Em defesa da Cultura
«O tempo de pôr fim a este rumo de desastre é o tempo de hoje. Tempo de protesto e de recusa. Tempo de mobilização de toda a inteligência, de toda a criatividade, de toda a liberdade, de toda a cólera contra uma política que chama “austeridade” à imposição de um brutal retrocesso histórico em todas as áreas da vida social. Defender a Cultura é uma das mais inadiáveis formas de fazer ouvir todas as vozes acima do medíocre ruído dos “mercados”. Manifestamo-nos EM DEFESA DA CULTURA. E agiremos em conformidade».É desta forma que termina o Manifesto em defesa da cultura que subscrevi há algumas semanas atrás porque vivemos num país integrado numa comunidade onde a cultura devia dispor de outros meios para cumprir, com dignidade, a sua função de serviço público. A democratização da cultura é um desígnio inscrito na nossa Constituição e Portugal não pode deixar de se bater pelo desenvolvimento cultural e pugnar por uma europa onde a integridade nacional e as culturas regionais sejam realidades com espaço próprio de afirmação. Quando até no plano económico se reconhece a dimensão crescente deste sector de actividade, bem como a sua forte dinâmica na criação de novos empregos, tem de se apostar claramente no reforço das condições de trabalho dos seus profissionais para que a integração europeia seja também um acto criativo capaz de animar a vida cultural dos povos.
A qualificação da vida cultural das comunidades tem de passar por uma aposta clara nas dinâmicas instaladas pelos criadores, incentivando as práticas artísticas locais com vista à criação de um ambiente de comprometimento e partilha em torno de uma estratégia de desenvolvimento das regiões.
Enquanto se mantiverem os reduzidos níveis de financiamento à cultura não será possível desenhar um programa de intervenção que estruture a actividade deste sector no plano nacional e que considere as diversas realidades regionais, nomeadamente a necessária correcção da discriminação negativa a que o Alentejo e outras regiões têm sido sujeitas ao longo de anos.
Não podemos aceitar medidas que são ineficazes na diminuição do défice, mas comprometem o já tão fragilizado tecido cultural português. «Cortar no apoio às artes é cortar nos direitos dos portugueses».
O caminho do desenvolvimento e da democratização da cultura não é compatível com os cortes cegos determinados pelas regras de mercado que nos querem impor. O Estado não pode demitir-se das suas responsabilidades, tal como a malfadada crise não pode ser justificação para todo o tipo de medidas.
A apresentação pública do Manifesto em defesa da Cultura vai acontecer na cidade de Évora no próximo dia 3 de Fevereiro, sexta-feira, às 18 horas, na sede da Associação Povo Alentejano na rua 5 de Outubro,75 (antiga FENCA). Esta apresentação tem a participação de Pedro Penilo, artista plástico, Manuel Gusmão, poeta e escritor, Helena Serôdio, professora e crítica de teatro, Helena Zuber, economista e gestora cultural e eu próprio que em nome dos subscritores deixo aqui o convite para participarem nesta sessão e integrarem esta corrente em defesa da cultura.
“Austeridade” na cultura não destrói só o que existe, destrói o que fica impedido de existir.
José Russo
in REGISTO, 2 Fevereiro 2012

14 Comments:
A (des)propósito do Acordo Ortográfico, quero dizer que estou com Vasco Graça Moura e ninguém tem nada com isso.
Explico porquê:
1. Fizeram um acordo cujo único objectivo é vender dicionários e derivados.
2. Fizeram um acordo que está para a língua portuguesa como as leis dos burocratas europeus sobre o pão duro e os coentros estão para a açorda.
3. Fizeram um acordo que, do ponto de vista linguístico, é disparate atrás de disparate.
4. Embalados numa modernice que teria feito as delícias de Bouvard e de Pécuchet (dois homens sempre na vanguarda...), tentaram impor a ideia de que todos os que se opunham à "uniformização???!!!" da língua não passavam de reles conservadores e retrógrados, enquanto, ao mesmo tempo, complicavam grafias (algumas, agora com três hipóteses e siga o baile).
