torno da toponímia alimentar da Évora Medieval é a proposta da Câmara Municipal para o dia 19 de Abril e que visa assinalar a chegada de mais um tema gastronómico na iniciativa Évora Doze Meses de Boa Mesa: o Borrego.

Esta curiosa visita à toponímia eborense carece de inscrição prévia no posto de Turismo da Praça de Giraldo já que está prevista a passagem pela nova loja da Adega Ervideira (Rua 5 de Outubro) para uma Prova Comentada de Vinhos (gratuito) e a degustação de alguns petiscos regionais elaborados a partir do borrego no Restaurante Piparozza (Rua Alcárcova de Baixo), com o preço de 10 euros por pessoa.

As inscrições para este passeio decorrem até ao dia 17 de abril. No dia 19 de abril a concentração far-se-á junto ao posto de turismo dando-se início da visita pelas 16h00.

AOS deuses AMIGOS

em que não acredito
de cuja existência
até duvido

agradeço

não as cores
os cheiros
das flores
o som do canto
de inúmeros
pássaros antigos

o coaxar das rãs
o cantar dos grilos

deuses
eu vos agradeço

a graça de poder

vê-los

ouvi-los

Platero
(h)ortografias

Bloco de Esquerda - Évora | Inauguração da Nova Sede Distrital

O Bloco de Esquerda festejará, no próximo domingo, dia 13 de Abril, pelas 17h, a abertura da sua nova sede distrital de Évora, na Alcárcova de Baixo n.º 45, no centro histórico de Évora. O evento constará de um lanche-convívio durante o qual será apresentado o Manifesto Eleitoral do BE para as Eleições Europeias e contará com a participação de José Soeiro e da candidata Maria Helena Figueiredo.

(NOTA DE IMPRENSA)

07 Abril 2014

Falta de tripulantes impediu socorro a duas vítimas de acidente que acabaram por morrer

«A falta de tripulantes levou uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação do INEM (VMER) a não fazer o socorro a duas vítimas de um acidente e que acabaram por morrer, em Reguengos de Monsaraz.

O caso ocorreu na noite de domingo. O despiste de um automóvel na Estrada Nacional 514 causou ferimentos a dois homens de 52 e 46 anos, que não resistiram.

A VMER em causa, colocada no Hospital do Espírito Santo em Évora, não participou nas operações de socorro às vítimas, confirmou fonte do INEM à Renascença, devido à falta de tripulação designada pela unidade hospitalar.
»

De facto a saúde vai de mal a pior, a começar pelos loucos apaniguados deste governo de gatunos.

Agora confirmam que o INEM não funciona por falta de médicos e enfermeiros.
Mas quando fechavam as unidades de saúde, por esse Alentejo fora, os governantes do Bloco Central prometeram que o sistema ia melhorar, com um novo sistema de comunicações, com viaturas e com helicópteros, para levar os doentes para os Hospitais Centrais.
Tudo mentira.

É assim que eles nos vão matando, com promessas e aldrabices.
E dizem que precisamos é de esperança.
Temos esperança que eles tenham um acidente, e que fiquem horas na estrada, à espera dos cuidados médicos.
Esperança é que se vão embora, o mais depressa possível, para o raio que os parta.

07 Abril, 2014 22:06

Para quando uma solução para a Igreja das Mercês?

Évora ganhou um novo hotel às Portas do Raimundo (não estou a fazer propaganda).

Só que para ganhar esse novo hotel, está em risco de perder um dos seus monumentos, a Igreja das Mercês.

O estado é de tal modo preocupante (ver fotos) que, segundo se diz, os arquitetos que construíram o Hotel estão a estudar a maneira de reparar a Igreja.

Só que o tempo vai passando e devem estar à espera que a Igreja caia para começarem do princípio.

Não sei qual é a Entidade responsável pela Igreja, se é a Câmara se o Departamento do Património que já deveriam estar a acelerar a reparação.

Devem estar à espera que caia em cima de alguém ou de alguma viatura para depois irem para os Tribunais, discutirem durante anos e anos quem é o responsável pelas indemnizações. (até que, como já é costume, prescreva).

Cumprimentos,
V.Alves
(recebido por e-mail)

Portas de Alconchel: Será que não há resolução à vista?

Ainda e sempre a questão do mau estado do pavimento na Rua Serpa Pinto (saída).
Continua, e já vão algumas semanas, uma grade a sinalizar, o local fatídico onde o chão está sempre a abater. Será que não há resolução à vista?

Agora que começou a "ação global de limpeza e requalificação do Centro Histórico denominada Évora Merece! Recuperar/ Manter/ Limpartalvez seja altura de pensarem numa situação duradoura, algumas sugestões até já foram atiradas aqui no Mais Évora.

Outra questão, as grades encostadas à torre de Alconchel, na primeira fotografia, à esquerda, estão lá para quê? É que estão naquele local há meses largos, a delimitar umas pedras que caíram da torre e que foram varridas para um canto. Se há algum problema com a torre resolvam-no, até porque passam naquele local dezenas de pedestres, se não há nada a temer que os serviços camarários tirem aqueles monos que só estorvam e prejudicam a imagem da cidade.

Abraço
JrgM

(recebido por e-mail)

Arrancou a limpeza geral e requalificação do Centro Histórico

A ação global de limpeza e requalificação do Centro Histórico denominada “Évora Merece! Recuperar/ Manter/ Limpar”, começou na Praça de Giraldo, com visível entusiasmo dos trabalhadores envolvidos a meterem mãos à obra, varrendo o espaço, limpando a fonte henriquina, retirando cablagens desativadas e preparando as arcadas da Praça para a sua pintura e respetiva conservação.

