26 Fevereiro 2012

Évora - ‘Prémio de Melhor Programação Cultural Autárquica - 2011’ (ex-aequo)

Primeiro, a estranheza que sem freio cavalgou pelas vísceras já maltratadas pelos desagravos….
Depois, deixar que o tempo – muito, que estas notícias o tomam bastante para digerir – arrefeça os calores da cavalgada…

Tranquilo agora, posso, sem medo, arriscar alguns comentários sobre um facto que não o é… e que o é.

Os prémios servem para homenagear, reconhecer publicamente pessoas, instituições que, de alguma maneira contribuíram para tornar a vida dos outros mais agradável, dando-lhes um sentido à existência.

Por vezes, segundo uns, injusto; justíssimo, para outros: a unanimidade não é coisa boa.
Sejam quais forem as razões da atribuição, sejam quais forem os caminhos percorridos para atingir os fins (mais ou menos obscuros, mais ou menos claros) a verdade é que a responsabilidade não é, em última análise, de quem são os dentes mas de quem oferece as nozes. E sobre essa escolha, nada há a fazer. É uma decisão livre. Mesmo que se presuma que tais dentes não deveriam saborear tão apetitosas nozes….

Se, pelos argumentos do outorgante, Évora, cidade património da humanidade foi, pelo valor, preservação e divulgação do seu património edificado, assim distinguida, tanto melhor; se Évora foi, pela sua atividade cultural (mesmo que o príncipe não conheça o reino) reconhecida só posso sentir-me, indiretamente, distinguido.

Se Évora foi agraciada com essa distinção como meio e como fim não devo, em boa verdade não estar satisfeito. Porque eu e muitos outros, num caminho cuja glória se não busca e a dignidade se não perde, somos dela e por ela responsáveis.
Este texto poderia terminar aqui. E teria expresso o quão longe me sinto das partidarites de circunstância. Dos oportunismos e do cinismo em que Évora é pródiga.

Mas (há sempre um ‘mas’) …

E eis que, agora controlada, a revolta aflora para que não se apague a memória…

O desplante, a falta de bom senso da responsável pela cultura na autarquia de Évora nas suas declarações impelem-me a um grotesco sorriso de desdém, tão merecido como as nozes que lhe depositaram sobre a mesa: (“A vereadora de Évora vê neste prémio”) "um estímulo para os serviços da autarquia e para todas as instituições e agentes culturais", referindo o desejo de que "ganhem ainda mais visibilidade".

Se não esquecermos o sufoco que desde 2009 tem colocado os agentes culturais (cujo apoio ainda não pagou na totalidade); se não esquecermos que se recusa a pagar o ano de 2010; se não esquecermos que ainda não liquidou – não à ‘a BRUXA teatro’ – o apoio de 2011 e já está prestes a terminar o concurso para 2012… então, essas declarações não podem ser senão duma bárbara imoralidade.

De prémios e nomeações eu sei. E nunca constituíram um incentivo: antes uma responsabilidade acrescida para manter a confiança.

Incentivo para quem, despudoradamente, atira ao ar uns pedaços de nozes cujas bocas há muito deixaram de alimentar e se alimentar.

Incentivo para quem, despudoradamente, ignora quem contribuiu, com orgulho, para de nozes lhe encher a boca.

figueira cid
diretor artístico d'a BRUXA teatro'

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Marsh: Maus da fita estão em Bruxelas, não em Lisboa ou Atenas

A culpa da crise europeia não mora em Portugal nem na Grécia, mas em Bruxelas, na Comissão Europeia, disse em entrevista à agência Lusa David Marsh, historiador do euro e presidente do Fórum das Instituições Monetárias e Financeiras Oficiais (FIMFO).

Apesar de ter pouco mais de uma década, a moeda única merece uma história, até porque os seus antecedentes têm quase dois séculos, diz o britânico David Marsh, que, para além dos trabalhos académicos, dos textos que escreve para publicação como o Financial Times ou The Economist, preside também à consultora de gestão SCCO ao FIMFO, que reúne líderes de bancos centrais, fundos soberanos e responsáveis políticos e empresariais do sector financeiro.

"A busca por uma divisa única europeia data, pelo menos, de meados do século XIX", disse David Marsh, autor do livro "O Euro - A Batalha pela Nova Moeda Global", que acredita que a moeda única europeia tem ainda uma longa história à frente, apesar das atuais dificuldades.

"Já se andou tanto, política e institucionalmente que não se pode agora voltar para trás. Por isso, o que quer que aconteça à moeda europeia, o euro continuara a existir, continuará a existir um Banco Central Europeu", considerou.

Quando vê as manifestações nas ruas de Lisboa, ou de Atenas, ou as taxas das dívidas públicas de Portugal, da Grécia ou de Espanha a subir, David Marsh tem também a certeza de que os mercados estão bater à porta errada quando culpam os cidadãos, os bancos ou os governos europeus e os acusam de ter gasto mais do que deviam.

"Os verdadeiros vilões são os funcionários europeus. Não são as pessoas nas ruas em Portugal, ou na Grécia, nem sequer os governos de Portugal ou da Grécia, nem sequer os banqueiros, que só estão a fazer aquilo que sempre fizeram - tentar ganhar dinheiro sendo tolos e gananciosos", afirmou.

"Os verdadeiros vilões são os tecnocratas em Bruxelas, que não conseguiram ver a necessidade de ter mecanismos de segurança, de criar mecanismos como as Eurobonds, quando as coisas estavam ainda relativamente bem, nos cinco primeiros anos do euro. E isso foi de uma complacência colossal, criminosa", acrescenta David Marsh.

Para Marsh, a oportunidade de integrar as finanças públicas dos países da zona euro através da mutualização e da emissão conjunta de dívida soberana da zona euro- as chamadas eurobonds - é também uma oportunidade que já se perdeu e não se recupera.

"É demasiado tarde para isso. A altura certa para as eurobonds teria sido quando tudo estava a correr razoavelmente bem, até 2005, e quando ainda se poderia ter aglomerado os países com a notação financeira máxima de AAA e outros países com um bom 'rating'. Agora já estamos atrasados", afirmou.

Marsh não acredita que a Grécia possa sair do euro, mas afirmou, na entrevista à Lusa, que se isso acontecer não será a sentença de morte da moeda única, até porque já estão em actividade os mecanismos de resgate da zona euro - o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (temporário) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (permanente) - que servem como barreiras de segurança contra um contágio da bancarrota grega.

"Não seria um golpe mortal se a Grécia decidisse abandonar a zona euro. É perfeitamente possível que se a Grécia, por razões especiais, decidisse, por si, sair da zona euro, que a moeda única continuasse com 16 membros. As barreiras de protecção estão no terreno, há muito mais munições monetárias que há dois anos", considerou.

26 Fevereiro, 2012 19:55  
Anonymous Anónimo said...

A relação entre causa e efeito é escamoteada, para dar cobertura à irresponsabilidade, e à incompetência.

Tanto na cultura como na saúde.

Não colocam médicos.
Fecham equipamentos e urgências.
Aumentam os transportes de doentes.
Não pagam aos bombeiros.
Põem taxas em todos os cuidados de saúde.
Retiram benefícios aos doentes crónicos.
Diminuem as reformas.
Aumentam o preço dos remédios.
...
E depois, quando há um "pico" de mortalidade, sobretudo idosos com mais de 65 anos, dizem que é do clima!

26 Fevereiro, 2012 20:22  

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