MEMÓRIA
Deixem-na apodrecer. Agora
É um milagre vazio.
A alma, que era o cerne desse arbusto,
O Poeta guardou-a.
Leiam apenas o poema dele,
Enternecidos.
As lágrimas, queimadas, deram versos,
E neles ela renasce a cada hora.
Os olhos, os cabelos, a pele branca,
A figura gentil de porcelana…
Que lembranças incertas!
Só moldada no bronze da beleza
Se continua a vida
Entre a morte e o Poeta interrompida.
Miguel Torga
É um milagre vazio.
A alma, que era o cerne desse arbusto,
O Poeta guardou-a.
Leiam apenas o poema dele,
Enternecidos.
As lágrimas, queimadas, deram versos,
E neles ela renasce a cada hora.
Os olhos, os cabelos, a pele branca,
A figura gentil de porcelana…
Que lembranças incertas!
Só moldada no bronze da beleza
Se continua a vida
Entre a morte e o Poeta interrompida.
Miguel Torga

1 Comments:
Muito belo e pertinente.
Enviar um comentário
<< Home