06 Maio 2008

HISTÓRIA DO AMIGO DA ONÇA

O meu amigo Zé ficou desempregado:
- Tiveste azar, o chefe embirrou contigo. Bem te avisei para dizeres a tudo que sim. Não vês como eu faço?
O meu amigo Zé vendeu a casa e o carro:
- Foste imprevidente. Um T2 como o meu, não chegava para a tua família? Com as prestações ao banco sempre a subir, estava-se mesmo a ver...
O meu amigo Zé pediu-me dinheiro emprestado:
- Ao que tu chegaste! Então, já esgotaste as poupanças? Olha que eu também não tenho reservas. Queres vir jantar cá a casa com o teu pessoal?
O meu amigo Zé não consegue arranjar novo emprego:
- Eh pá, tens 50 anos, tens que te conformar com o salário mínimo, senão ninguém te emprega...

O meu amigo Zé avisou-me que tinha o carteiro à porta:
- Uma carta registada para mim? Da nossa empresa? Que será?... Eu, despedido?! Eu, que sempre trabalhei tanto e nunca me queixei do pouco que ganhava. Eu que dizia a tudo que sim, que me inscrevi no partido do chefe e que nunca fiz uma greve...

O meu amigo Zé, pôs a mão no meu ombro, baixou os olhos, abriu a boca, mas... não disse nada.

05 Maio, 2008 22:03

12 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Um texto de choque a imitar um famoso alerta crítico de Bertold Brecht, Autor que passou os seus últimos 8 anos de vida na ex-RDA e, afinal, parece não se ter apercebido de nada do que ali se passava.

06 Maio, 2008 13:48  
Anonymous Anónimo said...

Queria escrever "Bertolt"

06 Maio, 2008 13:49  
Anonymous Anónimo said...

Pelos vistos, não é o que se passa com o autor do post (presumo que português e em Portugal) e isso é que interessa para o caso...

06 Maio, 2008 14:40  
Anonymous Anónimo said...

Eu que do hábito fiz a minha vida; da vida dos outros o meu sofrimento; do sofrimento dos outros uma ascese, fico siderado com a interjeição do irmão que confundiu o Bretolt com o Bretold.
Habituado que estou a esmola celeste sei bem, como através do altíssimo, têm rareado as comedorias em meu espaço de sideração, que por todos vós chegam até mim.
Não está certo, irmão do socialismo, prenho de utopia, que estejais a evocar a antítese (classe trabalhadora) com esse desamor, típico de quem tem como amante de luxo, a tese capitalista.
É singular e até arrebatadamente, que esqueceis a síntese, (luta de classes) que devíeis evocar para ajuda do Zé e seu amigo, como forma de resolver este conflito social tão abrangente e ao mesmo tempo tão ignorado.
Não gostei… irmão que confunde Bertold com Bertolt, confesso que não gostei que tivesses trazido até nós a máscara da utopia, para entrar no mesmo espaço dos que um dia serão obrigados a mascarar-se para entrar pela tua casa dentro…
Anonimusrexus

06 Maio, 2008 14:44  
Anonymous Anónimo said...

Publicidade#### Zacarias Afonso de Portugal Henriques, Comidas e Associados. Vinhos brancos e tintos . De marca e da talha. Casa especializada em pés de porco e punhetas de bacalhau. Preços módicos. ##### Pois é. Há precisamente 4- quatro!!! - meses alertámos aqui que havia fome em Portugal. Fomos insultados. Eu sei que não passo de um taberneiro com um nome grandiloquente. A minha Belmira, que para lá de ser muito boa em todos os aspectos, tem uma courela de 5 hectares ali para as bandas do Redondo. Ontem o Ministro da Agricultura, o sr. Silva, disse que o problema dos agricultores portugueses se resolvia se fizessem uma charca. E um pouco de regadio para ter uma vaca que consequentemente dará leite. O sr. Ministro vem cá ordenhar a vaca? Eu não posso que estou à frente do estabelicimento. Quanto à Belmira, não põe a mão em tetas para depois ficar com as mãos cheias de leite...Que não é cá dessas... Se os nossos dirigentes têm mamado tanto e em tanta teta porque não vêm cá dar uma ordenhadela na futura vaca da Belmira? Mais uma menos uma, e podem cá jantar depois nesta Taberna de Charme. Preços módicos. Se não houver vaca fica a courela em set-aside. A Belmira, gosta é de coisas sólidas e verdadeiras. AVISO: proibida a entrada a cães e similares. Ah, esquecia-me na parte do reclame à casa. Água corrente, quente e fria. Zacarias.

06 Maio, 2008 15:08  
Anonymous Anónimo said...

Oxalá o Zé fosse funcionário Publico: pouco mas sempre contadinho

06 Maio, 2008 16:21  
Anonymous Anónimo said...

"...fico siderado com a interjeição do irmão que confundiu o Bretolt com o Bretold".

"Não gostei… irmão que confunde Bertold com Bertolt"

A tentativa de piada de Anonimusrexus caiu-lhe em cima, tipo boomerang...É muito comum encontrar as duas últimas versões. As primeiras, da autoria de Anonimusrexus, nunca tinha visto.

Para que conste, o nome no registo de nascimento é Berthold.

