29 Janeiro 2012

Um país à deriva

Por vezes ouvimos os governantes falar em "planeamento integrado", em "sinergia", e outros que tais. Como se fosse possível fazer planeamento que não procure integrar todos os aspectos de uma realidade, ou desperdiçar os esforços e acções que são afins do planeamento. Mas, temos que reconhecer, são meras palavras usadas para enfeitar os discursos e os sofismas.

O que assistimos, cada vez mais, é à arbitrariedade das medidas e acções, avulsas e sem a mínima noção das consequências. Assistimos à negação do planeamento. Em trinta anos, o planeamento deixou de ser o suporte das decisões. Instituiu-se a arbitrariedade de políticos incapazes e corruptos, apoiados por técnicos sem ética, às ordens do capital. O arco do poder, corrompeu o país e instituiu a anarquia.

Nas infraestruturas nacionais, assistimos ao espectáculo da disputa de aeroportos, TGVs, e auto estradas, entre as hienas que nos consomem. Assistimos à destruição da rede ferroviária, entregue à voracidade do polvo.

Assistimos às "políticas de proximidade", que fazem o contrário, que fecham e afastam os serviços públicos dos cidadãos. Foram as Esquadras de Polícia, os Centros de Saúde, as Urgências, as Escolas, as Scuts, os transportes, os correios, o custo dos serviços básicos, a regionalização, e agora os Tribunais. Tudo decidido e feito sectorialmente em função de alegadas poupanças, ou de criminosos negócios.

Portugal é hoje um país sem plano. Tudo se decide a par e passo. Em função do lucro privado imediato. Destroem-se infraestruturas e serviços úteis, para construir e adquirir inútil, pior e mais caro. Nada é estudado em função das condições locais. Adquirem-se soluções enlatadas, totalmente desajustadas da realidade. O que hoje se faz, para lucro do capital, amanhã se desfaz para lucro do capital.

E ninguém é responsável.

29 Janeiro, 2012 11:53

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Tudo o que aí está serve, como uma luva, à gestão que o arco do poder tem feito em Évora.
O ruinoso negócio das águas, para o qual fomos arrastados, por essa laia de políticos, é verdadeiramente criminoso.
Admira o tribunal de contas, ou outro com esse poder, não investigar e punir os responsáveis, políticos e técnicos que os suportam.

29 Janeiro, 2012 20:45  
Anonymous Anónimo said...

Mas será que ninguem percebeu ainda que isto já deu a volta? Neste país ainda podemos falar quase à vontadinha e pôr os votos nas urnas(cof cof), mas só isso. Instalou-se de vez a "nova era, a nova ordem mundial" (e digo isto no pior sentido possivel), e Portugal é a cobaia perfeita para o ensaio (já em curso). Estou equivocada? Esperem e observem

31 Janeiro, 2012 15:54  
Blogger André Miguel said...

Enquanto não houver um plano para Portugal, não soubermos o que queremos enquanto nação, estamos condenados ao fracasso. Um povo que não sabe às quantas anda é um povo perdido.

31 Janeiro, 2012 21:16  

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