28 Janeiro 2012

MEMÓRIA

Deixem-na apodrecer. Agora
É um milagre vazio.
A alma, que era o cerne desse arbusto,
O Poeta guardou-a.

Leiam apenas o poema dele,
Enternecidos.
As lágrimas, queimadas, deram versos,
E neles ela renasce a cada hora.

Os olhos, os cabelos, a pele branca,
A figura gentil de porcelana…
Que lembranças incertas!

Só moldada no bronze da beleza
Se continua a vida
Entre a morte e o Poeta interrompida.


Miguel Torga

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Muito belo e pertinente.

29 Janeiro, 2012 12:59  

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