Os desempregados, esses culpados e uma pequena nota de humor
Os desempregados mais jovens têm sido alvo nos últimos tempos de uma espécie de campanha que até parece imbuída de boas intenções.Não há dia em que não sejamos bafejados por reportagens e entrevistas que nos mostram jovens que venceram na vida porque criaram o seu próprio negócio ou que emigraram e agora têm um emprego fantástico, bem pago e socialmente reconhecido.
Tal insistência nestas excepções, normalmente sem contar a parte da história que promove a oportunidade aproveitada, parece ter um objectivo bem claro: pretende fazer acreditar à imensa massa de desempregados que basta um olhar vivo e vontade para que a sua situação se resolva, deixando no ar a ideia que a culpa por estar no desemprego é da sua falta de iniciativa e da incapacidade de sair daquele sítio que os especialistas em aconselhamento de “empreendedorismo” se habituaram a designar por “zona de conforto”.
A partir daí constrói-se um imaginário que passa por identificar erros que o desempregado terá cometido, desde que nasceu até aos dias de hoje.
Errou na escolha do “projecto de vida”, que como se sabe é algo que decidimos sentados à mesa, registando depois numa espécie de diário do futuro e que vamos conferindo à medida que o tempo passa.
Errou quando escolheu a área de estudos no secundário, errou quando decidiu estudar uma área do conhecimento que lhe parecia interessante em vez de escolher outra que, apesar de não corresponder aos seus interesses, teria supostamente mais saídas profissionais.
Estes especialistas, sentados na sua “zona de conforto”, reduzem os jovens em busca de emprego a um somatório de erros próprios e de falta de iniciativa.
A culpabilização individual pelo desemprego parece ser a estratégia de comunicação utilizada, como forma de distender a tensão social que resulta do facto de existir uma massa imensa de jovens que não se consegue autonomizar financeiramente das suas famílias de origem.
A outra face da manipulação consiste em convencer os mais novos que não têm emprego porque os mais velhos não podem ser despedidos.
Estes especialistas da coisa são de outro calibre e avançam com a solução final, que para eles só pode ser a flexibilização da legislação laboral, o facilitar e tornar mais baratos os despedimentos.
Como afirmou uma manifestante espanhola, entrevistada durante a manifestação em Madrid contra as alterações das leis laborais, “querem despedir os pais para contratar os filhos por metade do preço”.
Esta intoxicação ideológica será tanto mais agressiva quanto maior for a disposição dos jovens em lutar por um outro futuro. Resultará? Espero que não, porque seria passar um atestado de menoridade a várias gerações de portugueses. Esta crónica só poderia terminar com um momento de bom humor.
A Sociedade Portuguesa de Autores atribuiu à Câmara Municipal de Évora o prémio da melhor programação cultural autárquica, 2011. Ouviu bem. Uma de duas, ou é um claro erro de destinatário e o prémio deveria ser atribuído a cada um dos agentes culturais que, apesar da irrelevância da política cultural da câmara, consegue realizar uma programação de qualidade ou estamos perante a anedota do ano.
Até para a semana.
Eduardo Luciano
in DianaFM, 23 Fevereiro 2012

11 Comments:
pois é! os desempregados não são empreendedores e a culpa é deles... todos concordamos que na generalidade estes não têm culpa.
a conversa dos governantes permite-me pensar que a proposta é que os desempregados devam gerar 1 200 000 empresas para criar o próprio posto de trabalho!
é esta a solução?
penso que não!
no entanto senhores políticos, vocês são eleitos para isso, para criar soluções e se não as têm mudem de profissão!
O erro tem sido este modelo social assente no estado,onde não se apoia o empreendedorismo com financiamento,onde o pequeno empresário começa a ter lucro cai logo o estado e os partidos de esquerda com mais impostos o rico e o capitalista etc...
Eu sou a favor do modelo de sociedade norte da Europa,modelo liberal onde se cria e distribui riqueza!