06 Maio, 2008 16:28  
Anonymous Anónimo said...

Imaginemos que o Sr.SS (Sócrates Sousa) não tinha entrado na "carreira" política. Como tal, não beneficiava de notoriedade pública, não beneficiava da troca de favores graúdos feitos com os amigalhaços, nem beneficiava da aprovação dos ricos que ajudou a enriquecer ainda mais. Até aqui, seria um cidadão comum, igual a milhões de outros.
Porém, conhecendo-se o carácter arrogante do indivíduo e o seu feitio birrento, a sua má educação e o prazer que tem na humilhação dos mais fracos, os seus caprichos persecutórios relativamente a quem o contraria e a tendência para faltar à palavra, bem como a sua convivência tranquila com a falta de ética e a corrupção; conhecendo-se issso e conhecendo-se o seu percurso académico e a forma como obteve o diploma de "engenheiro", mais as horríveis casinhas de que diz ter sido autor, pergunto: VOCÊ DAVA EMPREGO AO Sr.SS? ACHA QUE ALGUÉM DARIA EMPREGO SEM CUNHAS? Sinceramente, penso que a resposta seria NÃO às duas perguntas, donde concluo que:
a) Se não fosse a política, o Sr.SS não teria emprego de jeito e andaria ao tio-ó-tio;
b) Se não fossemos nós, eleitores, o Sr.SS jamais teria o poder que tem e que não sabe usar bem;
c) Se não fossemos nós, contribuintes, o Sr.SS não podia levar a boa vida que leva, ter o protagonismo que tem e assegurar um futuro risonho através de algum amigualhaço que lhe retribua o "tal" favor recebido...
Ora, sejamos francos: como é que somos tão parvos ao ponto de aturarmos os abusos do Sr.SS e ainda lhe pagarmos por isso?!
Há ou não justa causa para o despedirmos? Quanto a mim... HÁ!
JSL

06 Maio, 2008 17:38  
Anonymous Anónimo said...

Portugal ,a uma significativa distância da Grécia e da Espanha são os países da UE onde a diferença entre a classe alta e baixa é maior. Os países onde a diferença é menor é nos Nórdicos, na Alemanha e na Áustria. Sinceramente eu que votei sempre à direita desta vez vou para os comunistas ou bloquistas para tentar que estas diferenças se igualem porque para além dos políticos, existem os gestores de empresas, que devem ser óptimos para merecerem o que ganham.

06 Maio, 2008 21:26  
Anonymous Anónimo said...

Quem nos visitou no nosso estabelicimento, a mim, este vosso amigo Zacarias e mais à minha Belmira, foi o Rei da Suécia Carlos XVI Gustavo e a Raínha Sílvia. São simpáticos e educados e sua Majestade, quando comia o prato de torresmos e bebia um copo do melhor clarete servido pela minha Belmira, que estava nos trinques, confessou-me que estava maravilhado. Com o petisco, a bebida e o ambiente. Sua Majestade estava cansado do Hotel de Charme onde pernoitou. Fiquei todo babado. Prometeu-me a condecoração do Serafim Vermelho. Vamos a Estocolmo recebê-lo. Vamos para o Grande Hotel. É bom dizer que nem o Zé do Burro nem o compadre Rodrigues se peidaram ou embebedaram. Também sabiam que levavam com a tranca nos cornos ao menor deslize. O Rodrigues porqueiro até trocou algumas opiniões àcerca da engorda dos porcos. Sua Majestade ficou deliciada. No fundo viu o Portugal autêntico. Não esquecer que na rua, ficaram os Ministros, Presidentes de Câmara e mais secretários aperaltados, estes, nos fatos comprados numa boutique de Évora numa loja chamada Mucci, ou o raio que os parta. Estavam cheios de calor, suavam, mas não se atreveram a entrar. Lá estava o letreiro. A Belmira que também é piedosa, lá lhes levou os restos e umas cervejolas. Beberam na rua e como que às escondidas. Na rua, para não estragar o ambiente ou o discurso do Rodrigues acolitado pelo Zé do Burro que a tudo dizia que sim. Este Gustavo XVI é um gajo porreiro. Não é impostor. Até me parece que saíu com um grãozinho na asa, como é próprio de homem franco e sem peias. Oh Gustavo, és cá dos nossos.

06 Maio, 2008 22:13  
Anonymous Anónimo said...

Zacarias:
E a conversa com o rei como foi? partilharam ideias acerca da sociedade sueca e a portuguesa?

07 Maio, 2008 07:25  
Anonymous Anónimo said...

Boa crónica, amigo das 22:13. Também podias ter falado da rainha, a ex-bela brasileira Sílvia. Não trocou receitas com a Belmira, por acaso? E, ó Zacarias, não falaste com o Gustavo sobre as louraças lá da Suécia, boas como o milho e sempre tão fresquinhas para os latinos? E quanto aos peidos, podias ter deixado o Zé do Burro e o Rodrigues aliviarem-se, porque na Suécia os arrotos é que são uma falha social grave. Quanto ao resto da camabada que deixaste na rua, foi pena não teres misturado 605 Forte nos restos. Tinhas prestado um bom serviço à nação e às tantas até passavas por herói. A malta dos jornais dizia que tinha sido um atentado da Al Qaeda ao rei e que tu o tinhas salvo... Que pena não te teres lembrado disso!

07 Maio, 2008 09:39  

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