Recorde-se que esta ação decorre no espaço público entre a Praça Joaquim António de Aguiar e as Portas de Moura, sendo os trabalhos feitos com os recursos camarários disponíveis. Acontecerão mais do que uma vez por ano, prevendo-se, numa fase posterior, alargá-los às zonas extramuros da cidade. Inclui concretamente varrida do espaço público, limpeza de fontes, sarjetas, papeleiras (também a substituição de algumas) e parquímetros, reparação de arcadas, pintura de arcadas, pilaretes e contentores enterrados, limpeza de sanitários públicos, substituição e limpeza de sinais de trânsito, reparação de bancos e melhoria de floreiras.

Trata-se de uma limpeza geral no Centro Histórico, que iniciamos agora na Praça de Giraldo e vamos estender a outras artérias da cidade”, explicou o Vereador do Pelouro da Higiene e Limpeza Pública, João Rodrigues, considerando que “essencialmente esta ação visa melhorar a cidade para que tanto as pessoas que nos visitam como os próprios eborenses tenham Évora como ela é, uma cidade branca, uma cidade limpa”.

(informação CME)

Não penses… Eles agradecem!

Gostaria de confessar o que hoje parece ser um pecado: sou jovem e não sou anti-partidário. Sempre considerei qualquer generalização ou preconceito perigosos. Ainda assim, percebo o porquê de muitos jovens adotarem este pensamento. Percebo bem por inúmeras razões, entre as quais:

a) Os partidos que têm sido Governo há mais de 30 anos têm-nos levado até ao abismo. Este grande centrão (nada mais do que uma máscara do neo-liberalismo e capitalismo desenfreado) tem falhado nos compromissos pré-eleitorais, levando ao descrédito toda e qualquer proposta apresentada antes das eleições. Estes partidos têm passo a passo (uns mais largos do que outros) conduzido a massivas transferências de dinheiro do trabalho para o capital;

b) Estes mesmos partidos (PS/PSD/CDS) têm sido os maiores dinamizadores do enorme fenómeno de corrupção que invade a sociedade portuguesa. A corrupção deixou de ser isolada, passando a ser um fenómeno comum para os mais altos dirigentes destes partidos;

c) Nesta linha, as ligações asquerosas entre aqueles que governam e os grandes grupos económicos têm sido promíscuas. São os interesses destes grandes grupos (dos chamados donos de Portugal) que têm governado e não os Governos democraticamente eleitos. Em troca, os senhores e senhoras membros do Governo, quais meretrizes, vendem o que podem (e que é nosso) em troca de um lugar de administração nesses grandes grupos;

d) Perante estes factos, mais do que comprovados (inúmeros são os casos de compadrio e corrupção), a justiça tem sido cega. Uma justiça que pune quem rouba tostões, mas que perdoa quem rouba milhões;

e) Assistimos, também nestes partidos, ao fenómeno da carreira política: “jotinhas” que vão ascendendo na cadeia do partido até chegarem aos mais elevados cargos dirigentes dos mesmos. Basta olhar para o nosso atual primeiro-ministro. De poiso em poiso, de favor em favor, de apadrinhamento em apadrinhamento até chegar ao topo. Trabalho? Nunca exerceu.

f) Soma-se a esta salada, um ataque brutal à Educação dos jovens. Uma educação cada vez mais dominada pela acefalia. Temos uma Educação de programas, burocracia, avaliações e exames. Educação em Portugal não é estimular o pensamento, a reflexão e a criatividade (porque o ensino artístico desapareceu? Porque a formação cívica desapareceu? Porque os professores criativos e que estimulam o pensamento autónomo dos jovens são prejudicados na sua avaliação?);

Perante este descrédito (que tem alguma razão se atendermos à avaliação do trio partidário demoníaco), os jovens tem optado, nas eleições, por duas grandes vias: a abstenção ou o voto em branco. Quem opta por uma destas opções considera, muitas vezes, que com tal escolha está a dar uma grande lição a estes políticos. Não o está! A grande verdade é que a percentagem de abstenção e dos votos em branco é música para os ouvidos destes senhores. Deles não retiram grandes ilações (embora na noite eleitoral até possam expressar com pesar a abstenção e o número de votos em branco). Aliás, eles sabem que estimulam estes fenómenos, e como tal a estratégia é ganha. Sabem que assim o seu poder não é beliscado.

Das movimentações sociais têm de sair soluções. Destas, alguns partidos retiram lições, outros não.

Mas se pensarmos bem: Será que todos os partidos são mesmo iguais? Quem defende os 99%? Quem defende os trabalhadores, os precários, os desempregados, os pensionistas? Quem procura soluções para uma sociedade mais justa e equilibrada? Quem realmente nos representa neste sistema democrático representativo?

Estou na política (porque todos estamos, mesmo os que pensam não estar) para pensar ativamente e sem amarras e constrangimentos. Felizmente, pertenço a um grande movimento de esquerda que me permite expressar e procurar soluções com outros, procurando pontes de contato e evitando a resignação.

Todos juntos somos mais… Afinal de contas os partidos são feitos por pessoas…

Até para a semana!

Bruno Martins

in Crónicas da DianaFM, 07 Abril 2014

ABRIL/abris

gente feliz fez ABRIL
ABRIL fez tanta gente

mas tanta gente infeliz
que desde sempre só quis
ABRIL p'ra si somente

conspurca com o que diz
o que fez tão boa gente

e rouba e saca ao país
aquilo que era da gente

gente indecente infeliz
rouba e saca impunemente

e ainda por cima diz
que é vítima pobre inocente

de ABRIL já pouco resta
salvá-lo mais do que urgente

vai requerer gente honesta
que ainda vive entre a gente

contra os fazedores de abris
força ABRIL - ainda há gente

Platero
(h)ortografias