Este modelo nosso é uma desgraça só serve para fazer pobres e criar miséria e esta esgotado por falta de riqueza para o sustentar e minado por corrupção.
È normal o prémio é o pais que temos não me admira a corrupção e compadrio é corrente.
este tipo já cansa...e ainda apenas é pré-candidato
@20:35
Há mais de 30 anos que os sucessivos partidos do governo (ps/psd/cds) dizem estar a fazer isso que tu dizes. Mas o resultado foi a falência e a ruína da maioria dos portugueses. Safaram-se aqueles "empreendedores" que fugiram com as fortunas para a Holanda ou outros paraísos fiscais.
Se o Primeiro Ministro diz que quer aumentar a produtividade, porque promove o desemprego?
Porque faz leis para facilitar o despedimento e a falência?
Porque ataca os direitos dos trabalhadores e encoraja os trabalhadores a emigrar?
Porque aumenta os custos de produção levando as empresas à falência e a economia à recessão?
Porque continua a diminuir os rendimentos dos trabalhadores e, consequentemente, a diminuir o consumo interno e o sustento das empresas?
Porque se limita a cobrar e a extorquir aos trabalhadores, para suportar os prejuízos dos banqueiros, a especulação bolsista, e os monopólios de serviços básicos, privatizados em saldo à finança?
22,52 porque falha?Ainda hoje os sindicatos de esquerda minam todo o terreno, na Autoeuropa foram corridos e esta multinacional esta entre as maiores da Europa roubado novos modelos de viaturas a outros países de outros campeonatos,lá o banco de horas é antigo a rotatividade entra varias funções a famosa adaptabilidade é velha entre outros processos que agora se discutem lá a 10 anos que se pratica.
Durante 30 anos descobre-se o peso dos sindicatos aliados o peso das corporações quem dominam e boicotam qualquer tentativa de desenvolvimento que ponha em risco o seu domínio.
@23:30
Não será, antes, a incompetência e a mediocridades dos empresários e gestores nacionais, mais interessados em mamar na teta do Estado, desgovernado pelos partidos centrão?
Não será, antes o compadrio e a corrupção, promovida e protegida pelo centrão, que originou uma situação de concorrência desleal entre a incompetência e o mérito? Não será por isso que a incompetência floresce, enquanto o mérito definha e morre?
Abre os olhos e vê o que fizeram maís de 3 décadas de desgovernos do centrão. E se, ainda assim achas pouco, daqui a uns meses falamos, quando este pobre país estiver onde agora está a Grécia.
Abre os olhos e repara no camimnho seguido pela Islândia, e vê como são erradas as políticas de Sócrates e Passos....
23,43 Tudo nasceu na política e no estado e claro depois se transferiu para as empresas,hoje existem grandes monopólios nos partidos sindicatos e nas corporações que promovem a mediocridade o facilitismo e a cunha para o domínio e saque do estado contribuinte ,como pode ser deputado que nunca trabalhou ou reconhecido por mérito?é um exemplo terrível repetido por todas as bancadas do parlamento.
230 sacos do lixo foram despejados na escadaria do parlamento com o nome dos deputados é o sinal dos indignados que são apartidários e começam a dar sinal.
acho que falar de + ás vezes é mau, este compadri eduardo nã devia aparecer + nas tabernas a falari com o povo?? leva o tempo a botar faladura moli... e o povo heiii agora é so politicos do facboki?? já nao falam com as massas nem com o arroz, tem medo de vir á rua como o outro que nao foi vizitar uma escola com medo da manif dos alunos?? o tal do facbok tb... ó tio Eduardo venha ter com os desempregados, os alunos sem aulas, os que nao ganham para pagar as casas nem os passes dos putos para irem para a escola ... apareça porrra
@14:07
Isso de andar pelas "tabernas a falari com o povo" parece coisa de Ernestontos e sus muchachos.
Não será?
nã senhori sou doutra qolidadi, esse muxaxos nem sabem que existem tabernas, aprendi a falari rapaz...
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