5. Vasco Graça Moura, personagem com quem não simpatizo, terá resolvido corajosamente não o aplicar no CCB (por acaso, já me tinha perguntado como descalçaria ele essa bota).
6. Perante o gesto (desobediência civil?) que só dignifica Graça Moura (e a língua portuguesa, já agora), António José Seguro foi fazer queixinhas ao Primeiro-Ministro. Gente de mierda, tão pequenina!
O CCB é uma Instituição Pública de Direito Privado, logo não está obrigado a aplicar o acordo antes de 2014.
O "Palhaço" acaba de anunciar:
o fim de tolerãncia de ponto no Carnaval.
Governo neo-fascista ACABA com o CARNAVAL.
É a finança que detém o poder em Portugal.
Os governos mais não fazem que governar a mando, e para o interesse, do capital.
Penso que já ninguém contesta esta verdade, mais do que evidente.
Para a finança, a arte e a cultura são primordialmente um negócio.
Portanto os governos governam em conformidade, privatizando o que dá lucro e subsidiando o que dá prejuízo, porque, dizem, os privados estão a prestar "serviço publico"!
Portanto, a bem do negócio, os governos demitiram-se da sua obrigação de promover, e salvaguardar, a cultura nacional.
Por isso, ao especulador Berardo foi oferecido o Centro Cultural de Belém, para expor e valorizar a sua colecção de objectos estrangeiros.
Por isso, a proliferação de Fundações, da alta finança e do capital, isentas de impostos, a viverem à custa do orçamento de estado.
Por isso, o abandono aos produtores nacionais, e a aquisição de "enlatados", que nada têm a ver com a nossa cultura.
Por isso, a televisão nacional deixou de produzir, apoiar ou divulgar a cultura nacional. Até mesmo as telenovelas, são pretexto e veiculo para vender produtos, modas, e ideologias estrangeiras.
Por isso, para a televisão nacional, em Portugal não existe Teatro, nem Música, nem Literatura, nem Artes plásticas, nem valores culturais que valha a pena promover e mostrar. Nada a não ser o rentável negócio privado das telenovelas, enlatadas e exportadas para os Palops.
Por isso, as televisões do estado também estão na calha para a privatização.
Também em Évora seguimos o paradigma nacional.
O Museu do Artesanato foi alienado para uma finalidade alheia a Évora, para um negócio privado para lucro privado, à nossa custa.
A Fundação Eugénio de Almeida, apresenta arte de alta craveira, mas sempre estrangeira, E às custas do estado.
O futuro incerto do Museu de Arte.
A quimera da Biblioteca Publica.
A ruína do Salão Central.
O abandono sistemático, e consequente desmobilização, dos produtores locais.
A perda do atributo de cidade da cultura, património da humanidade.
O problema não é a falta de dinheiro.
O problema é o desamor ao país, é a ignorância, é a ganância, é a barbárie.
O problema é político.
Em defesa da Cultura?
Mudemos de política! Mudemos de governo! Mudemos de câmara!
«O tempo de pôr fim a este rumo de desastre é o tempo de hoje. Tempo de protesto e de recusa. Tempo de mobilização de toda a inteligência
Pois é camarada esse tempo passou agora é altura de pagar as dividas,o camarada onde andava quando a política de desastre socialista era praticada?Eu sei na altura recebia chorudos cheques da autarquia da mão do camarada Abílio e as outras companhias culturais que se fod....memoria curta!
Lá esta o amigo de neo fascista quer festa estando nesta crise forte?essa é mesmo de LELINISMO!
ó russo! é tempo de encolher a barriga.
queres é tratar da tua barriga e chamas ao teu estômago cultura e é a cultura que te sai depois do estômago.
Tem dó!
Èvora é Atraso....
Èvora é desleixo......
Èvora é degradação....
O salário mínimo nacional teve um acréscimo de apenas 88 euros desde 1974, enquanto que as pensões mínimas de velhice e invalidez aumentaram apenas 38 euros nos últimos 36 anos, segundo dados da Pordata.
É a cultura do 3 fff- Fátima Futebol e Fado!Belo povinho!
Oh José Russo, a gente está-se cagando para a tua cultura e para a tua inteligência!
@ 01:24
e para a tua também
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